Despejados de Santa Filomena passam mais uma noite na rua

Após várias horas dentro do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana , em Lisboa, os cerca de 20 moradores do bairro de Santa Filomena, na Amadora, despejados esta segunda-feira pela PSP, não obtiveram qualquer resposta às suas exigências. A maioria passou mais uma noite na rua e foi essa mesma mensagem que deixou ao presidente do IHRU, num Livro de Reclamação, já passavam das 20 horas.

Nuno Miguel Ropio (http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=289920...)

Ao JN, Isabel Lopes, uma moradora, admitiu que apenas conta com um casaco para se cobrir do frio, já que o despejo das autoridades ocorreu ao início da manhã, em horário de trabalho.

"A nossa casa foi demolida sem que tivéssemos oportunidade de tirar nada. Nem a minha medicação, nem nada. Sou uma pessoa doente. Desde ontem que estou a dormir na rua. As minhas coisas estão na Câmara. Sou uma trabalhadora. Respeito o Estado e o Estado não me respeitou a mim. Um animal está em melhores condições que eu (chora). Sou uma trabalhadora. Desconto para o Estado", lamentou, ao lado do marido.

Em pior cenário está Cristina Coelho, de 35 anos e mãe solteira. Foram dois dos três filhos (tem um menino de dois anos e meio e outros dois de 16 e 14 anos) que lhe ligaram para o emprego, informando-a que as máquinas estavam a destruir a pobre habitação. "Às nove da manhã o meu filho ligou para mim. Que estavam a dormir, quando chegou a Polícia e um fiscal da Câmara. Que os mandou vestir. E que depois ficaram (as crianças) na rua, porque a casa ia abaixo", contou, esta noite.

"A Segurança Social perguntou se o meu filho tinha fome mas eu recusei comida. Eu não quero comida, eu quero uma casa para morar. Para o comer, eu trabalho", apontou Cristina Coelho, que tem um salário de 321 euros.

A Câmara da Amadora informou que a demolição do bairro ilegal de Santa Filomena continuará, depois de ter derrubado com uma retroescavadora as seis habitações, onde viviam 22 pessoas, entre elas 11 crianças e alguns idosos - uma idosa sofreu um AVC enquanto era tirada pela PSP, que montou um cordão policial para impedir o acesso dos moradores ao bairro.

Há vários anos que muitos moradores exigem à Câmara uma resposta de habitação social. Mas a autarquia invoca que nenhum destes casos integram os agregados familiares inscritos em 1993 no Programa Especial de Realojamento (PER) - desenvolvido em parceria com o IHRU. Aliás, o município optou por não construir mais nenhum bairro social e começou por adquirir imóveis no mercado livre imobiliário, por onde pulveriza todos os que têm carência de habitação social

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