CICLO DO PENSAMENTO LIBERTÁRIO em Évora

Data: 
Wed, 18/01/2017 - 18:00
Local: 
Livraria Ler com Prazer, Rua Lopo Serrão, nº 16, Évora (junto à Rua do Muro)

Foi recentemente constituído em Évora o Núcleo de Estudos Libertários Elias Matias que visa organizar espaços de reflexão e debate sobre o movimento libertário e anarquista. Tomando o nome de um dos difusores do pensamento anarquista na cidade de Évora e no Alentejo, este Núcleo pretende manter reuniões abertas e organizar sessões públicas que visem também a difusão dos ideais e valores anti-autoritários.

O Núcleo de Estudos Libertários Elias Matias encontra-se já em funcionamento e preparou um primeiro Ciclo do Pensamento Libertário em torno da figura e da obra de pensadores – uns mais conhecidos, outros não; uns contemporâneos, outros mais antigos; uns mais “puristas”, outros fazendo a”ponte” com outras correntes – que marcaram e marcam o pensamento anti-autoritário.

Assim, as sessões, com carácter quinzenal, vão começar em breve, no dia 23 deste mês,sempre às quartas-feiras, pelas 18 horas, na Livraria Ler com Prazer, Rua Lopo Serrão, nº 16, em Évora (junto à Rua do Muro), com o seguinte calendário:

23/11 – Charles Fourier

7/12 – Proudhon

4/1 – Bakunin

18/1 – Kropotkin

1/2 – Neno Vasco

15/2 – Murray Bookchin

8/3 – Chomsky

22/3 – Jacques Fresco

5/4 – David Harvey

19/4 – John Zerzan

Cada um destes pensadores será objecto de uma breve apresentação (cerca de 20/30 minutos) por parte de um dos membros do Núcleo, após o que terá lugar um debate sobre os aspectos essenciais do seu pensamento.

Para apoiar este debate será criado um blogue na internet, com textos de apoio e bibliografia seleccionada para permitir que quinzenalmente a discussão possa ser feita o mais informadamente possível. Este blogue reunirá também o texto de apresentação de cada pensador e uma síntese do debate para consulta posterior.

As sessões decorrem entre as 18 e as 20 horas e são abertas a todos os que nelas queiram participar.

https://eliasmatias.wordpress.com/

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Mais info

Na próxima quarta-feira, dia 18 de Janeiro, terá lugar mais uma conversa integrada no “Ciclo do Pensamento Libertário”, organizada pelo Núcleo de Estudos Libertários “Elias Matias”, em Évora. Quinze dias depois da conversa em torno do pensamento e da figura de Bakunin será a vez de debatermos o pensamento de outro anarquista russo extremamente importante para o movimento libertário em geral: Piotr Kropotkin. Preso na Rússia, conseguiu fugir, tendo-se exilado em Inglaterra, onde escreveu várias obras, entre as quais um dos livros fundamentais do pensamento libertário: “Apoio Mútuo: um factor de evolução”. Kropotkin ainda assistiu aos primeiros anos da revolução russa, país a que regressou depois da queda do czar, tendo mantido correspondência e, pelo menos, um encontro com Lenin. Muito crítico face à forma como os marxistas do Partido Bolchevique estavam a destruir os sovietes e as organizações de trabalhadores, Kropotkin morreu no princípio de 1921, tendo o seu funeral constituído uma enorme manifestação de pesar e um dos últimos momentos de concentração de milhares de anarquistas – que em breve seriam ferozmente perseguidos e violentados pelo novo poder autoritário instaurado a partir de Moscovo sobre o território russo.

Piotr Alexeyevich Kropotkin nasceu em Moscovo a 9 de Dezembro de 1842 e morreu em Dmitrov a 8 de fevereiro de 1921. Foi um geógrafo, escritor e um dos principais pensadores do anarquismo no fim do século XIX, considerado também o fundador da vertente anarco-comunista. As suas análises da burocracia estatal e do sistema prisional também são relevantes. Foi o autor de livros hoje considerados clássicos do pensamento libertário, entre os mais importantes se destacam ‘A Conquista do Pão’ e ‘Memórias de um Revolucionário’, ambos publicados em 1892, ‘Campos, Fábricas e Oficinas de 1899’, e ‘Apoio-Mútuo: Um Factor de Evolução’ publicado em 1902.

Interessado por geografia, tornou-se explorador do círculo polar ártico percorrendo milhares de quilómetros a pé e registando diferentes fenómenos relacionados com a tundra e outras paisagens do ártico. Nas suas muitas viagens contactou e passou a se solidarizar-se com os camponeses que viviam em condições miseráveis na Rússia e na Finlândia. Mais tarde viajou para a Europa Ocidental tendo contactado em diversos países com activistas e revolucionários, entre estes os seguidores de Bakunin e os partidários de Marx. Em Genebra, tornou-se membro da Primeira Internacional, depois partiu em para a região do Jura a convite de um anarquista que lhe relatara a força que o movimento adquirira naquela região. Estudou o programa revolucionário da Federação Anarquista de Jura e voltou à Rússia com a intenção de divulgá-lo entre activistas libertários e populações marginalizadas. Na Rússia voltou a fazer pesquisas científicas, tomando parte em diferentes âmbitos do activismo libertário.

Foi preso por diversas vezes pela militância e os seus textos foram publicados por centenas de jornais ao redor de todo o mundo. O seu funeral, em fevereiro de 1921, depois de ter regressado à Rússia, constituiu uma das últimas grandes manifestações de anarquistas russos, uma vez que este país, desde a revolução de 1917, estava sob o domínio bolchevique para quem os anarquistas eram inimigos a combater. Pouco tempo depois da sua morte, em Março de 1921, os bolcheviques atacariam Kronstadt pondo fim a qualquer veleidade de um caminho comum com os anarquistas.

um excerto, modificado, daqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Piotr_Kropotkin