Um grito sincero de liberdade ecoa por toda a Grécia: miséria ou revolução!

Destacamos a notícia http://www.pt.indymedia.org/conteudo/newswire/6675 mas decidimos editá-la de forma a acrescentar-lhe os últimos pormenores.

Os dias 11 e 12 de fevereiro ficam marcados pela mais recente greve geral grega.

Os sindicatos de base, movimentos sociais e outros grupos e indivíduos combativos começaram as mobilizações, em toda a Grécia, na quinta-feira, para bloquear o parlamento no dia 12, de forma a impedir a aprovação de um novo pacote de medidas antissociais, decorrentes das imposições da troika, que ameaçam a sua sobrevivência e os reduziriam a uma escravatura total.

As manifestações foram marcadas por fortes confrontos com as forças repressivas, com profusão de gás lacrimogéneo e coquetéis molotov.

Grupos anarquistas e antiautoritários ocuparam desde quinta-feira a Faculdade de Direito de Atenas como "centro de luta e de contrainformação", enquanto o Ministério da Saúde foi ocupado por trabalhadores do setor.

Outros municípios e edifícios públicos ou corporativos sofreram ocupações por parte dos grevistas em diversas cidades do território grego.

Um grupo fascista foi neutralizado depois de atacar vendedores ambulantes paquistaneses. Dentro das prisões, tanto masculinas como femininas, os protestos foram generalizados.

De Atenas, da Faculdade de Direito ocupada, os revoltosos lançam-nos o repto: deixemos o sistema moribundo morrer! criemos alternativas, autogestão generalizada, solidariedade ativa, revolução social!

No domingo, dia em que se aprovariam os “ajustamentos" exigidos pela troika, a maior manifestação contra os cortes, com mais de 100.000 pessoas acabou em confrontos em Atenas, com a polícia a lançar gases contras as pedras e os coquetéis molotov de milhares de manifestantes que assediavam o parlamento (fotogaleria)

Tudo começou quando o cantor Mikis Theodorakis, um dos convocantes do protesto, pediu à polícia que lhe permitisse subir as escadas do parlamento para se dirigir à população. Nessa altura, os anti distúrbios começaram a lançar gas lacrimogéneo sobre milhares de pessoas concentradas na Praça Sintagma, “sem que houvesse provocação”, de acordo com testemunhos oculares.

Neste ambiente, com metade dos jovens desempregados - 5 anos de recessão - 2 anos de austeridade - protestos e greves sucessivos contra o empobrecimento programado pela troika sem qualquer eco nas escolhas políticas ou económicas do país, grupos de manifestantes pegaram fogo a uma dezena de edifícios nas avenidas Stadiu e Aeolu, incluindo dois cinemas, para além de sedes bancárias e várias lojas de grandes marcas de café.

Entretanto, os Anonymous anunciaram ter atacado vários sites do governo e da polícia gregos.

Actualização Importante 1

Actualização Importante 2

vídeos:
1. http://www.youtube.com/watch?v=rPfNxgxuhRM&feature=player_embedded

2. http://www.youtube.com/watch?v=XzTnRF8vgc8&feature=player_embedded

3. http://www.youtube.com/watch?v=gdRYbMThmN0&feature=player_embedded

4. http://www.youtube.com/watch?v=SzTmoKkiehE&feature=player_embedded

5. http://www.youtube.com/watch?v=Dj11_FyOyE8&feature=player_embedded

Um grito sincero de liberdade ecoa por toda a Grécia: miséria ou revolução!

Comentários

Revolução Social na Grécia

A questão que está colocada na Grécia, como afinal em Portugal e Espanha, é de como a contestação e a revolta se expandem ou não pela sociedade, tornando-se maioritárias. Pois, como sabemos, as minorias não fazem nenhuma Revolução Social. Se os diversos grupos e classes que vão sendo esmagados pelas políticas anti-sociais capitalistas começarem a se integrar numa acção de resistência colectiva tudo pode ser possível, caso contrário estão condenados à submissão e à derrota, pois as ilusões eleitoriais aproximam-se e, mais uma vez, uma parte significativa dos cidadãos vão participar de um jogo criado para os manter na dependência deste sistema.
A Grécia é uma imagem de como se está a dar a luta de classes na Europa no século XXI, demonstrando também a fragilidade da autonomia e autodeterminação das lutas sociais num contexto em que as classes e grupos dominados estão fragmentados, perderam uma cultura profundamente anti-capitalista e a esperança numa alternativa social.
Por tudo isso a única cois que podemos ter a certeza, ao contrário dos que só avistam um cenário de revolução, é de que quase tudo pode acontecer na Grécia. Mas muitas das coisas que podem acontecer: poder populista, golpe militar, caos, não são os cenários que podem agradar a quem deseja o fim do capitalismo e uma radical mudança social...

DEVEMOS DESTRUIR O EXISTENTE

Atenas em direto

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