Comunicado Indymedia

Em função de notícias que colavam o Indymedia português ao ataque ao restaurante Cantinho do Avillez, no Porto, o pt.indymedia.org acha por bem fazer alguns esclarecimentos que ajudem os jornalistas dos meios empresariais a fazerem um trabalho mais baseado em factos e menos em especulações policiais.

O Indymedia não é um “portal anarquista”. É um centro de média que quer ter a porta aberta para todas as pessoas, colectivos, associações,... que pretendam um espaço para divulgar as suas lutas por um mundo mais justo e fraterno. Anarquistas ou não.

O Indymedia não reivindica nada, apesar de poder servir de plataforma de reivindicação: todas as notícias lá colocadas são da responsabilidade de quem as escreve. Em tempos ideais, a publicação é livre e aberta (qualquer pessoa pode publicar o que entender, desde que respeite os critérios editoriais). Neste momento, por dificuldades técnicas, a publicação livre está “fora de serviço”. Em alturas destas, os voluntários deste projecto procuram, eles próprios. informações que consideram relevantes para o seu objectivo. E dão, (como sempre) seguimento aos emails que recebem.

No caso do ataque ao Cantinho do Avillez, no Porto, o Indymedia recebeu um email anónimo com o comunicado de “reivindicação” e fez o que tinha a fazer: publicou-o. Sob o nome “Face Oculta” que quem quiser procurar poderá conferir que é o nome que assina (quase) todas as contribuições noticiosas. Por gozo com pecados antigos dos poderosos mas também para sublinhar o carácter de confidencialidade e anonimato que o Indymedia considera ser fundamental para que os lutadores sociais possam partilhar as suas ideias, experiências, análises e acções.

O Indymedia não sabe, assim, de quem é a autoria desta notícia. Sabe, isso sim, porque foi acompanhando o dia noticioso posterior ao ataque ao Cantinho do Avillez, que não foi o único órgão de comunicação a receber o comunicado. O que faz com que notícias com títulos como “Blogue anarquista reivindica ataque ao restaurante de José Avillez” sejam não só falsos como, de certa forma, injustos para outras plataformas que também receberam o comunicado por email e tomaram uma opção semelhante à nossa: publicá-lo. Uma falsidade que parece manter-se, apesar de já desmentida.

O Indymedia não tem que apoiar, ou deixar de apoiar, o conteúdo das acções que noticia. Todo e qualquer material publicado é da exclusiva responsabilidade da pessoa que tomou a iniciativa de o publicar ou de o enviar para publicação. O CMI Portugal existe com o único propósito de defender a liberdade de expressão, liberdade de informação e para servir o interesse público.

O Indymedia agradece a publicidade mas rejeita a criminalização que lhe vem associada. O nosso papel de local de transmissão de ideias que não cabem nos media tradicionais é um papel de liberdade. E a liberdade não pode ser considerada ilegal. Sob o risco de já não se poder dizer que se vive em democracia.

O jornalismo chamado de referência tem um caminho longo para andar até poder ser legitimamente considerado como tal. É verdade que o Expresso (aparentemente a fonte inicial desta ligação entre o Indymedia e o ataque ao Cantinho do Avillez) nos contactou com algumas questões que poderiam ter dado um rumo diferente ao texto que lançou inicialmente. A verdade também é que somos voluntários e que não estamos em permanência a ver os emails e a responder-lhes. Quando respondemos, já a primeira notícia tinha saído. Ainda verdade é que o Expresso, depois de nos contactar, emendou a mão. No entanto, consideramos que um pouco de pesquisa teria permitido perceber que muitas das coisas escritas eram pouco mais que risíveis.

Por outro lado, quando reparamos que há uma peça jornalística que percebe que o Indymedia é “anarquista” e não percebe que é de publicação livre, temos tendência a achar que os jornalistas perderam mais tempo a informar-se junto da polícia do que a ver realmente os conteúdos do site. O que é provado por essa outra informação de que estamos debaixo do olho policial há alguns anos. Esta ligação acrítica entre a polícia e as redacções, que acaba por transformar os jornais em porta-vozes dos recados e das ameaças das autoridades, também não nos parece saudável em democracia. Até porque permite e potencia confusões entre anti-semitismo (que o Indymedia não publicaria) e anti-sionismo. Duas coisas que – talvez – dê jeito à polícia confundir de forma a poder criminalizá-las por igual, mas cujas diferenças os jornalistas deveriam saber e fazer notar.

Finalmente, e muito mais importante do que as falácias do jornalismo oficial, um abraço especial a todos quantos, de uma forma ou de outra, se mostraram solidários.

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