Quem manda no teu orçamento?

Kai Stukenbrock: não esqueça este nome. Muito poucos são os portugueses que o conhecem, não foi motivo de discussão na campanha eleitoral e não foi chamado a pronunciar-se nos últimos debates parlamentares sobre finanças públicas, mas a verdade é que este economista alemão já está a ser decisivo na construção do Orçamento do Estado do próximo ano e prepara-se para ser um dos rostos mais importantes na evolução da crise orçamental que Portugal terá de enfrentar nos próximos anos.

Kai Stukenbrock é o técnico responsável pela análise de Portugal na agência de notação financeira internacional Standard & Poor"s (S&P). Foi ele que assinou o relatório que lançou um novo aviso aos mercados sobre a situação difícil das finanças públicas portuguesas e será ele que vai decidir, durante as próximas semanas, se a classificação de risco de crédito atribuída a Portugal vai piorar ou ficar inalterada.

Ter um rating "A+" ou passar para um simples "A" pode parecer à primeira vista insignificante, mas para o Estado português pode representar o agravamento em vários milhões de euros dos juros que tem de suportar quando pede um empréstimo nos mercados. Ou seja, o simples facto de uma agência como a S&P pensar que a situação das finanças públicas está a piorar tem o efeito imediato de agravar ainda mais a despesa do Estado, tornando ainda mais difícil a resolução do problema.

É por isso que, quando prepara a nova proposta de OE e decide qual o aumento salarial que vai oferecer aos funcionários públicos, Teixeira dos Santos não consegue deixar de levar em conta aquilo que Kai Stukenbrock pensa. O Governo, que até aqui garantia que a consolidação orçamental apenas aconteceria quando o principal objectivo, a retoma da economia, fosse conseguido, parece agora reconhecer que tem uma outra preocupação: aquilo que as agências de rating, as mesmas que foram incapazes de detectar a acumulação de lixo e instituições financeiras tóxicas, pensam e dizem.

E o que Kai Stukenbrock diz é que "Seria importante para nós que o Governo não só conseguisse travar já a subida do rácio da dívida pública, como também apresentar uma clara perspectiva de vir a reduzi-lo outra vez no futuro".

As agências de rating defendem que a melhor forma de um país como Portugal conduzir a sua política orçamental é reduzindo o mais possível o défice público, cortando em todo o tipo de despesas e, se necessário, aumentando impostos. Para garantir o crescimento económico, são recomendadas reformas estruturais que vão no sentido de uma redução do peso do Estado, uma maior liberalização dos mercados e uma flexibilização da legislação laboral, exaqctamente a política que, leve e seguramente, nos trouxe até à crise actual.

Texto feito a partir de notícia do publico.pt

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jiang

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