Horror Turístico

Neste “querido mês de Agosto” estamos em plena época de férias. Altura devidamente calendarizada para enganar a rotina do ano, para logo a retomar com as baterias recarregadas. Desejada época do ano, em que a latência do sol nos leva a mergulhar nas águas e caminhos de lazer e deste modo a mergulhar coletivamente entre os banhos de outros tantos… É então que a desejada fuga se encontra com o horror turístico. Torna-se difícil e penoso acabar por reconhecer o desencanto da evasão e da almejada pausa, muito menos a nós próprios, mas uma coisa é descansar o espírito, outra coisa é engana-lo e mante-lo em modo de pausa. (...) Não se trata de ridicularizar gratuitamente o turista e aquilo em que se tornaram as nossas férias, mas de tentar entender o grande logro a que vamos, quando genuinamente partimos do desejo do escape, que em ultima instância mais não é do que procurar a felicidade de sermos livres. O que a partir daí nos leva inevitavelmente a olhar para a que dizem ser a grande vocação nacional, e a grande aposta para o Alentejo: o Turismo.

A condição de turista – ultrapassando o receio em nos assumirmos como tal, apelidando sobranceiramente apenas “os de fora” – carrega em si o reconhecimento da mais plena vitória desta nossa civilização industrializada e urbanizada. Desta sociedade capitalista e de consumo desenfreado.

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(ou em espaço de opinião na edição de hoje do Diário do Alentejo)

Horror Turístico

Comentários

Extremismos

O Salazar tb era contra o turismo, porque «contaminava a pureza do povo», na ideia dele...

Naturopatia é «patranha»??? Ó santa ignorância...

Não passam de reaccionários

Não passam de reaccionários promotores da miséria e de passados idealizados. Na revista deles chegam a defender a naturopatia. Com um programa tão repugnante para apresentar só mesmo com patranhas se pode fazer engolir.

Já tu nada reaccionário...

Já tu nada reaccionário...

Horror Turísitco?!

Fico um pouco perplexo com este artigo. Li calmamente todo o artigo e parece-me transmitir uma mensagem perigosa e não acrescenta nada ao cliché anticapitalista.
É do conhecimento geral que Agosto não é o melhor mês para passar férias, a não ser que seja na capital onde não encontramos a manada do costume.
Horror turístico parece-me exagerado, penso que seria mais útil encorajar o turismo a reinventar-se. Quando falamos de turismo falamos de pessoas, turistas e empresas de turismo (pessoas). Onde quer que posicionemos a origem deste fenómeno não o devemos descontextualizar. O Turismo é uma ferramenta que devemos usar a favor da cultura de quem visita e de quem é visitado, a favor da responsabilidade ecológica de quem viaja, a favor da sustentabilidade e (especificamente em Portugal) como ponte entre o urbano e o rural. Esta ferramenta deve ser enriquecida e não demonizada.
Julgo importante encorajar o turismo a nível local para que este se torne cada vez mais responsável, que sejam as empresas de turismo a entender e tomar medidas nesse sentido. Cabe-nos desenvolver este diálogo com os agentes e guias locais para que façam o seu trabalho de forma coerente.
Pessoalmente faz-me muito mais confusão um tipo de turismo permanente no Alentejo que é aquele praticado pelos neo rurais que não são sequer capazes de se integrar no seio das populações. Permanecendo em nichos de autoexclusão, profetizando práticas de um mundo melhor, que por muito bem intencionadas, criam barreiras entre a sua comunidade e a comunidade já existente quando o seu papel seria primeiro com as pessoas, entendendo-as. Cabe a este neorural uma postura que faça enriquecer as relações humanas, deixar de ser "um de fora", por em relação aquilo que aprendeu e a razão que o fez ir para o campo, cabe-lhe aprender um pouco mais com as pessoas que vivem nas aldeias porque é fácil encontrar nelas uma força de vontade, disponibilidade e resistência que não encontramos nestes jovens e adultos que resolveram mudar para o campo.
Julgo que apontar o dedo ao turismo é desviar as atenções do que localmente já se devia ter feito há muito tempo.
Qualquer pessoa que tenha crescido numa aldeia que viaje e volte a sua terra natal percebe que a falta de união e de encorajamento é uma das principais causas de mal estar nas comunidades e é aí que devemos actuar todos os dias, Agosto é um mês em doze.

http://zuogmi.blogspot.pt/201

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