[29 junho/1 julho e 6/8 julho] Jornadas de saúde mental antiautoritária

Local:
Disgraça - Rua da Penha de França 217B - Lisboa

Entre as tantas formas de domínio às quais os nossos corpos estão sujeitos, o esgotamento físico e emocional das nossas mentes é o mais alarmante e, sobretudo, é aquele que parece estar mais longe de ser solucionado, devido à sua complexidade e aos aspetos da esfera social com que ele está relacionado. As pressões que sofremos para que os nossos corpos se encaixem num modelo de vida "normal e normativo" têm repercussões no estado das nossas saúdes mentais, cujas falhas são-nos premeditadamente apresentadas, cada dia mais, como algo de demasiado complexo para serem solucionadas com as práticas da saúde autogestionada. Em realidade, a saúde da mente não é algo de muito diferente da saúde inerente a outras partes do corpo, sendo que é possível desenvolver estratégias de fortalecimento e defesa já a partir de nós proprixs, sem devermos recorrer aos ditames das ciências autoritárias do sistema de saúde dominante. O Grupo de Saúde Antiautoritária (GO.S.A.) organiza dois fins de semana para repensarmos as práticas para cuidar da nossa saúde mental, a partir de uma perspetiva autogestionada e antiautoritária!

Programa 29 de junho - 1 de julho

29 de junho

20h Jantar de apoio à organização das Jornadas
21h30 Conversa de abertura, aberta e descontraída, sobre a saúde mental e apresentação das Jornadas (dinamizada por GO.S.A.)

30 de junho

14h-17h Oficina de bordados
Esta oficina visa partilhar conhecimentos necessários para a execução de alguns pontos básicos de bordado de forma a valorizar modos de produção manuais enquanto ferramentas de auto-expressão.

17h30-18h30 Pranayama e kirtana (mais info em breve)
Saber respirar pode (e deve) ser uma ferramenta essencial na nossa caixa de primeiros socorros emocionais e mentais. Este workshop, visa compreender este movimento natural que sustenta a vida e que interliga a mente ao corpo (e vice-versa) através da criação de estados emocionais, mentais e bioenergéticos positivos. Já o exercício de "cantar" ou verbalizar certos sons cria uma vibração benéfica para a mente e para o corpo.
Para este workshop, levar: Manta e Colchonete, roupa confortável e meias ( workshop feito descalço )
Entrada livre sem limitação.

19h Apresentação da edição portuguesa do livro "Vamos sair desta. Guia de saúde mental para o meio social da pessoa em crise" (2018), pelo seu autor Javier Erro e por GO.S.A.
"Todas as pessoas têm saúde mental, e esta pode andar melhor, pior, ou numa montanha russa. Durante muitos anos, a ideia de que temos saúde mental foi sendo reduzida aos problemas de saúde mental. Tê-la em consideração somente quando nos causa problemas dá a entender que no resto das circustâncias é um fator a que não devemos prestar atenção e que a saúde mental é, em si, um tema problemático. Isto leva-nos a não saber como reagir quando esses problemas forem muito complexos ou nos parecerem estranhos, esquecendo a capacidade que temos de nos apoiarmos umas à outras e ocultando a nós próprias, também, a realidade de que o sofrimento psíquico é muito mais comum do que cremos (ou até mesmo universal). Assim sendo, o que em primeiro lugar queriamos deixar claro é que não só deve haver uma reação ante os problemas de uma pessoa quando esta já se encontra em crise, como o ideal seria aprender a cuidar umas das outras no nosso dia a dia."

20h30 Jantar de apoio à organização das Jornadas

21h30 Conversa sobre saúde mental nas prisões, por António Pedro Dores e Vera Silva

1 de julho

14h-17h Roda de partilha de experiências
Tempo e espaço de partilha de histórias pessoais no contexto da saúde mental. A escuta e a verbalização, por nos provocarem interiormente, contribuem para a compreensão da dor psíquica, amenizam o sentimento de solidão e podem ajudar a desconstruir preconceitos. As dinâmicas de interação pessoal são essenciais para uma abordagem de saúde mental anti-autoritária e para devolvermos o domínio sobre nós a nós próprixs.

17h30 - 19h Oficina de "Libertação de rotinas mentais", por Carlos
Nesta oficina vou abordar um fenómeno humano que considero ser fundamental compreender para melhor viver: o processo do “encadeamento involuntário” de pensamentos que a natureza do nosso cérebro proporciona. Procurarei criar um espaço de reflexão e compartilha de ideias e experiências, para o qual contribuirei com vários recursos, tais como poemas, vídeos, pinturas, excertos de livros, entre outros. Em consonância com a reflexão crítica sobre a hegemonia das especialidades médicas que operam sobre a nossa sociedade, procurarei não me basear numa única tradição, mas em várias e em ideias e práticas de pessoas e comunidades que poderão parecer não relacionadas. O objetivo deste bocado de vivência é sobretudo prático. Se pretendo dedicar cerca de metade da hora e meia da duração desta oficina à partilha de ideias é com a motivação de estimular novas formas de percepção sobre este assunto, por vezes apresentado de modo demasiado abstracto, anacrónico e/ou através de lugares-comuns que não contribuem para o entusiasmo que o devia animar. Além disso, compartilharemos, de facto, exercícios de relação com o labirinto do pensamento que vão envolver a simples atenção a estímulos auto-gerados, como a respiração, ou a outros gerados externamente como sons e ritmos. Tal como a parte mais “teórica”, o objectivo da parte prática é radicar o espirito do DIY e a investigação e experimentação livre. Para quem não está convencido da importância da reflexão e prática sobre este fenómeno ou, sequer, alerta da sua existência, convido a aparecer, de modo a experimentar o que podem ser técnicas de “Libertação de Rotinas Mentais” e, sobretudo, os seus efeitos benéficos para a ecologia emocional de cada um. À nossa!

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Sexta- 6 Julho

20h- Jantar vegan

21h30 Projeções:

- "Nise: o Coração da loucura" : Ao voltar a trabalhar em um hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro, após sair da prisão, a doutora Nise da Silveira propõe uma nova forma de tratamento aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e lobotomia. Seus colegas de trabalho discordam do seu meio de tratamento e a isolam, restando a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma nova forma de lidar com os pacientes, através do cuidado e da arte.

- Curtas diversas e às avessas

Sábado- 7 Julho

18h- 19h30 Apresentação do Projecto de Escuta Activa, com Sofia e Iva
A ideia base que que a sociedade e a sua medicina convencional são cada vez mais elas mesmas os “locais” doentes, pela forma como recorrem a lógicas fragmentadas, a diagnósticos limitadores e estigmatizantes e à medicamentalização constante, foi o ponto de partida para a materialização deste espaço de partilha - espaço escuta activa -. A medicina (física e mental) do poder, sendo de acesso hegemónico, promove um, cada vez maior, afastamento dos nossxs corpxs e dx conhecimentx dxs mesmxs, enquanto trata a saúde de um ponto de vista burocrático, frio e hospitalocêntrico. A ideia é que a partilha de ferramentas de auto-conhecimento, de autonomia e da criação das próprias narrativas permita que todxs possamxs, a partir dx nossox corpx/mente, reflectir, questionar e agir de modo a que com esta revelação possamos descolonizar-nxs no sentido de uma totalidade autónoma e pessoal. É deste modo que, ao criarmos ferramentas conjuntas, podemos desejar abandonar a ideia de que esta “coisa”, a que chamam doença está “em nós” como materialização de rótulos, mas vem antes, desta sociedade capitalistas e ela sim, doente!
Em 2017 - partindo desta ideia e da de um espaço, não veiculado a nenhuma instituição, totalmente oposto a uma lógica doutoral/top-down e em que o objectivo é a partilha na construção de narrativas alternativas às do poder vigente (seja ele a escola, a sociedade, o trabalho, a medicina, a psiquiatria,…) e às suas formas de imposição de regras - surge o espaço de escuta activa. Este tem vindo a funcionar por meio de contribuição solidária (ou gratuitamente em casos em que nos é apresentada e proposta pela pessoa em causa, esta necessidade) numa sala da união das três freguesias do centro histórico da cidade e em duas associações (ou por Skype, sempre que necessário).

20h Jantar

21h Concerto- Ténue (Galiza)
https://tenuepunx.bandcamp.com/

Domingo- 8 Julho

15h - 16h30 Oficina "A irregularidade do olhar: uma afinação para estar no corpo" com Bernardo

Uma prática de corpo que tem no movimento dos olhos e no tato a ignição para o prazer do movimento. Partindo do movimento de pulsação dentro-fora e do olhar que viaja por texturas no espaço, faremos uma viagem reverberando por todo o corpo deitado no chão. Um olhar que nunca é linear, em distração ativa com fatos simples no estar consigo mesmo.

Traz uma esteira ou uma mantinha para se colocar no chão.

17h - 19h Oficina de arte-terapia com Inês

evento: https://www.facebook.com/events/1917303721894165/

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