A greve geral possível, mas não a necessária

Amanhã, 24 de Novembro, uma greve geral sai de um parto difícil exigido pelas ruas e com as burocracias sindicais a resistirem até ao fim! Hoje, como há 100 anos, reclama-se contra a carestia de vida, mas, ao contrário do que aconteceu na emblemática e trágica greve geral de Novembro de 1918, as greves já não reivindicam direitos para os trabalhadores mas a não abolição dos direitos que ainda restam da guerra de classes que o Capital tem vindo a ganhar em toda a linha. Nesta em particular, as baterias estão apontadas para o aumento do IVA em bens essenciais, para o aumento dos transportes públicos, para o corte de 50% nos subsídios de natal deste ano, para o corte total dos subsídios da função pública nos dois próximos anos... Não se exige nada a não ser que o roubo seja parado, num registo que perdoa o que já foi roubado.

Para os trabalhadores que nunca viram subsídio de natal ou de férias algum, que sobrevivem à margem dos sindicatos, sem contrato de trabalho, trabalhadores por conta doutrém e que declaram rendimentos por conta própria e, mesmo para muitos dos que têm o tipo de emprego a que se chamava “seguro”, "greve" é, cada vez mais, uma palavra sem significado exequível. De repente, a dúvida sobre o amanhã, a ameaça de desemprego, estão tão presente entre todos que não há passo que seja dado sem a ter em conta. Urgem formas de integrar os protestos de quem “não pode” fazer greve.

Mas uma greve é uma greve, um dos instrumentos mais antigos e poderosos da classe trabalhadora e esta é apenas a terceira geral neste país a seguir a 1974, a primeira em que, mais do que uma luta de trabalhadores, se espera um adesão de cidadãos empobrecidos, em que os problemas do vizinho passaram a ser os nossos. Pela primeira vez, uma greve contará com o apoio concreto de movimentos sociais, nomeadamente os apelidados de indignados e, ao contrário do que aconteceu há um ano, terá concentrações em todas as capitais de distrito.

Neste contexto, a adesão é uma incógnita, apesar de se saber já, mais ou menos, o que ela significará em termos de vida concreta no dia de amanhã. Mas, independentemente de tudo isso, não será com uma greve que se destronará o governo ou que se conseguirá um novo 25 de Abril que volte a pôr o poder nas mãos de quem o deveria ter em democracia: o povo. Aliás, se a greve for semelhante ao que têm sido greves anteriores, não passará dum ritual domesticado de legitimação dos sindicatos, sendo a grande válvula de segurança do regime, porque contém os protestos em espaços ritualizados. A este respeito, Rui Ramos, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, diz que “se a CGTP não conseguir conter os protestos, isso será um sinal claro que há um descontentamento que transborda e que está para além deste aspecto ritual que as greves gerais costumam representar”.

Galeria
A greve geral possível, mas não a necessária

Comentários

mudou alguma coisa? NÃO!

mudou alguma coisa? NÃO!

Os comunistas querem aumentar

Os comunistas querem aumentar os impostos ao povo para os professores e restantes funcionários públicos andarem a mamar à nossa custa.

Notícias de Coimbra

Análise "desportiva" da coisa...a sociedade do espectáculo!

http://www.pt.indymedia.org/node/add/newswire

Que tal um empate técnico?

sobre detidos...

Curioso...

Informações do Porto, Coimbra, Açores...

Podem fazer o ponto da situação, relatos, etc?

Sobre os sete detidos, solidariedade activa!

http://www.pt.indymedia.org/conteudo/newswire/6122
Podem fazer um relato da situação?

Professores aderem em força à Greve Geral

Professores aderem em força à Greve Geral

A Greve Geral de hoje conta com uma forte adesão dos professores, educadores e investigados portugueses que, em muitos casos, supera os valores verificados há um ano. O número de escolas encerradas é muito elevado o que, inclusivamente, impede que, com rigor, se possa, durante o dia de hoje avançar com uma percentagem de greve. Contudo, das escolas onde é possível ter uma informação correta dos números, conclui-se que a maioria se situa entre os 60% e os 85%. Há exceções, para cima, como para baixo, mas a maioria está naquele intervalo, o que tem um grande significado.
Nas principais cidades de norte a sul, praticamente não há aulas sendo as escolas secundárias as que, claramente, são mais afetadas pela forte adesão de docentes e trabalhadores não docentes.
Também o Ensino Superior regista uma grande adesão à Greve Geral. Praticamente não há aulas e esta é, seguramente, uma das maiores greves de sempre dos professores do ensino superior e investigadores.
Com esta grande adesão, os professores, educadores e investigadores portugueses dão um fortíssimo sinal ao Governo de que não estão dispostos a continuar a ser vítimas das políticas que estão a afectar o país, a roubar remunerações aos trabalhadores e a pôr em causa os serviços públicos.
A continuar esta política, será certo que também a luta irá continuar!

O Secretariado Nacional da FENPROF
24/11/2011

Alguns exemplos (no site de cada Sindicato da FENPROF encontrarão mais dados que, ao longo do dia, serão actualizados):
ESCOLAS ENCERRADAS/SEM AULAS
NORTE
Sec. João Da Silva Correia
EB 2.3 S. João Madeira – Aveiro
EB 2.3 Prof. Dr. Carlos F. Almeida – Aveiro
EB 2.3 Santa Maria da Feira
EB 2.3 AROUCA
EB1/JI Carvalhal, Argoncilhe
EB1/JI Arraial, Sanguedo
SEC. Serafim Feite
EB 2.3 S Joao Madeira
Sec. José Régio
Sec. Rocha Peixoto
Sec. Maia
E.B. 2,3 Cego do Maio
EB 2.3 Rio Tinto nº 2
Sec. Valbom
EB 2.3 do Viso
Sec. Clara de Resende
Sec. Inês de Castro
Sec. Canidelo (Gaia)
EB 2.3 Pontosa (Marco de Canavezes)
EB 2.3 Valença
EB 2.3 Caldas das Taipas – Guimarães
Sec. Júlio Dinis – Ovar
EB 2.3 Sá Couto - Espinho
EB 2.3 Via Caiz - Amarante
EB 2.3 Paranhos – Porto
EB 2.3 Dr. José Domingos Santos – Matosinhos
JI Stª Margarida - Lousada
Agrupamento de Escolas Afonso Henriques – Guimarães

REGIÃO CENTRO
Escola Secundária Homem Cristo
EB 2/3 Castro Matoso, de Oliveirinha
EB 1 de nariz – Oliveirinha
EB 2 de Branca – Albergaria-a-Velha
EB 2/3 Fernando Caldeira
Comissão Executiva do Depart de Ciências Sociais, Políticas e Ordenamento – Universidade de Aveiro – 100%
Pólo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UBI
EB 2.3 Cidade de Castelo Branco
EB 2,3 Paúl
Sec. /3 Frei Heitor Pinto, Covilhã
EBI João Roiz (2.º e 3.º CEB)
EB 1 Penedos Altos
Sec. José Falcão – Coimbra
Sec. D. Duarte – Coimbra
EB 2/3 Martim de Freitas
Secundária D. Dinis
Secundária Oliveira do Hospital
Secundária Jaime Cortesão
Sec. Quinta das Flores
EB 1 Quinta das Flores n.º 38
EB 1 de Sta Cruz
EB 2/3 Amadeu Gaudêncio
Escola Secundária Inês de Castro
ES Eng. Acácio Calazans Duarte – MG
EB1 Carris (Alcobaça)
EB1 Paulo VI (Leiria)
EB2,3 Dr. Correia Mateus (Leiria)
EB1 Martingança (Leiria)
EB 2/3 Nery Capucho
Centro Escolar de Tabuaço
EB 2/3 de Sernancelhe
EB 2/3 de Mortágua
Escola Secundária de Mortágua
Centro Escolar de Mortágua
EB 2/3 de Carregal do Sal
Escola Secundária de Carregal do Sal
EB 2/3 de Silgueiros
EBI de Vouzela
Escola Secundária de Nelas
EBI de Marzovelos
EB 1 de Meridãos Cinfães

GRANDE LISBOA
Sec. Gil Vicente
EB1 Frei Luis de Sousa
EB 2.3 Nuno Gonçalves
EB 2.3 Francisco Arruda
EB 2.3 Pedro Santarém
EB 2.3 Marquesa d’ Alorna
ISEL (1º tempo, 30 aulas nenhuma …)
Sec. Padre António Vieira
Sec. Passos Manuel
EB 1 José Salvado Sampaio – V.F. Xira
A Voz do Operário
Associação Para O Ensino Bento Jesus Caraça
Instituto Educacao Técnica de Seguros
Associação Comunitária Inf Juv Ramada
Centro Popular Infantil - Nascer Sol
Jardim Infantil Tão Balalão
Santa Ana - SCM Oeiras
EB 2.3 Miguel Almeida
EB 2.3 Manuel Fernandes
EB 2.3 Constância
EB 2.3 Tramagal
EB 2.3 Samora Correira
EB 2.3 Armando Ligardo – Coruche
EB 2.3 José Pagarro – Cartaxo
Sec. Solano Abreu
EB 2.3 João Fernandes Prates
EB 2.3 Augusto Louro – Seixal
EB 2.3 Nun´Álvares – Seixal
Sec. José Afonso – Seixal
EB I Elias Garcia – Seixal
EB 2.3 Paulo da Gama, Amora - Seixal
EB 2.3 Santiago do Cacém
EB 2.3 Santo André
EB 2.3 Bocage – Setubal
Sec. D. Manuel Martins – Setúbal
Se. Luisa de Freitas – Setúbal
Sec. Manuel da Fonseca – Setúbal
EB 2.3 Luisa Todi – Setúbal
Sec. Belavista – Setúbal
Sec. de Palmela
AIPICA (todos os estabelecimentos)
Creche - Serv Sociais Trab Autarq Seixal
Externato Santa Joana
EB Bairro Arneiros
EB A Da Delgada
EB Baracais
E B Dr Afonso Rodrigues Pereira
EB Encosta do Sol
EB Padre Vitor Melicias
EB Peniche N 5
EB Santo Onofre
EB Secundaria Cadaval
Sec. Peniche
Sec. Raul Proença
Jardim Infacia Casal Celao
JI A Da Delgada
JI Arelho

ZONA SUL
EB 2.3 Santa Maria
EB 2.3 Mário Beirão
EB 2.3 Saboia
Sec. D. Manuel I
EB 2.3 Alcoutim
EB I Pias
EB I Amareleja
EB1 Arraiolos
EB 2.3 Vidigueira
EB 2.3 Viana do Alentejo
EB 2.3 André de Resende
EB 2.3 André Gouveia
Se. Reguengos
Sec. Olhão
Se. João de Deus
EB 2.3 Joaquim Magalhães
EB 2.3 Neves Júnior
Sec. da Sé
EB 2.2 Montenegro
EB 2.3 Severino de Faria
EB 1 Porta Nova, Tavira
EB Dr. Francisco Cabrita – Albufeira
EB D. Martin Fernandes – Albufeira
EBI /JI de Gavião
EB1 da Comenda, Gavião
JI de Monforte
Agrupamento de Arronches - EB Nossa Senhora da Luz

MADEIRA
Faial (1º CEB - Santana)
Rochão (1º CEB – Camacha
Lombada (1º CEB – Funchal
Clemente Tavares (1º CEB - Santa Cruz)
Curral das Freiras (2º/3º CEB - Câmara de Lobos)
Snoopy (Pré - Funchal)
Quinta dos Janotas (Pré - Funchal)
Externato São Francisco de Sales (Pré - Santa Cruz)
Colégio do Marítimo (1º CEB - Funchal)
Estrelinhas VIP (Santa Cruz)

REGIÃO AÇORES
Sec. Jerónimo E. Andrade
Sec. Vitorino Nemésio
EBI Angra do Heroísmo
S. João de Deus
Altares
Raminho
Porto Martins
Porto Judeu

ENSINO SUPERIOR
Faculdade Ciências Sociais Humanas Univer, Nova – encerrada
Comissão Executiva do Depart de Ciências Sociais, Políticas e Ordenamento – Universidade de Aveiro – 100%
Pólo da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UBI – encerrada
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto – 80%
Faculdade de Letras da Universidade do Porto – 85%
Universidade do Minho – 80%
Fonte: FENPROF

A revolta surda, os polícias-cães e os cães polícias

Que dizer mais desta greve geral?
Dizer que cerca de dez mil pessoas percorreram as ruas de Lisboa, contra o fascismo financeiro internacional e os seus agentes nacionais...dizer talvez que a revolta é cada vez menos subterrânea, chegou à flor da pele...
Dizer que agentes da polícia à paisana, infiltrados no meio da multidão eram de muitas dezenas, isso ficou visível em frente da Assembleia da República, quando rodearam manifestantes "mais acalorados" e os prenderam, algemando-os e entregando-os aos não "paisanos"...
Dizer que os cães voltaram às manifestações, tal como no fascismo dos anos setenta, que mais uma vez não se distinguem os polícias "cães" dos cães "polícias"...
Dizer da detenção de alguns piquetes de greve da CGTP, o que é curioso, quando se sabe que muitas vezes são eles que fazem esse "papel", impedindo pessoas e grupos de manifestantes de "integrarem " as manifestações "deles", ou denunciando pessoas à polícia, como aconteceu na preparação da manifestação anti-Nato em Novembro do ano passado...
A revolta surda nota-se pelos cartazes...num deles, encontrado depois no chão, depois de o terem retirado da faixada da Caixa G.Depósitos, Lisboa, junto ao Bairro Alto, l uma mulher com uma faca em punho...legenda: " todos temos armas!"...
Vários petardos, muitas garrafas de vidro pelo ar, garrafas de água, com água atirados à polícia, em frente da Assembleia, cocktails molotov (dois segundo os media corporativos) em duas Repartições de Finanças, quebrando os vidros, Tinta atirada contra outra...
A polícia usou de violência, atingiu até um jornalista da RTP, que ficou ferido ligeiramente, com os óculos partidos,
muitas bastonadas, sete detidos/as por "paisanos"...
Os cães "polícias" não ladraram e os polícias "cães" tampouco mugiram...a revolta ainda é surda.

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