Os moradores da Cova da Moura são gente com enorme azar

A notícia de que a bófia da esquadra de Alfragide vai *em peso* ser levada a tribunal por crimes como agressão, tortura, falsificação de autos de notícia, etc., sugere uma de duas conclusões: ou os moradores da Cova da Moura são gente com enorme azar e todos os polícias boçais e racistas foram por casualidade do destino postos a desempenhar funções à sua porta, num caricato desafio à probabilidade estatística; ou este caso é absolutamente exemplar do grau de racismo intrínseco à própria bófia, particularmente visível no trato com as comunidades afrodescendentes dos arredores de Lisboa e com a comunidade cigana em todo o país. Este comportamento, por seu turno, pode ser fruto ou do total descaso na formação dos agentes policiais (o que, havendo leis anti-racistas neste país, seria caricato), ou de um objectivo incitamento a esses numa estrutura que é autoritária, prepotente, chauvinista, servil perante quem manda, implacável para com quem é mandado. Não é difícil adivinhar a resposta correcta.

Aqui há uns anos, quando a esquerda vaiava e grandolava ministros em vez de os defender d'"a PaF! a PaF!", a polícia nunca foi violenta connosco, mas dedicava-se alegremente a exercer o seu autoritarismo impune: impedir-nos de circular nas ruas "porque sim", obrigar à nossa identificação " porque eu estou a dizer", impedir e confiscar material de propaganda "porque não podem", foram práticas reiteradas. E nós sabíamos (e eles viam que sabíamos, e era cómico vê-los atarantados a tentar inventar desculpas) a extensão dos poderes que a bófia tem, os seus limites formais, o número e a gravidade das prepotências que nos estavam a fazer. Além disso, e esses privilégios contam, éramos brancos, escolarizados, não vivíamos no subúrbio, e tínhamos uma militância política que facilmente faria da repercussão social de uma agressão policial um caso complicado de gerir. Só posso portanto imaginar os desplantes que os chuis se sentirão no direito de praticar quando quem está do outro lado não está nestas condições, seja na Cova da Moura, seja no Lagarteiro, seja numa claque, seja num piquete de greve. Isso torna particularmente evidente que quando lidamos com essa gente, é com o braço armado do inimigo que estamos a lidar. Com nada mais, nada menos.

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