Perseguição policial a activistas - o caso Paula Montez

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Comunicado de Paula Montez, acusada de “ofensas à integridade física da PSP”, pela sua participação na manifestação do dia 14 de novembro, onde, para além de se manifestar, fez a habitual reportagem fotográfica:

«Peço a quem tiver imagens minhas na manifestação de 14 de Novembro (ou noutra manifestação qualquer) a tirar fotografias que as envie a fim de constituírem prova neste processo. Obrigada pela vossa solidariedade. »

Esta semana recebi um telefonema no meu telemóvel de uma funcionária do DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal) para me convocar para prestar declarações por ter sido “denunciada” por actos supostamente praticados por mim na manifestação do dia da greve geral de 14 de Novembro em São Bento. Quis saber qual a denúncia que recaía sobre a minha pessoa e a senhora do outro lado da linha referiu, para meu grande espanto, que eu tinha sido denunciada por cometer “ofensas à integridade física da PSP”.

A primeira questão a saber é como conseguiram obter o número do meu telemóvel cujo contrato nem sequer está em meu nome. A segunda questão é saber como posso ter sido denunciada por um crime que não cometi e por actos que não pratiquei.

Ontem apresentei-me no DIAP acompanhada de um advogado. Foi-me lido o auto de denúncia e mostradas imagens captadas na manifestação. As imagens todas elas de má qualidade e inconclusivas, mostram-me de braço no ar com um objecto na mão que os “denunciantes” referiram ser pedras. Na verdade o objecto que tenho na mão é nada mais do que a minha máquina fotográfica que costumo elevar devido à minha estatura ser baixa para captar imagens, como sempre tenho feito em todas as manifestações e protestos onde vou. Nas legendas das várias imagens captadas aparecem aberrações do tipo: “acessório”, assinalando-se com um círculo, pendurada na mochila, uma máscara dos Anonymous; o meu barrete de lã colorido é indicado como sendo um capuz (lá vem o estigma dos “perigosos encapuçados”); até a cor da roupa, preta, aparece referida (!); além disso, na foto de qualidade duvidosa, onde se vê o meu braço erguido segurando o tal objecto (máquina fotográfica) pode-se ler na legenda que arremessei à polícia cerca de 20 pedras ou outros objectos…

Agora pergunto eu: se a PSP me identificou a arremessar 20 pedras e a colocar em causa a sua integridade física, por que não fui eu detida logo ali? Por que não fui de imediato impedida de mandar mais projécteis que pudessem atentar contra os agentes? Sim, como é possível ter sido vista a atirar coisas, contarem uma a uma as cerca de 20 pedras que eu não atirei, mas que alguém afirma ter-me visto atirar, e deixarem-me à solta para atirar mais?

Colocada perante estas “provas” e com base nesta absurda acusação fui constituída arguida com “termo de identidade e residência”, tendo agora que arranjar forma de me defender.
Como é evidente trata-se de uma perseguição por parte da PSP a pessoas que estiveram naquela manifestação. Faço notar que nem sequer fui das pessoas detidas para identificação, estou sim a ser vítima de uma orquestração por parte da PSP que visa lançar uma perseguição política a pessoas que eles supõem ser os mais activos na contestação, pessoas que costumam ir às manifestações, fotografar, passar informação nas redes sociais (o meu perfil de FaceBook lá continua bloqueado a funcionar a meio gás, sem a possibilidade de comentar vai para um mês).

Enfim, tal como antes já tinha previsto, no dia 14 de Novembro começou uma intencional e persecutória caça às bruxas e desde então não param de acontecer fenómenos sobrenaturais em democracia: identificam-se pessoas em imagens duvidosas, denunciam-se situações que não aconteceram, subvertem-se imagens dúbias e de qualidade duvidosa para servirem de prova a acusações infundadas, usam-se telemóveis pessoais para enviar convocatórias do DIAP e hoje aconteceu mais uma situação inédita: um telemóvel de um amigo com quem eu estava tocou; qual o nosso espanto era eu a ligar do meu telemóvel e a chamada apareceu registada no TM dele como sendo minha, mas o meu telemóvel estava ali mesmo à mão, bloqueado, sem registo de nenhuma chamada efectuada… isto para além dos estalidos em certas conversas telefónicas.

Todos os que me conhecem sabem que não sou pessoa para andar a atirar pedras à polícia, que sempre defendi a estratégia da não violência, da desobediência civil e da resistência pacífica. Que em todas as manifestações me movimento de um lado para o outro a captar imagens e que muitas vezes me vejo obrigada a erguer o braço para fotografar acima da minha estatura. Não há ninguém que me reconheça ou possa apontar como sendo violenta ou capaz de andar a arremessar objectos em manifestações, por muito que considere que a violência com que o sistema nos ataca nos nossos direitos e nas nossas liberdades - e agora também acometendo contra a integridade física de todos quantos estávamos naquela praça - possa gerar a revolta e a reacção das pessoas.

A situação não é nova, nem a sinistra estratégia: no dia 5 de Outubro o Ricardo Castelo Branco foi detido e alvo de idêntico processo de acusação, também através de imagens dúbias e da mentira de dois denunciantes (mal) amanhados pela PSP, acusado de atirar garrafas à polícia, mesmo com um braço engessado e outro braço segurando uma máquina fotográfica. Com coragem e determinação levou o caso às últimas consequências até por fim ser ilibado.

Por tudo isto decidi tornar pública esta absurda acusação e peço a todas e a todos vós que divulguem este caso. Pela minha parte vou fazê-lo por todos os meios ao meu dispor, incluindo a comunicação social. Hoje sou eu a visada mas qualquer um pode vir a ser o próximo a ser alvo de falsas denúncias e acusações. O que sempre mais me empolgou e indignou são as situações de repressão, perseguição e de injustiça. A verdade é mais forte e há de vencer todas as calúnias.

Peço a quem tiver imagens minhas na manifestação de 14 de Novembro (ou noutra manifestação qualquer) a tirar fotografias que as envie a fim de constituírem prova neste processo. Obrigada pela vossa solidariedade.

Paula Montez

Notícia relacionada
http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/24547

As ilegalidades da polícia a 14 de Novembro
http://pt.indymedia.org/conteudo/newswire/24538

Paula Montez, com a sua arma, no dia 14 de Novembro

Comentários

A tentativa de perseguir a

A tentativa de perseguir a Paula Montez é a tentativa de nos intimidar a todos. Porque ela é uma de nós. Não vamos deixar que fique sozinha. É imperioso mostrar ao aparelho repressivo que a perseguição a um de nós é a perseguição a todos nós. E todos nós activistas temos de estar juntos com ela. Eu também fotografo manifestações, eu também vou a manifestações eu também podia estar assim. Qualquer de nós.

José Goulão solidário

«Suponho que não nos conhecemos, pelo menos pessoalmente, mas mão amiga e solidária fez-me chegar ao correio a sua mensagem.
Sou jornalista há mais de 40 anos, vivi infelizmente (e felizmente porque me amplia o sentido de crítica) a censura e a repressão física, social, psicológica e política do antigo regime.
Há muito que venho denunciando nos meus escritos - infelizmente submetidos a um acesso muito limitado porque na prática me foi vedafo o acesso às colunas dos ditos "grandes meios" de comunicação social - que o comportamento dos últimos governos e das forças policiais por ele comandadas se aproxima em muito de vertentes antigas, com sinistras adaptações aos tempos modernos.
Aquilo que se me oferece dizer depois de ler a sua mensagem é que não conseguirei calar a minha revolta onde quer que a possa expressar. Mais do que uma denúncia, a sua mensagem é um alerta para os processos ignóbeis de arbitrariedade, invasão da vida privada, e intimidação colectiva através de sucessão de casos individuais que nos deveria inquietar e mobilizar a todos.
Infelizmente não vivi em Portugal a greve geral nem as manifestações de 14 de Novembro por estar a trabalhar actualmente mais tempo em Bruxelas do que em Lisboa.
Não terei, por isso, capacidade de intervenção directa como cidadão no processo em si mesmo.
Gostaria, porém, que contasse com a minha solidariedade e aminha voz de cidadão e jornalista, que nunca consegui "tecnicamente" separar - nem tentei, em boa verdade- para o que ache vir a ser útil e necessário.
Coloco-me à sua disposição para que seja denunciado e desmantelado este aberrante e fascizante desvio da justiça.

Com a minha solidariedade

José Goulão»

e qual o motivo de divulgarem

e qual o motivo de divulgarem a sua fotografia no indymedia? Será difícil compreender que a bófia também passa por aqui em busca de informaÇao?

até com óculos escuros esta

até com óculos escuros esta foto te preocupa? já experimentaste procurar por Paula Montez no google ver as imagens que aparecem?

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