Grécia: chamamento anarquista à greve geral de 20 de fevereiro (amanhã)

Frente ao ataque frontal do Estado e do patronato temos que opor as nossas lutas combativas, emancipadas e organizadas de uma forma horizontal.

A crise sistémica do capitalismo é algo que põe em claro o seu carácter antisocial real. Os pretextos e as aparências foram deixadas de lado e o Poder começou um ataque brutal contra as camadas oprimidas e exploradas da sociedade, tendo como objectivo final conduzir-nos a um estado de indigência ainda pior e aumentar a diferença social e de classe entre os poderosos e os explorados. A transformação do sistema de Poder num regime de totalitarismo moderno durante os últimos anos reflecte-se nos ataques sem precedentes que o Estado começou a realizar. A expulsão de vários espaços ocupados, as mobilizações forçadas de grevistas, como força de reprimir as greves, as torturas cruéis de lutadores com um claro objectivo de “exemplificar” e de intimidar, as agressões assassinas estatais e paraestatais contra imigrantes, são fenómenos que fazem parte da ofensiva total do Estado e do patronato. É um ataque contra toda a sociedade. E é a própria sociedade e a classe dos oprimidos que têm que repelir este ataque, através da organização na base, do aprofundamento e da ampliação das resistências sociais e a criação de uma sociedade de solidariedade, igualdade e liberdade.

A ofensiva dos patrões dirige-se com uma intensidade particular, ao mundo dos trabalhadores e dos desempregados. O Regime está a impor a indigência à sociedade através dos cortes salariais, da abolição dos convénios colectivos, da ilegalização das lutas de classe, do ataque que elas recebem por parte dos meios de desinformação massivos, a falta de satisfação das necessidades sociais básicas, a exclusão de grandes sectores da sociedade do acesso a elas e o aumento de casos de chantagem nos despedimentos com o pretexto do desemprego. Face a esta situação os oprimidos não podem ter ilusões. As promessas de regresso a um estado anterior dadas pela Esquerda têm como requisitos a abdicação, a mediação institucional e o negociar com os patrões. Funcionam objectivamente de uma maneira apaziguadora para a raiva social acumulada e constituem uma barreira para a construção de um movimento social e operário emancipado e organizado a partir de baixo, cujo objectivo será a abolição da exploração do homem pelo homem.

A greve geral de 20 de fevereiro, convocada pela direcção, vendida ao patronato, da Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos, é uma greve de apenas um dia, acerca da qual não temos ilusões. Não é o resultado de um escalonamento das lutas da classe operária e de resistências coordenadas. Durante o período anterior as lutas operárias chegaram a um ponto morto, devido às características que lhes foram impostas pelas lógicas da burocracia do sindicalismo alimentado pelo Estado. Estas características nunca permitiram que as lutas operárias secundárias se conectassem e juntassem, mas sim conduziram-nas à exclusão e à derrota.

Numa conjuntura em que a ofensiva do Estado e do Capital se faz duma maneira total e coordenada, os operários têm permanecido distantes entre si, não tomaram os sindicatos nas suas mãos e viram as lutas que desencadearam serem encabeçadas pelos chefes sindicais.

Opondo-nos a esta situação, a 20 de fevereiro devemos sair todos à rua. Para nos opormos tanto ao Estado, como ao Capital e aos chefes sindicais. Porque de cada vez que os oprimidos e os explorados caminham juntos é sempre uma grande oportunidade. Uma oportunidade para arruinar os seus planos. A nossa presença massiva e combativa na rua pode contribuir para que a raiva se expresse e pode dar vida à luta e perspectiva às resistências emancipadas e organizadas de um modo horizontal. Porque cada luta que tem em si a esperança, mesmo que mínima, de tomar formas mais completas, tem que ser reforçada.

Contra a submissão, a escravidão e a miséria social que estão a ser promovidas a única alernativa consiste em organizar as nossas vidas longe de qualquer tipo de hierarquias, instituições e mediação

Contra ataque social e de classe, por uma sociedade livre e auto-organizada.

Revolução social pelo comunismo e pela anarquia.

Assembleia de anarquistas pela auto-organização social.

http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/02/19/grecia-chamamen...

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