ONGs e movimentos sociais reclamam Soberania Alimentar no Dia Mundial da Alimentação

Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, Domingo 16 de Outubro, organizações e movimentos da sociedade civil uniram as suas vozes para exigir Soberania Alimentar na Europa e no mundo. Desde o início desta semana que por toda a Europa se multiplicaram os eventos para chamar a atenção para a urgência de uma nova política europeia e global em matéria de alimentação e agricultura.

A soberania alimentar é a liberdade e capacidade de cada pessoa e cada comunidade de exercer os seus direitos económicos, sociais, culturais e políticos relativos à produção da sua alimentação. Reconhecer o direito à alimentação é também reconhecer o direito à produção de alimentos e ao acesso aos recursos comuns, tais como terra, água e sementes.

A luta pela soberania alimentar é um movimento transformador, lançado em 1996 pela Via Campesina [1], que procura recriar o ideal democrático e regenerar a diversidade dos sistemas alimentares autónomos baseados na equidade, justiça social e sustentabilidade ecológica.

A mobilização a favor de uma alternativa aos actuais sistemas alimentar e agrícola, fortemente dominados pela indústria agro-química, tem como pano de fundo o descontentamento generalizado da sociedade civil com o estado da democracia. Um pouco por todo o mundo as pessoas saem à rua para reclamar o direito à informação transparente e uma participação real nas tomadas de decisão.

Desde a marcha “Right2Know” entre Nova Iorque e Washington para exigir a rotulagem dos organismos geneticamente modificados, passando pela ocupação de Wall Street para denunciar o poder abusivo das grandes corporações e bancos – protesto esse que no dia 15 de Outubro será significativamente amplificado quando em cerca de 1.300 cidades as pessoas se manifestarão para pedir uma democracia real -, até à concentração frente à sede da FAO em Roma para protestar o “land grabbing” e o investimento corporativo, as duas últimas semanas de Outubro prometem não dar tréguas ao poder político e corporativo [2].

Estas mobilizações, aparentemente díspares, convergem no entanto na crítica que fazem ao actual modelo económico, que tem permitido a umas poucas dezenas de grandes multinacionais, com a conivência de governos nacionais e apoiadas por convenções internacionais favoráveis à indústria, de controlar não só os recursos financeiros como os recursos naturais comuns.

Em nenhuma área o controlo da indústria é tão evidente como na alimentação e agricultura. Por esse motivo a Via Campesina afirma que “a Soberania Alimentar não representa apenas uma mudança nos nossos sistemas alimentar e agrícola, mas também o primeiro passo para uma mudança mais profunda nas nossas sociedades” [3].

A partir deste ano, o Dia Mundial da Alimentação deverá ser conhecido como o Dia Mundial da Soberania Alimentar, assinalando o movimento imparável para uma nova governança dos recursos naturais: uma governança que garante o direito à comida apropriada a todos os homens e mulheres, que aproxima os produtores dos consumidores, que respeita os limites da natureza e os conhecimentos tradicionais e locais e que restitui o controlo local de terras, sementes, água e modos de produção de alimentos [4].

Em Portugal, vários colectivos têm vindo a desenvolver uma Campanha pelas Sementes Livres - semear o futuro, colher a diversidade, integrada num movimento europeu e internacional que considera que as sementes não podem ser privatizadas, patenteadas ou apropriadas por ninguém. Mais informações podem ser encontradas em http://sosementes.gaia.org.pt

Notas:

1. La Via Campesina é um movimento internacional de camponeses, agricultores de pequena e média dimensão, camponeses sem terra, agricultoras, povos indígenos e trabalhadores agrícolas de todo o mundo.

2. Algumas das iniciativas a favor da Soberania Alimentar e uma Democracia Real:
* Marcha Right2Know
* Millions Against Monsanto
* Democracia Sai à Rua + 15october.net - united for #globalchange
* No Patents on Seeds
* OccupyWallStreet

3. Comunicado da Via Campesina por ocasião da semana Europeia da Soberania Alimentar

4. O movimento pela Soberania Alimentar: Fórum Nyeleni

Notas adicionais:

A Campanha pelas Sementes Livres é uma iniciativa europeia com núcleos na maioria dos Estados-Membros da União Europeia. Em Portugal a campanha é dinamizada pelo Campo Aberto, GAIA, Movimento Pró-Informação para Cidadania e Ambiente, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus, para além de contar já com várias dezenas de subscritores. A Campanha visa inverter o rumo da agricultura na Europa, onde os modos de produção intensivos se sobrepõem cada vez mais à agricultura tradicional e de pequena escala e onde as variedades agrícolas e as próprias sementes, a base da vida, estão a ser retiradas da esfera comum e entregues nas mãos de multinacionais do agro-negócio.

Em Novembro próximo, a Campanha organiza a SEED SAVERS TOUR, uma digressão pelas sementes livres em Portugal com os permacultores e especialistas em sementes tradicionais Michel e Jude Fanton, da rede australiana Seed Savers. Mais informações no site.

No Land No Food

Comentários

escola abandonada no Bº Padre Cruz

Por acaso não querem ocupar um escola abandonada pela Cãmara de Lisboa no Bairro Padre Cruz em Lisboa que está em identicas condições sem portas, janelas etc e fazer lá umas coisas.Vejam no google art.

recuperar o alimento para os 99%

O monopólio dos alimentos é um dos mais assustarores, tanto pelo "envenenamento" que fazem com os trangenicos como pelo controle que poucos têm sobre a alimentação dos "99%".
Gostaria de compartilhar o site que expõe as situações desta natureza para que pelo menos estejamos acordados para o que está acontecendo, farei o mesmo com as notícias do vosso site.
http://www.anvip2011.blogspot.com/

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