pode não ser flor que cheire mas falou verdade - Artur Baptista da Silva

Nos últimos dias tem-se assistido a uma maciça difusão de notícias na Comunicação Social sobre Artur Baptista da Silva, o economista que concedeu há dias entrevistas ao Expresso e à SIC sobre a situação económica em Portugal. O que ele fez e o que não fez e foi já chamado de tudo desde burlão a cadastrado.

Curiosamente nem uma palavra sobre as suas ideias, sobre o que foi dito, sobre o que foi enunciado. Sobre o que ele disse o silêncio é total. É um daqueles silêncios ensurdecedores que costumam acontecer depois de serem ditas as verdades incómodas. E ele falou verdade. E falou verdade de uma forma que incomodou profundamente as elites do pensamento único português.

Que disse Artur Baptista da Silva que incomodou tanto os bens pensantes de Portugal. Disse que 41% da Divida Pública Portuguesa resulta dos projectos financiados pelos Fundos Estruturais da União Europeia. Que esses projectos foram sugeridos, aprovados e feitos com o aval de Bruxelas. E que portanto foi deliberada essa política ruinosa de dar 80% de cofinanciamento a um pobre, neste caso Portugal, sugerindo que ele se endivide para ir buscar os restantes 20% junto do mesmo credor para ficar irremediavelmente preso a um divida que nunca conseguirá pagar. É esta a verdade incomoda de que ninguém quer falar.

Tirado daqui:
http://comunidade.sol.pt/blogs/contramestre/default.aspx

Falou também de como a Alemanha resolveu o problema do seu BPN no caso o Hyppo Bank com juros baixíssimos e condições favoráveis ao invés do que se passa por cá com o nosso BPN que está a ser pago com língua de palmo por todos os portugueses.

Na verdade temos mais auto-estradas que os alemães mas estamos na maior das pobrezas. Vemos os melhores e mais jovens a partir do país, vemos os mais velhos a trabalhar quando deviam estar a usufruir da reforma, vemos uma imensidão de desempregados e de pobres a esmolarem comida nos Bancos Alimentares. Vemos o património nacional a ser vendido para pagar os juros da divida. A TAP, a ANA, a Cp Carga os CTT em fila à espera de serem leiloadas ao desbarato.

Artur Baptista da Silva pôs o dedo na ferida, explicou como a União Europeia nos arruinou e nos quer agora prender à divida. Explicou como a receita que está a ser usada agora aqui nem é nova e já foi aplicada na América Latina e na Ásia com resultados económicos devastadores. É destas verdades que os políticos e fazedores de opinião da Comunicação Social não querem nem ouvir falar.

Como as notícias não são boas é sempre mais fácil matar o mensageiro. Até porque um dia os portugueses podem perceber isto tudo, deixarem de acreditar na ladainha que viveram acima das suas possibilidades e pedirem contas a quem meteu Portugal neste buraco.

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