No Hopenhaga

Os governos mundiais vão reunir em Copenhaga e preparam-se para lançar aos olhos das pessoas mais um monte de patranha como foi o Protocolo de Quioto. É o “diz que faço mas não faço” para poder continuar a ficar bem na fotografia e o “mesmo que faça não deixo de fazer o que tenho feito” para que tudo continue na mesma.

Na verdade, ninguém nas esferas mais altas do poder quer salvar o planeta e a esmagadora maioria das políticas ambientais servem ou para piorar ou para camuflar o problema. Serve ainda para a descoberta de um novo mercado: o verde. Experimentem ver quantos anúncios hoje na publicidade contemporânea vendem os seus produtos a partir de camuflagens ecológicas. Depois da geração light chegou a geração eco. A avaliar pela obesidade das novas gerações imagina-se o verde que o planeta vai estar nas gerações vindouras.

De todas as propostas para dar “sustentabilidade” à relação entre o mercado e a gula, a que me pareceu mais criminosa é a que prevê a criação de quotas de poluição de modo a que o direito a fazer lixo se possa comprar e vender como se fossem bananas ou títulos em bolsa. Para lá do crime que é manter um terço da população subnutrida, é verdadeiramente imoral ir aos seus países comprar o direito a poluir o que fazemos com a matéria-prima oriunda dos seus solos, para a transformar em “coisas e comércio” que nunca chegarão sequer a ser consumidas no local e pelas pessoas que foram saqueadas.

Poluir mais devagarinho ou mais discretamente só resolve a consciência de alguma gente bem-intencionada mas mal-esclarecida e a mais-valia dos dominantes de turno. Não é possível resolver o problema da vida, que é da vida que esses senhores vão falar em Copenhaga, mantendo os paradigmas dominantes. O do lucro sobre as pessoas e o da matéria-prima sobre o planeta.

Não há capitalismo verde nem sobrará verde ao capitalismo.

A escolha é entre os dois.

Renato Teixeira

http://5dias.net/2009/12/05/no-hopenhaga/

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