Administradores de fábrica de Amares “desertaram” e trabalhadores pedem suspensão de contratos

Os cerca de 45 trabalhadores da Radal – Indústria de Frigoríficos, em Amares, Braga, avançaram com o pedido de suspensão dos contratos, depois de os administradores terem “desertado”, deixando vários meses de salários por pagar, disse nesta quinta-feira à Lusa fonte sindical.

Segundo Amélia Lopes, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústrias Transformadores, Energia e Actividades do Ambiente do Norte (SITE Norte), a empresa ainda não pagou o subsídio de Natal e os salários de Novembro e Dezembro.

Os trabalhadores são ainda credores de 80% do subsídio de férias e de 50% do salário de Outubro.

“No meu caso, estamos a falar de cerca de 3750 euros, uma situação que se torna muito complicada, porque a minha mulher está desempregada e tenho uma filha a estudar”, afirmou Manuel Barbosa, 47 anos de idade e 25 de casa na Radal.

Perante os salários em atraso, os trabalhadores decidiram suspender a laboração, a 11 de Janeiro, cumprindo desde então o horário laboral “de braços cruzados, à espera de notícias da administração”.

“O problema é que a administração desertou, ninguém lhes põe a vista em cima”, criticou Amélia Lopes, do sindicato.

Na terça-feira, os trabalhadores avançaram com os pedidos de suspensão dos contratos de trabalho.

“Dizem que é a crise, que não há dinheiro para matéria prima, mas se é isso então que avancem com os despedimentos ou peçam a insolvência, resolvendo de uma vez o problema dos trabalhadores. Agora, manter esta situação e este silêncio, é que não”, acrescentou a sindicalista.

Criada em 1987, a Radal – Indústria de Frigoríficos dedica-se ao fabrico de equipamento industrial para refrigeração e ventilação.

“Trabalho nunca faltou, mas há alguns meses os problemas começaram a aparecer, desde que a gerência mudou”, garantiu Amélia Lopes.

A Lusa tentou ouvir a administração da Radal, mas sem sucesso.

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