O cinema, é o caminho?

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O cinema, é o caminho?

O mundo do cinema, tanto no que diz respeito à sua produção, quanto no que tange à sua distribuição e exibição, está mudando aceleradamente, em função da entrada em cena de uma poderosa e variada gama de novas tecnologias.

A televisão via cabos, a televisão via satélites, os filmes "baixados" pela banda-larga, os cd-rom, os dvd e o extraordinário poderio da indústria cinematográfica dos EUA são os principais agentes desta mudança, no referente à distribuição e à exibição.

Na produção cinematográfica propriamente dita, a convergência das ferramentas digitais e computacionais com as tecnologias convencionais, determina uma verdadeira explosão de novas possibilidades criativas.

Assim, qualquer aproximação propositiva ao tema da indústria cinematográfica, mais que cautelosa, precisa ser muito bem estruturada e consistente, além de carregar em si uma grande capacidade de ajuste e de aperfeiçoamento.

É também por este motivo que entendo essencial a criação de uma Empresa Brasileira de Cinema, capaz de supervisionar o desenvolvimento do cinema nacional, contribuir para a melhoria da distribuição interna dos filmes nacionais, apoiar ao BNDS com estudos de viabilidade financeira das obras cinematográficas e aos produtores, diretores e artistas com a adequada divulgação dos lançamentos.

As seguradoras também precisam participar deste esforço, emprestando primeiro o máximo rigor aos estudos mencionados de viabilidade financeira e depois de modo a que fiquem protegidos os recursos do BNDS, cobrindo assim a diferença entre custos de produção e resultados de bilheteria, em casos de desempenho negativo.

Esta proposta Empresa Brasileira de Cinema, precisa contar com um corpo técnico para subsidiar as decisões de caráter estratégico que o cinema nacional e o Brasil, a respeito deste último, precisarão tomar.

Exemplificando: a estrutura brasileira de exibição, intensamente concentrada no centros de compras do país, ao sabor de um igualmente intenso processo de concentração de rendas que assolou nosso país nas últimas décadas, at[e 2003, e especialmente desenhada pelos interesses e para o conforto da indústria cinematográfica norte-americana, contando com pouco mais de 2090 salas que exibem um cinema caro e inacessível à multidão, evidentemente não serve a um projeto de desenvolvimento da indústria e de afirmação da nacionalidade.

Vamos lá: com uma população perto dos 190.000.000 milhões de pessoas e apenas pouco mais de 2.000 salas de exibição, temos no Brasil um público potencial e hipotético de 95.000 pessoas para cada uma destas salas.

Nos EUA, com quase 300.000.000 de habitantes, há cerca de 20.000 salas de exibição, com 15.000 pessoas para cada uma delas.

Em Portugal, com cerca de 10.000.000 de habitantes, há pouco mais de 500 salas de exibição, o que nos dá média de 20.000 pessoas para cada sala.

Precisamos (precisaríamos?) construir 7.500 salas para alcançarmos o padrão lusitano.

Sabemos que, ao contrário, no momento e segundo dados do Minc que voce pode verificar aqui(industriaeagricultura.blogspot.com), a rede de salas está encolhendo, no Brasil, muito provavelmente em função justamente de ferramentas como as televisões mencionadas, os computadores e os DVD.

Sete mil e quinhentas (7500) salas custariam (custarão?) R$ 2.250.000.000, o que não é absolutamente uma soma descabida, ponderados os números do orçamento da União, os inúmeros benefícios alcançados (faturamento, empregos, afirmação cultural, independência) e a rapidez com que a indústria cinematográfica costuma recuperar os investimentos feitos.

Entretanto, que critérios nortearão a implantação destas salas? É preciso levar o cinema nacional a todos os brasileiros, fazendo-o todavia com viabilidade financeira e com lucratividade.

Será esta das salas a melhor alternativa para fazê-lo?

São mais de 5.000 os municípios brasileiros. Cada um destes deveria contar com uma sala? Deveríamos implementar critérios híbridos?

Cada uma destas salas empregará 11 pessoas, o que é fabuloso do ponto de vista social e econômico, porém há cabimento em implantar salas que não possam absorver os próprios custos?

Na dúvida quanto à viabilidade de uma nova sala, faz mais sentido investir em produção de cinema, onde a cada milhão de reais investidos se conta com 160 novos empregos, remunerados quase ao dobro da média nacional.

Contudo, se estes novos filmes produzidos não contarem com a divulgação e a distribuição adequadas, os números tão alvissareiros expostos no parágrafo anterior forçosamente decrescerão.

A verdade é que um grande número de brasileiros já assiste mesmo a filmes "baixados" da internet, também gravados em cd-rom ou ainda em dvd e o faz por motivos econômicos, de comodidade, de inexistência de salas de exibição e até de insatisfação com a programação ofertada.

Meios digitais de leitura ótica, como os DVD e os CD-ROM, utilizados aos milhares e aos milhões de cópias na industrialização de filmes brasileiros, chegarão a custos na casa dos centavos, que propiciarão lucratividade milionária se adequadamente divulgados e distribuídos.

Veja bem a amiga leitora, o amigo leitor: são 36.000.000 os brasileiros conectados à internet e que por isso mesmo já assistiram a clips, vídeos e muitos deles a filmes propriamente ditos, diretamente na tela de seus computadores.

Não tenho estatísticas sobre a quantidade de aparelhos de DVD em funcionamento no país, porém, você leitor tem alguma dúvida sobre a ordem de grandeza envolvida?

Aliás, as vendas destes aparelhos multiplicar-se-ão ainda mais, a partir da implementação desta proposta.

O que estou demonstrando a você é que o mercado potencial configurado pela soma dos aparelhos de DVD e os computadores pessoais ligados à internet é enormemente superior à quantidade de poltronas ofertadas pela rede de salas de exibição em funcionamento em nosso país, que não totaliza 700.000 assentos.

Produzidas aos milhões, a custo unitário de centavos, distribuídas para todo o país pela Empresa Brasileira de Cinema e comercializadas por legiões destes heróicos batalhadores das ruas chamados de Camelôs, estas cópias serão o maior desestímulo à pirataria, reforçarão a renda e a dignidade deste micro-comerciantes, levarão o cinema nacional à multidão incontável dos brasileiros e das brasileiras e, vendidos a preços populares, farão da indústria cinematográfica brasileira um setor bilionário e capaz de cumprir seu papel estratégico de consolidar uma identidade nacional democrática e plural e de comprometer a população com um bem discutido e bem fundamentado projeto de nação.

Cabe registrar aqui que a idéia decorre de bem-sucedidas experiências levadas a efeito na Nigéria, em Gana e no Pará brasileiro, ficando sua originalidade circunscrita à iniciativa de propor uma empresa de economia mista, sob o controle do estado brasileiro, integrando também outros acionistas vários, para organizar, coordenar e dar consistência técnica ao projeto.

A Empresa Brasileira de Cinema será capaz de decidir com segurança onde pode e deve ser implantada uma nova sala de cinema. De verificar a viabilidade financeira de um determinado projeto fílmico, de modo a zerar ou minimizar o risco do BNDS na concessão de empréstimos com perfil adequado aos rítimos e prazos da produção e da recuperação de investimentos da indústria cinematográfica brasileira, como também de promover a divulgação adequada a cada novo lançamento, de modo a ampliar as chances de seu sucesso comercial.

Mais do que tudo, a Empresa Brasileira de Cinema precisará ser capaz de conduzir em paralelo criativo e reciprocamente fecundante estas duas linhas de distribuição e de exibição aqui esboçadas e propostas, de modo a garantir o melhor aproveitamento de cada centavo investido na indústria cinematográfica, alcançando os melhores resultados em geração de oportunidades de trabalho, de florescimento da inteligência e da identidade nacionais e de lucratividade.

Se houvesse um índice para medir-se o grau de soberania, autonomia e independência de uma nação, o desenvolvimento da indústria cinematográfica local teria neste, certamente, um grande peso.

Não nos esqueçamos ainda de que, "perdendo" apenas para a indústria de armamentos, a indústria cinematográfica dos EUA fatura mais de 200 bilhões de dólares ao ano e é grandemente responsável pela excepcional influência que aquela nação alcança junto às demais.

Dilma Roussef estuda o caso no contexto da nova política industrial brasileira.

Galeria
Cinema no contexto da nova política industrial

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