[25 de Novembro] Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres

Em mais um 25 de Novembro, as organizações subscritoras convocam todas as pessoas para uma marcha que assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

Não obstante os progressos alcançados nas últimas décadas em matéria dos direitos das mulheres e da prevenção e combate à violência doméstica, persistem, em todo o Mundo e também em Portugal, verdadeiros atentados a esses mesmos direitos.
Independentemente da idade, território de origem, nacionalidade, pertença étnico-cultural, estatuto económico, orientação sexual, género, condição física, mental e /ou sensorial, a experiência individual e coletiva das mulheres face a atos de violência patriarcal, é uma constante. Não há como negá-la!

Não há igualmente como subestimá-la. Uma em cada três mulheres na Europa já foi violentada física ou sexualmente. Tal corresponde a 62 milhões de mulheres. Em Portugal, é uma em cada quatro mulheres, o que corresponde a 1 milhão e 400 mil mulheres.

A violência contra as mulheres é entendida como uma violação de direitos humanos e uma forma de discriminação contra as mulheres. É uma manifestação das relações de poder historicamente desiguais entre mulheres e homens, com uma natureza estrutural baseada na assimetria de género, sendo um dos mecanismos sociais e institucionais através dos quais as mulheres são mantidas numa posição de subordinação em relação aos homens, expondo-as a um maior risco de violência baseada no género.

Na nossa sociedade persiste o escrutínio social sobre as mulheres, raparigas e meninas - policiamento e julgamento da maneira como falamos, como nos comportamos, como nos vestimos; como vivemos a nossa sexualidade; se andamos sozinhas ou à noite na rua; como nos abordam de uma maneira diferente se estamos sozinhas ou acompanhadas por um homem; como nos comportamos nas relações de intimidade; vivemos a maternidade, entre outras.

Esta diferenciação discriminatória, resultado de uma cultura patriarcal é geradora de multifacetadas formas e tipologias de violência contra as mulheres, seja através de micro violências, mais subtis e muitas vezes incorporadas na normatividade social, seja de forma mais alargada e mais facilmente perceptível e reconhecida como tal, quer pelas vítimas, quer por parte da sociedade e do próprio Estado.

Falamos de atentados contra os direitos das mulheres, da sua dignidade, da sua vivência plena enquanto mulheres e cidadãs, de um vasto conjunto de discriminações, expressões misóginas, violentas e traduzidas, nomeadamente, pelo: silenciamento e invisibilização do contributo das Mulheres na História da Humanidade nas suas diferentes áreas, a educação diferenciada e sexista, o falso neutro, a estereotipia de género, a desvalorização do trabalho doméstico, a divisão social do trabalho, a diferenciação salarial, a ambiguidade dos processos de recrutamento e seleção para emprego devido a questões de natureza pessoal/familiar, a falsa paridade, a ainda baixa representatividade das mulheres em cargos de decisão, as formas expressivas ou mais invisíveis de violência física, sexual, psicológica, económica, incluindo ameaças, coerção, privação da liberdade, tanto nos espaços públicos como no espaço privado, e com manifestações diversas como sejam: femicídio, violência nas relações de intimidade, assédio moral e sexual, no local de trabalho, na rua, no meio académico, violação, abusos sexuais, psicológicos, violência de Estado, violência online contra as mulheres, objetivação e sexualização dos corpos das mulheres, raparigas e meninas (também nos meios de comunicação social), em processos de recrutamento e seleção nomeadamente com questões de natureza pessoal / familiar, entre outras.
Por tudo isto continuamos a Marchar!

Somos muitas e não estamos sós. Queremos todas as pessoas comprometidas na luta pela erradicação de todas as formas de violência contra as mulheres.

Contra a violência machista, AGE!

Manifestações já marcadas:

Porto - 15h: da Praça dos Poveiros à Praça da Liberdade;
Leiria - 10h: Largo do Papa;
Coimbra - 15h30: da Praça 8 de Maio à Praça da República.
Lisboa - 16h: do Largo do Intendente até ao Rossio;
Braga-17h : Avenida central
Funchal: dia 24 de novembro, pelas 16h30, no Largo do Município.
Covilhã: das 8h:30 ás 13h-Arcadas do município da Covilhã

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