O cinema e as cineastas portuguesas

Data: 
Wed, 14/02/2018 - 21:30
Local: 
MIRA artes performativas - Rua Padre António Vieira, nº 68 - Porto

O cinema e as cineastas portuguesas

O filme de Luísa Sequeira "Quem é Bárbara Virginia?"(2017) é um documentário sobre a primeira mulher a realizar um filme em Portugal (década 40). O primeiro filme português a ser apresentado no Festival de Cannes(1946) foi realizado por ela com apenas 22 anos. Bárbara Virgínia foi esquecida, é uma desconhecida.
A questão que se coloca é: este apagamento decorre do facto de ser mulher? Que outras mulheres foram omitidas na história do cinema português?
A questão que o Tamanho M coloca na sessão de 14 de fevereiro é : as mulheres cineastas portuguesas sentem-se limitadas no seu trabalho por serem mulheres? Para discutirmos a questão convidamos 4 mulheres ligadas ao cinema e que connosco vão debater o problema a partir das suas experiências e vivências: Cláudia Varejão, Lu Sequeira, Marta Bernardes e Tânia Dinis. A moderação está a cargo de Manuela Matos Monteiro.

Programação do Tamanho M: Manuela Matos Monteiro.e Ana Rocha

Dados Biográficos

Cláudia Varejão

Cláudia Varejão nasceu no Porto e estudou cinema no Programa de Criatividade e Criação Artística da Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com a German Film und Fernsehakademie Berlin, na Academia Internacional de Cinema de São Paulo e fotografia no ARCO Centro de Arte e Comunicação Visual em Lisboa. É autora da triologia de curtas Fim-de-semana, Um dia Frio e Luz da Manhã. Ama-San 海女さん foi a sua estreia nas longas metragens, recebendo dezenas de prémios em todo o mundo. Os seus filmes têm sido selecionados e premiados pelos mais prestigiados festivais de cinema, passando por Locarno, Roterdão, Visions du Reel, Cinema du Reel, Karlovy Vary, Art of the real - Lincoln Center, entre muitos outros. A par do seu trabalho como realizadora desenvolve um percurso na fotografia. É professora no ARCO em Lisboa e tem dado aulas em inúmeras escolas de arte e workshops de cinema. O seu trabalho, tanto no cinema como na fotografia, documentário ou ficção, vive da estreita proximidade que a autora estabelece com as suas personagens e das possibilidades narrativas que surgem desse encontro.

Luísa Sequeira

Luísa Sequeira estudou jornalismo e realização de documentários. Iniciou a sua carreira em Moçambique na TVM, e durante mais de 10 anos trabalhou na RTP, tendo coordenado e apresentado vários projetos, entre eles destaca-se o “ Cumplicidades” e o “Fotograma”, um magazine que teve mais de 100 episódios dedicado ao cinema em língua portuguesa. Desde 2010 que realiza e faz a curadoria do Shortcutz Porto ( Festival de curtas-metragens que conta com mais de 200 edições) Em 2012 começou a organizar o Super 9 Mobile, o primeiro festival português exclusivamente dedicado ao mobile.O Super 9 Mobile Film Fest já está na 4ª edição. Coordenou e realizou o “Porto sem Nó”, vencedor do Festival Internacional de Televisão do Rio de Janeiro. Realizou o documentário “ Mulheres no Palco” para a RTP. realizou com o artista Sama, uma série de animação para o Canal Brasil. 2015- Documentário : “Os Cravos e a Rocha”( Premier Brasil no Festival do Rio, Luso Brasileiro, Indielisboa, Festival de Curtas-metragens de São Paulo, NY Portuguese Short Film Festival, Córtex, etc) 2016- Curta experimental “ La Luna”( Festival internacional de cine y vídeo experimental Bideodromo, no Family Film Project) 2016- Filme em Super 8 “ Memória, substantivo feminino”[Menção honrosa] do Douro Film Festival – Festival Internacional de Cinema Super 8mm do Porto 2017 – Filme Mobile “My Choice” ( Cine Pocket Festival, Festival de um minuto) Realizou a longa-metragem “ Quem é Bárbara Virgínia?”, um documentário sobre a primeira realizadora portuguesa ( Doclisboa, Mostra de São Paulo e Festival Internacional de Rotterdam e melhor documentário no Caminhos de cinema português).Neste momento está a terminar com o Sama “ Nada a Temer”, um documentário de urgência sobre a situação política e social do Brasil. Actualmente está a preparar um documentário com a Ana Luísa Amaral e a Luísa Marinho sobre “As Novas Cartas Portuguesas”

Marta Bernardes

Marta Bernardes(1983, Porto) licenciou-se em Pintura pela FBAUP em 2006 onde leccionou entre 2010 e 2012. Aprofundou o seu estudo em artes visuais e multimédia na ESNBA de Paris e mestrou-se em 2008 em Psicoanálisis y Filosofía de la Cultura pela UCM-Madrid. Actualmente realiza um doutoramento na área da Filosofía Política na mesma universidade. Foi elemento do serviço educativo do Museo de Arte Abstracto Español-Cuenca, e membro da coordenação de exposições da Fundación Juan March- Madrid. Desde 2005 apresenta-se regularmente ao público tanto com trabalho plástico e audiovisual, como com peças de pendor performativo-teatral, poético e musical. Apresentou obra em Portugal, Espanha, Itália, Tunísia, França, Brazil, Marrocos e Canadá. Tem obra em colecções públicas(ex.colecção MAS-Santander) e privadas(ex: colecção Luciano Benetton). Editou:“Arquivo de nuvens“ (Cadernos do Campo Alegre, 2007), “Ulises” (na colecção Rato da Europa, Pé de Mosca, 2013),“Claviculária” (Douda Correria,2014).“A inocência das facas”(Tcharan editora, 2015),“Achamento” com Catarina Nunes de Almeida ( do lado esquerdo editora, 2015),“ Barafunda” com Afonso Cruz (Caminho, 2015) "Ícaro"( Mariposa Azual, 2016) É co-guionista do filme “Bibliografia” de João Manso e Miguel Manso seleccionado para o “ Portuguese Waves” no Torino Film Festival. É argumentista, guionista e co-realizadora do filme de animação “Palavra”, juntamente com Júlio Vanzeler, com apoio do ICA-Portugal.

Tânia Dinis

Tânia Dinis (1983), de Vila Nova de Famalicão.
Mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas pela Faculdade de Belas Artes do Porto, 2015. Licenciatura em Estudos Teatrais, Ramo – Interpretação pela ESMAE em 2006.
Realizou as curta-metragens Não são favas, são feijocas em 2013, que foi premiado com vários prémios, Arco da Velha em 2015, vídeo-instalação Linha em 2016, Teresa e Laura em 2017, e Armindo e a Câmara Escura 2017/2018.
Dirigiu o espetáculo ( 2ª parte ) ÁLBUM DE FAMÍLIA com Isabel Costa ( 1ª parte ), a partir do espólio de fotografias de família d’ A Muralha - Associação de Guimarães, uma produção do Teatro Oficina para a programação do Festival Gil Vicente 2017 na Casa da Memória de Guimarães.
Fez parte do colectivo de artistas DAS PLAST V PJS, no âmbito do projeto - Algumas razões para uma arte não demissionária de Eduarda Neves, 2014/2015 e integra o projeto Correspondências de Eduarda Neves em 2015/2018.
Os seus projetos artísticos exploram os universos da performance, cinema, fotografia e instalação, assumindo frequentemente um carácter itinerante.
Tem nos últimos anos trabalhado a partir de imagens de arquivo de família– fotografias, filmes – pessoais ou anónimas, criando a partir delas novos objetos. Um trabalho de pesquisa em torno do tempo, imagem-memória.
Os seus filmes e criações – Female, Imaginário Familiar, ( Projeto-Arquivo de família ), Rota ( pequena história de uma família), MONO-LOGO, Da memória, entre outros trabalhos fizeram parte da programação de vários festivais, nacional e internacional, assim como integrou exposições colectivas, tais como: 2017 - XIX Bienal Internacional de Arte de Cerveira, 2016, A Gentil Carioca - Abre Alas edição n°13 Brasil, 2016- CAAA Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura A exposição colectiva "Trees Outside the Academy"!, 2015, EVERYTHING SEEMS FINE FROM UP HERE, Solar - Galeria de Arte Cinemática - Vila do Conde, Trabalha-Dores do Cu, Maus Hábitos - Espaço de Intervenção Cultural, 2013, FILHAS DA MÃE, Centro Cultural de Fafe.
Colaborou em projectos da Cia – Excessos, Brasil e com a Útero Associação Cultural. Integrou a FAMEP | I Jornadas FOTOGRAFIA E ARQUIVO da ESAP em 2014.
Integrou o júri de longas-metragens do 17º Festival Lusobrasileiro de Santa Maria da Feira e em 2016 no Curta Oito – Festival Internacional de Super 8 em Curitiba, Brasil.

evento: https://www.facebook.com/events/1609603079115885/