Vítor Gonçalves lavou as mãos perante a administração da RTP

por Carlos Tomás

Quando foi chamado à presença de Alberto da Ponte, o adjunto de Nuno Santos, garantiu-lhe que não tinha nada a ver com o assunto. Mas foi ele quem com...
binou com a PSP.

Foi o director-adjunto de informação, Vitor Gonçalves quem ordenou à produtora de informação da RTP, Ana Pitas, para receber os polícias (das informações), garantiu esta semana a “o Crime” uma fonte da Informação da RTP. Depois, Gonçalves ausentou-se para uma reunião num dos pisos da estação publica onde haviam de estar diversos directores da estação, designadamente o de recursos humanos e Luis Marinho, entre outros. Também terá sido ele quem mandou a produtora pedir as imagens ao Arquivo da RTP, marcou a hora da ida dos polícias à RTP e, mais tarde, guardou os DVD’s mostrados aos dois elementos do Núcleo de Informações do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. As imagens foram visualizadas pelos agentes, por Ana Pitas e por uma jornalista no gabinete do subdirector, Luís Castro, que também se ausentou para uma reunião naquele dia 15 de Novembro.

> Na administração
Quando foi chamado ao gabinte do presidente da administração da RTP, Alberto da Ponte, o director-adjunto Vítor Gonçalves terá sido peremptório em garantir que não tinha nada a ver com o assunto e que não sabia de nada, revelaram as nossas fontes. Altura em que o administrador lhe disse que a relação estava ferida...

Ana Pitas, que foi quem recebeu o primeiro telefonema da PSP a pedir autorização para mandar uma equipa à RTP e depois acompanhou todo o processo, também conseguiu passar “pelos intervalos da chuva” de toda esta polémica. Quem também tem assobiado para o lado é a própria PSP, que ainda não explicou – nem ninguém pediu que explicasse -, os imperiosos motivos que a levam a querer as imagens da RTP.

> Virgens
Ao longo dos anos, em muitas outras situações semelhantes (p.e. manifestações publicas, jogos de futebol, actuação de claques e outros), a PSP pediu imagens à RTP, da mesma forma. Informalmente. E elas foram cedidas sem que haja notícia de ter havido qualquer tipo de contestação. O caso muda de figura se alguma das pessoas a quem foi pedido que gravasse as imagens que iriam ser visualizadas pela PSP, se viu a ele próprio no coração dos protestos mais violentos, junto à Assembleia da República no dia 14 de Novembro. E a razão de tal incómodo o tenha levado a denunciar o que se estava a passar à Comissão de Trabalhadores, explicou esta semana a “o Crime” uma fonte da RTP.

> Saneado
Nuno Santos, que se apresentou na passada quarta-feira na Comissão Parlamentar de Ética, começou por dizer aos deputados que foi vítima de “um caso de saneamento político, travestido de uma decisão de gestão”, classificando este processo como um “golpe de mão”.

“É evidente que eu era uma pessoa não grata para o governo em funções”, disse, acrescentando que, por exemplo, o “caso da licenciatura do ministro Miguel Relvas (denunciado pelo jornal “o Crime” em primeira mão) foi seguido com grande incómodo no Governo”.

O ex-director de informação da RTP foi mais longe, acrescentando que nos últimos meses sentiu “um desconforto crescente em alguns sectores do Governo pela forma como a RTP tratava certas matérias”, o que mereceu a condenação da deputada Francisca Almeida, do PSD que considera aquelas “acusações gravíssimas”. “Não foi apontado um único facto. Não existiu nada que justifique este tipo de declaração”, afirmou à margem da audição.

Nuno Santos voltou a dizer que “em nenhum momento” deu autorização, “nem expressa nem velada, para o visionamento das imagens e muito menos para fazer cópias em DVD”.

Na passada terça-feira os deputados já tinham ouvido o presidente do conselho de administração da RTP, Alberto da Ponte, que negou no parlamento ter recebido quaisquer instruções do Governo sobre o caso e recusou liminarmente que haja “conspiração” alguma contra o ex-director de Informação Nuno Santos.

Na audição de duas horas, Alberto da Ponte deixou diversas perguntas por responder, designadamente, sobre onde e com quem é que a PSP viu as imagens em bruto dos incidentes.

> Sem resposta
1 – Porque motivo o papel desempenhado em todo o processo por Vítor Gonçalves não está descrito do relatório de 20 páginas da comissão de inquérito?
2 – Porque razão o PSD e o CDS não quiseram ouvir o director-geral de Conteúdos, Luís Marinho, tal como sugeriu o PS?
3 – Se não queria “os brutos”, afinal que imagens queria a PSP, se todos sabemos que até uma criança sabe gravar um programa de televisão?
4 – Porque motivo a PSP só pediu imagens à SIC e à TVI depopis de rebentar o escândalo na RTP?
5 – Porque é que os deputados não chamam os responsáveis da PSP?
6 – Qual o objectivo de Alberto da Ponte em tirar o director-geral de Conteúdos, Luís Marinho, das bocas do mundo e fazer de conta que o director-adjunto de Informação, Vítor Gonçalves, não existiu no processo?
7 - Porque motivo não foi aberto qualquer processo disciplinar, se foram apurados os responsáveis?

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