Afinal quem invade quem?

Notícia destacada

Invadidos por notícias de “invasões”, deixamos aqui, (embora com mais actualizações para breve), o relato dos acontecimentos vividos hoje no Bairro da Cova da Moura e na Esquadra da PSP de Alfragide:

a) No início da tarde uma patrulha da PSP da esquadra de Alfragide invadiu o Bairro da Cova da Moura, numa acção de rotina que concluiu na detenção de uma pessoa;

b) Durante a acção, o detido – apesar de não ter oferecido resistência – foi agredido violentamente, de pé e depois no chão, pelos diversos elementos da PSP presentes;

c) Perante o elevado número de testemunhas (algumas talvez armadas com telemóveis que filmam) , a PSP tratou de “limpar” as redondezas com recurso a violência física. A todos aqueles que: pela distância, por estarem à janela ou em propriedade privada e por isso distantes do cassetete , a polícia optou pelo disparo de balas de borracha;

d) Entre as vítimas das balas contam-se: mãe e filho (de apenas três anos de idade) que foram evacuados para o hospital, a mãe foi sujeita a uma operação cirúrgica; uma mulher atingida na face que se encontrava à janela; dois deficientes físicos; e ainda um grupo de raparigas que se encontrava no espaço público;

e) Perante o caos instalado pela PSP, quatro cidadãos do Bairro, alguns colaboradores do Moinho da Juventude, cientes do seus direitos e preocupados com a situação criada, dirigiram-se à esquadra de Alfragide para apresentar queixa dos baleados e saber informações do detido na acção de Bairro.

f) Apesar da esquadra ser um espaço público com serviço de atendimento ao cidadão, isso não impediu que os quatro fossem agredidos por vários agentes, em franca maioria, e que recorreram inclusive, e novamente, a balas de borracha;

g) Um sexto indivíduo que se encontrava no espaço público da esquadra foi agregado pela PSP aos 5 previamente detidos;

h) Dada a natureza das agressões, os seis indivíduos foram assistidos durante várias horas no hospital Amadora-Sintra, e diga-se, estavam todos irreconhecíveis, tal a brutalidade da acção policial;

Durante todo o tempo de espera e desenvolvimento da situação dos detidos, a polícia apresentou-se nervosa, talvez consciente da dimensão do corrido. Vários polícias fardados e à paisana cobriam várias espaços do hospital de forma desconfiada, enquanto na esquadra faziam o possível por não exteriorizar, embora de forma infrutífera, a insegurança dos seus actos. Como se o cenário não fosse estranho o suficiente, ficamos a saber que um dos polícias da esquadra de Alfragide ostenta uma tatuagem nazi.

É evidente que, por tudo o descrito e pelas notícias veiculadas pela PSP aos media, vão tentar acusar este grupo de cidadãos de um crime directamente proporcional ao erro grave cometido pela corporação. Temos de estar vigilantes e atentos.

Afinal quem invade quem?

Observatório do Controlo e Repressão

Afinal quem invade quem?

Comentários

É chocante a forma como a

É chocante a forma como a polícia intervêm nos bairros sociais. Hoje Sábado 7 de Fevereiro cerca do meio dia e meio no Bairro do Fim do Fundo em S. João do Estoril a PSP precisou de sete carros de polícia e de uma carrinha carregada de efectivos, precisou de apresentar armas de cano (shotguns? Não percebo de armas mas pareciam caçadeiras) precisou de cortar o trânsito automóvel e precisou deste aparato todo pasmem para prender um jovem que nem dezoito anos devia ter.
Das duas uma. Ou os polícias estão a ficar medricas ou então andam a utilizar uma força desproporcionada.

mais sobre os acontecimentos da cova da moura

Hoje, mais uma vez, como tem sido habitual nos bairros em geral e, na da Cova Moura em especial, a PSP usou e abusou da violência. Não se limitou a agredir barbaramente um jovem negro, portador de deficiência, como disparou contra pessoas indefesas, ferindo gravemente algumas delas. Uma das vítimas dos disparos teve de ser operada! Como se isso não bastasse, a PSP prendeu e agrediu selvaticamente jovens activistas sociais e militantes negros que tiveram de receber assistência médica em consequência das feridas e mazelas sofridas. A PSP tem de forma impune, sistemática e reiteradamente aterrorizado e violentado os jovens nos bairros, contando quase sempre com o silêncio quase total da sociedade ou com reações de condenação muito tímidas. É preciso romper com o silêncio ensurdecedor e conivente da sociedade em geral e, em particular, das instituições em torno da intimidação, das violentas agressões e dos assassinatos que têm sido perpetrados estruturalmente pelas autoridades policiais contra as comunidades negras e as minorias étnicas. A justiça, do modo como tem actuado, tem sido um dos principais (re)produtores de imaginários racistas dominantes e do consenso social em torno da impunidade que grassa nas instituições policiais, conduzindo aos abusos, perpetuando ideologias e legitimando relações de poder que oprimem os mais fracos/as e excluídos/as da sociedade. É tempo de acabar com a impunidade dos abusos e da violência policiais bem como, com os silêncios cúmplices em torno da violência racista do estado. É urgente que os silêncios sejam rompidos, que a impunidade seja denunciada e combatida para que se abra finalmente a possibilidade real de se fazer justiça contra a violência policial. É tempo de questionar estes silêncios e como podem ser rompidos, para que se abra finalmente a possibilidade real de se fazer justiça. Hoje, falsamente acusados de tentativa de invasão, seis jovens negros magoados e feridos pela PSP, alguns com gravidade, vão dormir nos calabouços da PSP, apenas por terem querido saber da sorte de um deles que acabara de ter sido violentamente espancado pela polícia. Estes como milhares de jovens negros deste país são quotidianamente violentados pela polícia. A violência policial é a face visível da violência de estado de que são vítimas. Na verdade, a brutalidade policial espelha o apartheid que se vive nos bairros. Não podemos permitir que isto continue! Urge a mobilização de todos e todas contra esta barbárie.

por mamadou ba
https://www.facebook.com/MBB1974

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