[Porto, Lisboa, Coimbra, Évora] Machismo não é justiça, é crime

Porto
Concentração
Sexta-feira, 27 de Outubro
18:00 horas
Praça Amor De Perdição (jardins Da Cordoaria, Em Frente À Antiga Cadeia Da Relação)

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Lisboa
Concentração
Sexta-feira, 27 de Outubro
18:00 horas
Praça da Figueira

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Coimbra
Concentração
Sexta-feira, 27 de Outubro
18:00 horas
Praça 8 de Maio

Évora
Concentração
Sexta-feira, 27 de Outubro
18:00 horas
Portão do Jardim Publico, frente ao Tribunal da Relação

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O juíz José Maria Queirós, titular do 1.º juízo criminal do Porto, condenou Camilo Castelo Branco por ter copulado com mulher casada e Ana Plácido por adultério. Ana Plácido foi encarcerada na Cadeia da Relação a 6 de junho de... 1860.

Se na antiga Cadeia da Relação havia homens e mulheres condenados por comportamentos sexuais pouco consentâneos com a moralidade da época transposta na lei, ali ao lado, no Tribunal da Relação do Porto, 157 anos depois, lavram-se acórdãos que têm como pano de fundo apreciações pessoais sobre a moralidade das mulheres. Pode ler-se no acórdão assinado pelo juiz Neto de Moura e pela juíza Maria Luísa Arantes: «O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte».

Situemo-nos: estamos em 2017, num país que reconhece a igualdade de género e onde a violência doméstica é crime público. Estes discursos proferidos por membros de órgãos de soberania, ao arrepio da decência e dos valores da imparcialidade e laicidade da justiça, pretendem não só legitimar e/ou desculpabilizar a violência contra as mulheres, como reforçar a ideia da dupla moral sexual, uma para homens, outra para mulheres.

Em 2016, segundo dados da APAV, todos os dias 14 mulheres foram agredidas, o que perfaz um total de quase 5200 nesse ano. Mais de 450 mulheres foram assassinadas pelos seus companheiros ou ex-companheiros nos últimos 12 anos. A violência contra as mulheres é crime, assim como o é o machismo.

Esta sexta-feira, às 18 horas, marcaremos presença na rua - em frente à antiga Cadeia da Relação, na praça Amor de Perdição - num ato de repúdio pelas considerações morais machistas que alguns representantes da justiça no exercício das suas funções continuam a proferir, ancorando nelas decisões judiciais.

A Bíblia e a moralidade misógina não são para aqui chamadas.
Mantenham os vossos rosários longe da aplicação da lei. Mantenham os vossos rosários longe dos nossos ovários.

Mexeu com uma, mexeu com todas!

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notícia relacionada: Manifestações no Porto e em Lisboa repudiam acórdão que faz “julgamentos morais machistas”

Comentários

manifestação em Coimbra

Gostaria de saber se em Coimbra haverá alguma manisfestação e onde.
Obrigada

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