Fontinha: crónicas de uma democracia em fim de festa

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Obras em Santa Catarina, logo à direita do fim da rampa da Escola Normal, protegidas e por polícia de trânsito. Em frente, cerca de uma dezena de varredores da CMP, quem sabe se os únicos a saírem para limpezas numa manhã com tal invernia. Ou talvez não fossem varredores verdadeiros, mas isso já é teoria da conspiração. Mais acima, na entrada para a Fontinha, uma carrinha das que transporta aqules senhores que têm esqueletos externos e uma apetência especial pelo uso de bastões. No Bonjardim, um carro da PSP. No alto da Fontinha, um da Polícia Municipal (PM). No fundo da rua da Fábrica Social, mais uma vez sem carros, como nos dias dos despejos, uma espécie de BD real com Dupond, Dupond et Dupond, todos de sobretudo gravata e guarda-chuva. Talvez estivessem para garantir que ninguém estacionava. Dentro do edifício o escol da PSP do Porto, se calhar estou errado e afinal é só da PM, mas, aqui, as coisas confundem-se e tudo o que sei é que são as mesmas caras dos despejos e do 25 de Abril de 2012. Ao subir a rua, uma vizinha informou-nos que a coisa estava mais calma, mas que, de manhãzinha, tinha sido um pandemónio de polícia de choque para cima e para baixo.

Subimos a rua, reparámos que o espaço do pátio, que tantas vezes nos parecera exíguo, alberga uma quantidade considerável de automóveis daqueles que até ocupam bastante. Carros de escol, claro está, seja este da CMP, da PSP, ou da PM. Subimos mais um pouco, descemos de novo, convencidos que as liberdades que temos nos permitem circular à nossa vontade, andando e parando quando quisermos, pelas ruas da cidade. E parados estávamos quando os polícias que tinham ficado abrigados no carro da PM se começaram a aproximar, com o famoso colete verde a esconder o eventual dístico de identificação que diziam que traziam na fatiota azul que também vestiam, e nos mandaram sair dali.

Porquê? Há alguma ordem de tribunal que nos impeça de estar em frente ao número 17 desta rua? Alguma coisa que nos faça correr algum perigo? Não precisávamos de muito, apenas uma explicação. Então, não se pode parar aqui... OK, já percebemos. Mas queríamos só saber porquê, se não for muito incómodo. As explicações foram dadas ao empurrão, que a gente declinou os abraços. Ainda argumentámos que a rua é coisa pública, mas logo fomos elucidados de que não é bem assim, aliás, não deve ser nada assim, se se tiver em conta a certeza com que um dos agentes afirmou que a rua é da polícia. Não está entre aspas, como é digno de qualquer citação, e está mal. Cá vai, então, da forma devida: “ a rua é da polícia”.

E empurraram-nos senhores fardados e também senhores por fardar mas que são da polícia que até estavam dispostos a ir à carteira mostrar a identificação, mas só depois de empurrar a malta e aqui há gente que gosta de processos limpos e, claro, não pode ser, empurras, mas mostras a identificação antes. Nem identificação nem empurrão sem farda, pelo menos desse senhor, que, depois, apareceu outro, já mais estilo Dupond, se bem que em registo mais enxuto que os anteriores, a empurrar também, apesar de se dizer da Segurança Social. Não estaria a cumprir a sua função, se calhar nem função tem, apenas terá o órgão, mas isso é má língua minha e, para já, basta a má língua desse Dupond menos nutrido. Não estaria a cumprir o seu trabalho, aliás acabou por se declarar desempregado quando disse que estar ali era sinal de que não trabalhávamos. Referia-se a nós, claro, sem cuidar de perceber que se incluía. Quando alertado, calou-se.

Como entraram, em segredo e à socapa, os carros saíram. Talvez mais apressados, sem cuidado com o declive que lhes fazia a frente bater no chão. Aproveitando a abertura, tentámos entrar. Fomos impedidos. Fecharam-nos o portão na cara. Mas então isto não é uma cena pública de atendimento? Não alberga, por exemplo, a APAV? Não podemos ir lá ver se estes empurrões e as vozes ásperas dos agentes, fardados e não fardados, configuram uma situação em que a nossa posição nos permita sermos apoiados por essa associação? Pois... Não sei bem porquê, mas disseram-me para fechar o portão, disse-nos uma senhora das que já lá trabalha.

O Rio veio à Fontinha em visita. Com medo, mandou um contingente policial à frente, que, quando reparou que não era caso para tantos cuidados, retirou em parte, deixando, ainda assim, uma forte presença. Veio dizer que este era o projecto social que esteve na sua mente desde sempre. Não sei se “o projecto” inclui impedir cidadãos de entrar nas instalações que se dizem de atendimento público. Da mesma forma, não sei se este “desde sempre” quer dizer 26 de Abril de 2012 ou se quer dizer 2006, altura em que este mesmo Rio abandonou a antiga escola do Alto da Fontinha e a deixou entregue, aí sim, ao vandalismo. Porque, depois, os “roubos” e as “vandalizações” que ocorreram durante o tempo das obras, já terão sido, tão e só, resistência.

Aparentemente, o edifício passará a albergar algumas associações da cidade. Ouvimos os nomes do Espaço T e da APAV, mas outras associações haverá. Não se sabe se alberga serviços camarários, mas sabe-se que se considera pertença da CMP, só de olhar para a plaquinha que está na entrada (e que diz Centro de Recursos Sociais do Porto). Sabe-se que a remodelação terá custado 200 mil euros (ou seja foi 200 mil euros mais cara do que a reabilitação do Es.Col.A) e que esses 200 mil euros acabam por favorecer essas associações, já dotadas de sede própria. Também se sabe que associações de carácter social deviam ter outro tipo de consciência antes de se deixarem embalar pelo canto da sereia. Terem recusado aceitar um espaço na antiga Es.Col.A era o mínimo exigível. Digo eu, não sei.

Isto não começou em Abril de 2011 nem acabou hoje.

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