Nobel à UE

O mundo começou, para mim, em guerra; nunca vi a paz com os meus olhos; vi acordos a serem desrespeitados, outros forçados; desconheço se as quebras no negócio do armamento se fazem ao sabor da crise; se os nobéis da paz são justos e não propagandeados.

Hoje, o nobel da paz foi atribuído à União Europeia, e eu tentei visualizar nas minhas memórias factos que me levem a justificar a entrega deste
galardão à instituição europeia. Na minha consciência não encontro razões para que a UE mereça a mais alta distinção ao serviço da paz no mundo. Ela procura mediar o conflito israelo-palestiniano, sem solução ou acordo à vista, não pressiona nem promove pacotes de sanções contra o estado de Israel pela constante violação dos direitos humanos nos territórios palestinianos.

A UE como instituição esconde-se nos seus estados membros para patrocinar a democracia instalada pela via militar, no Afeganistão e no Iraque foram vários os países que apoiaram a invasão norte-americana, esconde-se do apoio dado a terroristas na Líbia e na Síria, apelidando-os de lutadores pela liberdade. Ou seja, no mínimo a união europeia é responsável por mortes de cidadãos inocentes e indefesos. As empresas da bandeira europeia continuam a construir e a encher depósitos de armas, a vender aviões militares e outros produtos altamente tecnológicos que permitam um melhor desempenho em cenários de guerra a governantes que torturam, enjaulam, humilham a oposição que encontram nos seus territórios. Que eu saiba a UE não ajudou nem desempenhou um papel de relevo na procura da independência do povo de Timor-Leste, aliás evitou comprometer-se na situação, já que os amigos EUA eram o maior fornecedor do general Suharto.

A única solução de “sucesso” foi a ex-Juguslávia, mas resolver o problema que instigou é apenas a sua obrigação e o Tribunal Penal Internacional é usado quando convém. Hoje, as ex repúblicas juguslavas entregaram as suas riquezas a corporações sedentas de lucro e abandonaram o erário público, pressionadas a pagar as dívidas com que financiaram a guerra. A Juguslávia entrou em colapso, quando os juros com que se financiava nos mercados financeiros aumentaram abruptamente e o país foi obrigado a pedir ajuda ao FMI e ao Banco Mundial, e o resultado prático para a economia foi semelhante ao que acontece actualmente em Portugal, embora com a miséria e a pobreza mais acentuada do que a nossa. Embora maquiavélico, o plano europeu (alemão) consistia na divisão do vasto território juguslavo, a fome e a miséria foram o terreno próprio para espalhar uma mensagem de superioridade étnica. Quando a barriga fica vazia e não temos que comer a realidade turva-se diante de nós, e assim croatas e etc. acreditaram que o inimigo era o povo sérvio, cujo objectivo consistia em exterminar croatas, eslovenos, bósnios, kosovares, etc. A guerra levou à ocupação que passados quase 15 anos ainda não acabou, visto que a Bósnia ainda tem forças de manutenção da paz no seu território, igual ao Kosovo, ocupado pelo exército norte-americano.

Nem no seu interior a UE promove a paz, ela crê que os desempregados são vítimas das suas incapacidades, abandona os milhões que saem à rua para reclamar os direitos que agora são retirados. É um exemplo de como usar cassetetes, gás lacrimogénio na população que clama as injustiças de que são alvos. Ela é uma organização anti-democrática, as únicas eleições europeias, servem para eleger os deputados para o Parlamento Europeu, orgão que é meramente consultivo. As politicas europeias são decididas nas catacumbas dos edifícios escondidos dos olhos dos cidadãos comuns, sujeitas à pressão lobista e adoptadas sem consulta popular.

Ainda não me lembrei dos esforços da união pela paz no mundo, mas vi a facilidade dos barcos militares e pesqueiros europeus a abandonarem no Mar Mediterrâneo indivíduos à deriva que julgam que a Europa é a casa de uma vida melhor. É neste mar do sul da Europa que todos os anos centenas de homens, mulheres, crianças jazem em busca do el dorado porque apesar da riqueza natural dos seus países de origem, a tecnologia europeia que lá chega ou são armas que os subjugam às ditaduras ou o petróleo derramado nas águas que envenena tudo e todos ou o sangue que as minas obrigam a derramar para um qualquer rico europeu ter uma pedra ao pescoço.

Se a UE fosse pela paz e pela segurança, obrigava as suas empresas a cancelar contractos com países que não cumpram a carta dos direitos homem, penalizando com penas efectivas de prisão quem promova directa ou indirectamente conflitos armados, desastres ecológicos, exploração de seres humanos, lixeiras electrónicas, etc.

Começo a ficar estranho com esta minha falta de memória. Não consigo acreditar que a UE não merece este prémio, estou contra tudo e a minha mente não trabalha bem. Será que a UE humanitária quando calha é o melhor caminho e eu não consigo ver esse facto.

Paz e lembrei-me do Obama, e não me esqueço dos drones que caçam o inimigo fundamentalista, a prisão por fechar, a tortura americana por acabar e os tambores da guerra a rufar rumo a mais um território cheio de petróleo.

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