Brasil: O SEMI-ÁRIDO será coisa do passado?

Brasil: O SEMI-ÁRIDO será coisa do passado?

O Semi-Árido brasileiro é um dos maiores, mais populosos e também mais úmidos do mundo. Estende-se por 964.589,4 Km2, abrangendo o norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, os sertões da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí. Vivem nessa região mais de 18 milhões de pessoas, sendo 8 milhões na área rural. A precipitação pluviométrica é de 750 milímetros anuais, em média. Em condições normais, chove mais de 1.000 milímetros. Na pior das secas, chove pelo menos 200 milímetros, o suficiente para dar água de qualidade a uma família de cinco pessoas por um ano.

Mas a chuva é mal distribuída física e temporalmente. Devido às características climáticas e de solo da região, o Nordeste possui um dos maiores índices de evaporação do Brasil, o que torna reservatórios de água pouco profundos inúteis em épocas de seca. Além disso, a água dos barreiros e açudes, baixadas onde se acumula a chuva, é geralmente poluída e cheia de vermes. Essa água é responsável por grande parte das doenças do sertão: amebíase, diarréia, tifo, cólera.

Já se tem tentado as mais variadas soluções para o terrível problema da sêca e da escassez de água na região, destacando-se o projeto de construção de um milhão (1.000.000) de cisternas, e a polêmica transposição do Rio São Francisco.

Dados já um tanto antigos falam da construção executada de 300.000 das cisternas idealizadas pelas populações. Quanto à transposição do São Francisco, são tais os custos, as queixas de apropriação muito minoritária dos resultados e as ameaças ambientais suscitadas, que nisso não nos deteremos.

A solução que propomos é, a um só tempo, muito mais simples, profunda e duradoura, especialmente se considerarmos que a comunidade científica alinha a região entre aquelas propensas à desertificação, no planeta.

Trata-se da solução proposta e implementada em http://www.youtube.com/watch?v=dvv85bE_7HY (traduzir), documentando em imagens, belos sucessos alcançados em plena Caatinga.

Fundamentalmente apoiamo-nos na policultura ou multicultura, contrariando de início e de partida a tendência fordista, de produção em série e monocultural, que tornou-se "tradicional", demanda a importação de insumos vários e caros, contribuindo ainda para a acelerada evaporação da umidade e para o empobrecimento da vida.

São os SAFRA, Sistemas Agroflorestais Regenerativos Análogos, desenvolvidos no Brasil pelo suiço Ernst Götsch, que inspiram-se na sucessão natural das espécies.

Na percepção, adquirida em observações multi-milenares e nos melhores livros da ciência biológica, da ciência botânica e da ciência zoológica, de que as espécies vegetais, animais e os microorganismos se organizam em consórcios que se sucedem uns aos outros, trabalhando sempre no sentido da complexificação da fauna e da flora viventes em uma determinada área, enriquecendo e fortalecendo paulatinamente o ambiente, para que este possa dar sustentação a formas de vida a cada vez mais desenvolvidas e de maior porte.

Neste processo verdadeiramente poético, mais que científico, em que os consórcios de espécies se sucedem construindo um ambiente cada vez mais rico e variado, cada planta, cada animal, cada micro-organismo tem o seu papel contributivo, cabendo ao homem, pela primeira vez na história, abandonar o seu triste rol protagônico de mesquinho algóz da natureza e da vida e de passar a assumir criativamente a coordenção deste processo de construção.

Só ele está apto a fazê-lo. Só ele pode reparar danos aos bancos genéticos locais de modos que a natureza entregue a ela própria já não poderia.

O suíço propõe então, organiza e constrói, dentro deste processo de sucessão natural das espécies, em perfeita harmonia com ele, enriquecendo-o com inumeráveis contribuições e dele extraindo a abundância e a prosperidade, a implementação dos SAFRA.

Você leitor amigo, amiga leitora, poderá constatar no vídeo mencionado a inesgotável variedade de espécies e a altíssima produtividade que podem assim ser alcançadas.

Ao longo do processo vai desaparecendo a necessidade de introdução dos clássicos insumos da agricultura fordista: o sistema vivo passa ele mesmo a produzir os nutrientes necessários, prescindindo de adubação; todas as sementes e mudas podem passar a ser obtidas localmente; não são requisitados os defensivos, as pragas são controladas pela multiplicidade das espécies que coevoluem; não há monocultura; há trabalho, atividade, colheita, plantio e manejo durante todo o ano.

Já em "Botânica Geral" do brilhante e mundialmente celebrado alemão Wilhelm Nultsch, além de uma extraodinária variedade de informação e de conhecimento, encontramos uma enorme quantidade de substâncias naturais e mediante rápidas consultas à Internet, constatamos que muitas delas integram sofisticados processos industriais, contando, por isso mesmo, com alto valor comercial.

A proposta de Ernst Götsch, irretocavelmente fundamentada e experimentada de uma perspectiva técnico-científica, amplia ao infinito as possibilidades de minhas propostas de industrialização dos bolsões de pequenos agricultores, como aqueles que, aos milhões, lutam pela vida na dura realidade do Semi-árido brasileiro e que exporei aqui oportunamente, para que este não fique muito extenso (mais em industriaeagricultura.blogspot.com).

Entretanto, o foco deste nosso artigo é a recuperação pluviométrica e hídrica do Semi-árido, que é o resultado direto da implementação dos SAFRA: à medida que se complexifica a vida vegetal, animal e microorgânica, além da abundância e do trabalho, obtem-se mais e maiores chuvas e mais retenção da umidade, no solo e dentro da vegetação.

Dilma Roussef trabalha na perspectiva de colocar Ernst Götsch em contato com as centenas de movimentos sociais que, sob a sigla ASA deram origem ao projeto das cisternas, para que milhões de agricultores tenham acesso à metodologia SAFRA, ao apoio das universidades e demais instituições pertinentes ao caso, e aos modestos meios materiais indispensáveis à sua implementação.

À medida que os sucessos que você vê no vídeo já citado, vão se multiplicando, vai aumentando o número de agricultores aderentes e se espalhando a "grande mancha verde".

Neste passo, o semi-árido brasileiro precisará mudar de nome, mais tardar em 12 anos.

Galeria
Dilma RoussefErnst GötschÉ grande o irmão que nos espiona?

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