A violência da polícia

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Sobre o que se passou ontem no fim da manifestação que encerrou o dia de greve, os factos são conhecidos e as imagens ainda mais.

Foi longuíssima a discussão pela noite dentro (refiro-me ao Facebook) e ainda dura. Podia escrever ecrãs sobre a mesma, mas vou tentar ser breve.

1. Não sei quem são as poucas dezenas de pessoas (20, 30, não interessa) que, durante horas, atiraram pedras à polícia. Não sei se havia ou não infiltrados, há quem jure que sim, mas passo à frente deste ponto (que sei não ser despiciente). O que pergunto é por que misteriosa razão (ou talvez não) aquela barreira de agentes militarizados, e todos os outros que estavam por perto, não receberam ordem para rodear essa pequena frente de manifestantes para a impedir de continuar. Tinha sido muito fácil e não pode ter acontecido por acaso.

2. O que se passou a seguir – invasão de todo o espaço à bastonada, provocando dezenas de feridos, e perseguições em muitos outros locais da cidade – foi de uma violência absolutamente desproporcionada que, escandalosamente, não vi nem comentadores, nem responsáveis políticos, condenarem veementemente durante todo o serão televisivo. Na melhor das hipóteses, assobiaram para o lado. E este foi o saldo mais grave da noite de ontem. Porque o que se impõe é travar, pelo protesto individual e colectivo, esta ascensão superiormente planeada da violência policial, agora mais clara do que nunca.

3. Incidentes deste tipo existem na Grécia, em Espanha, e não só, numa escala muito maior, e era mais do que garantido que cá chegariam. Ou continuamos a achar que somos diferentes? Há que aprender a viver com eles, em vez de chorar sobre o leite derramado, e compreender que eles são, cada vez mais, a ponta de um icebergue de fúria que vai crescendo na população portuguesa – não tenhamos ilusões. Estou com isto a dizer que bato palmas a quem ontem atirou pedras? Não, de modo algum. A «fúria» que refiro não se exprime desejavelmente à pedrada. Mas existe.

4. Àqueles que consideram que o que se passou vai diminuir a força das manifestações e inibir muitos mais de vir para a rua, por medo, digo, por um lado, que olhem para os outros países (não é isso que está a acontecer) e, por outro, que não menosprezem assim tanto os portugueses. Certamente que não esperavam que tudo se passasse, sempre, com meninas bonitas a abraçarem polícias... Isso não vai acontecer.

P.S. 1 – Propositadamente, não falei de outro ponto absolutamente fundamental: as prisões e o modo como terão ocorrido. Fica para mais tarde.

P.S. 2 - Ler: Vítor Belanciano, Eles não aprendem nada

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