NEGRO FICCA - O cinema étnico e social afro-brasileiro

Data: 
Mon, 19/11/2018 - 16:00
Local: 
AE ESAP - Largo de S. Domingos nº80 - Porto

A partir do lugar da arte, e para além das geografias e das políticas, os filmes que compõem a Mostra NEGRO FICCA remetem na sua utopia ao sonho de construção de um mundo no qual os africanos e todos os herdeiros de suas tradições sejam reconhecidos pela sua força e inteligência.
Parceria da Escola Superior Artística do Porto – ESAP, com o Cineclube Amazonas Douro, e o IV Festival Internacional de Cinema do Caeté, a Mostra de Cinema Negro FICCA exibe filmes de autores negros e/ou de temáticas a partir da arte e da resistência negra.
São filmes realizados por negros, e/ou de temáticas negras, que venceram e/ou participaram das três edições do FICCA, cuja IV edição este ano de 2018 acontecerá na cidade do Porto, com apoio da ESAP.

MOSTRA NEGRO FICCA

Há mais relações entre Brasil e África do que possa imaginar a nossa vã filosofia.
Nas fronteiras entre estes dois “mundos”, observamos seu complexos fenômenos e diversos processos.
Desde a Irmandade dos homens pretos da Ribeira Grande da Ilha de Santiago (Cabo Verde) até a Irmandade de São Benedito (Bragança do Pará).
Desde os “rabelados” cabo-verdianos aos povos remanescentes de quilombos amazônidas e paraoaras-caeteuaras.
Desde a ascensão até a queda da política de expansão pombalina em África e Brasil. Desde a fundação da Companhia do Grão Pará e Maranhão (1755) até a “Viradeira” (1778).
De acordo com o poeta Nuno Rebocho, o conhecimento, a cultura, e o emprego da mão-de-obra negra, teve importância para a economia da Região Amazônica.
Apesar da perda de informações do período compreendido entre o século XVIII e princípios do século XIX, sabe-se que os escravos negros foram utilizados em atividades agrícolas e extrativistas, trabalhos domésticos, construções urbanas.
A história da escravidão no Pará, de acordo Vicente Sales (2005), tem a marca da resistência de negros e índios pela liberdade, por meio da fuga, da construção dos quilombos e da participação na Cabanagem.
O Pará tem mais de 250 comunidades tradicionais quilombolas.
Cerca de 70 delas se localizam no vale do rio Tocantins, mas, apenas 11 comunidades estão legalmente tituladas.
Muitos negros subiram os rios e se deslocaram para esta Região, que tem cerca de 60% da população autodeclarada negra.
O fato revela o (auto)reconhecimento da ascendência africana no sangue, na língua, e na cultura da Região Baixo-Tocantins, Nordeste paraense.
A pesca do camarão, a caça de animais, e atividades de agricultura familiar (principalmente a produção da mandioca), constituem a base de sobrevivência nessas
Comunidades.
As identidades étnico-culturais destas comunidades se encontram ameaçadas, sobretudo pela migração de jovens e pelo envelhecimento dos adultos que permanecem nas comunidades.
Há perda gradativa das manifestações culturais, danças e ritmos, mais característicos dessas comunidades, segundo pesquisa do professor Hilton P. Silva, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Pará (UFPa).

O curador, Francisco Weyl

evento: https://www.facebook.com/events/317735002347999/