Um resumo da manif da greve geral

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Este resumo foi feito porque tanto nos media como nos blogues nao se deu relevancia a coisas importantes.

A manifestação que partiu às 13h e tal do Cais do Sodré contava com algumas centenas de pessoas, às quais se foram juntando outras no caminho entre o Cais e o Rossio. Apesar do número inicialmente estar aquém do esperado, a manifestação partiu animada ao som de tambores, petardos e cânticos variados. Apenas 10 minutos depois de ter começado, chegando à Praça do Comércio, alguns “profissionais da (des)ordem” pertencentes às Esquadras de Investigação Criminal da PSP, vulgo, paisanos ou infiltrados (porque imiscuídos numa manifestação com o propósito não de se manifestarem mas de controlarem quem o estava a fazer), tiveram a brilhante ideia de avançar e deter um manifestante na traseira da manif. A reacção imediata e espontânea dos outros manifestantes foi envolverem-se de forma a impedir o rapto de um dos que estava ali a seu lado, expulsando os paisanos (cerca de 15 nesse momento), apoiados por uma EIR que recuou devido à solidariedade entre os manifestantes. Toda a manifestação impediu a detenção, é importante sublinhar isto. Depois dessa profissional intervencao policial houve um senhor que teve um ataque cardiaco que necessitou de intervencao medica no local, estranho como não tenha aparecido no Correio da Manha!
A coisa continuou até ao Rossio, onde parou por momentos e depois seguiu na cauda da manifestação da CGTP. Ao entrar na Rua do Carmo, gritava-se em uníssono o já famoso “Passos, escuta, és um filho da puta” e o clássico, mas sempre bonito, “O povo unido jamais será vencido”, amplificado pela acústica do local. Estes gritos eram ilustrados por faixas penduradas no momento em edifícios da zona e por diversos actos de sabotagem: ajustes de contas com os bancos (pintadas e caixas multibanco incendiadas), parquímetros danificados e um petardo lançado para uma igreja, como quem afirma “fia-te na virgem e não corras”. Foi o paraíso na terra: estes acontecimentos mereceram fortes aplausos e o riso geral. A manifestação continuava animada e combativa, agora já contando com largos milhares de pessoas.
Ao descer a Calçada do Combro viram-se dois bófias no terraço da EMEL, aparição que despoletou um geral e alegre “SALTA! SALTA!”. Uma maneira diferente de dizer “juntem-se a nós”; como se vê, o povo está com os polícias.
Chegada à Assembleia, a manifestação encheu o manifestódromo. Depois, o líder da CGTP deu o seu sermão enquanto o seu serviço de ordem estava alinhado frente às grades que protegiam a escadaria. Por alguma razão que desconhecemos estes camaradas estavam voltados para os manifestantes e não para o parlamento.
Para não ser acusada do crime de interrupção de serviço religioso, uma grande massa de manifestantes aguardou pelo fim dos discursos, e consequente debandada das cúpulas da CGTP, antes de deitar as grades abaixo. Pelo menos umas 150 pessoas (ao que parece não havia espaço para mais) levaram alegremente uma série de grades dali para fora. O que se seguiu é sobejamente conhecido: uma hora de apedrejamento contínuo do Corpo de Intervenção, intervalado pelo lançamento de tinta, lixo, petardos e outros mimos. Sempre ao som de aplausos, risos e palavras de ordem.
Vários escudos da PSP tiveram de ser trocados por se partirem, um foi expropriado e pintado com a palavra “povo” e um ou outro agentes também tiveram de ser substituídos devido a ferimentos ou calças molhadas. No meio houve espaço para momentos mais cómicos, como o tal senhor que andava com um saco a “vender” pedras a 1 euro quando estas pareciam estar a escassear ou os gritos de “enquanto não abre a caça ao coelho faz-se tiro ao boneco”. Também se ouviu “vingança”, talvez porque muita gente não se esqueça da violência exercida diariamente pelo sistema, nos mais variados contextos.
A seguir, “o aviso”. Um bófia no topo da escadaria, bem enquadrado nas câmaras de televisão mas bem longe da visão e audição dos manifestantes, disse ao megafone que teriam 5 minutos para parar, senão haveria carga. E assim foi. Em 15 segundos uma carga policial limpou, de facto, aquele largo. Admiramo-nos como não houve mortos ou feridos mais graves: a vaga de dispersão, como agora lhe chamam, deixou dezenas de pessoas com a cabeça partida e empurrou uma enorme multidão para um fosso de 2 metros de altura que rodeia o largo da Assembleia. Tal como fazem nos estádios, mas desta vez à vista de toda a gente.
À medida que a multidão escoava como podia pelas ruas que ligam àquele buraco, começaram em toda a parte a surgir barricadas. Primeiro para travar o avanço daqueles assassinos, depois para ocupação da rua. Por onde quer que se passasse havia grupos de gente no meio dos cruzamentos, agora já sem se saber se eram manifestantes ou transeuntes ou habitantes ou outra coisa qualquer... agora estavam todos ali, a proteger as barricadas que ardiam, a encontrar amigos, a tratar os feridos e a rirem-se com desconhecidos. A normal fuga quando se vê um grupo de polícias a avançar foi substituída pela descontraída “eh pessoal, são só 4!”; a fuga mudou de lado. Em cada ponto de um perímetro de talvez 300 metros em redor da Assembleia as ruas deixaram de pertencer à circulação de transportes e mercadoria e foram reapropriadas para a presença de pessoas. Pelo meio algumas montras de bancos partidas. O avanço da PSP não parava as pessoas. Ali, Lisboa foi livre.
Mais tarde, seguiram-se várias horas de tiros de balas de borracha, espancamentos, check-points e perseguições por toda a Lisboa, com identificações em massa e a detenção de mais de cem pessoas. Tal como de outras vezes, o acesso a um telefonema ou a um advogado foi-lhes recusado.
O retorno à normalidade tem sempre um gosto amargo... mas, como se ouvia por ali, “isto é só o início”.

Comentários

O justo correctivo da ira

O justo correctivo da ira popular... como se dizia noutro tempo.

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