RTP quer limitar liberdade dos jornalistas nas redes sociais

O director de informação da televisão pública, José Alberto Carvalho, divulgou na semana passada aos jornalistas da RTP um conjunto de recomendações sobre a participação em redes sociais.

“Nada do que fazemos no Twitter, Facebook ou Blogues (seja em posts originais ou em comentários a posts de outrem) deve colocar em causa a imparcialidade que nos é devida e reconhecida enquanto jornalista”; “deverão deixar em branco a secção de perfil de Facebook ou outros equivalentes, sobre as preferências políticas”; “ter particular atenção aos "amigos" do Facebook e ponderar que também através deste dado, se pode inferir sobre a imparcialidade ou não de um jornalista sobre determinadas áreas” – são algumas passagens do e-mail enviado aos jornalistas.

Ao DN, o director de informação disse que "a mediasfera não é uma arena de liberdade absoluta, é preciso ter bom senso". Uma tentativa de condicionar a vida privada e a liberdade de expressão que tem sido saudada por jornalistas e políticos.

O Sindicato dos Jornalistas, por seu lado, já respondeu em comunicado: José Alberto Carvalho “jamais pode invadir a esfera privada dos jornalistas ao seu serviço nem questionar a plena fruição da liberdade de expressão das pessoas enquanto cidadãos.” O sindicato recorda que “a liberdade de expressão em Portugal constitui uma conquista de várias gerações de jornalistas e outros criadores, que se bateram e sofreram por ela”.

Esta iniciativa segue outras semelhantes, como a do New York Times, do Washington Post, da Reuters ou da BBC. Os jornalistas, cada vez mais condicionados no jornalismo que fazem dia-a-dia, para as grandes empresas de fabrico e venda de notícias, vêem-se agora condicionados na sua liberdade individual fora do local de trabalho.

Imparcialidade vs honestidade

O director da RTP quer que os jornalistas escondam a sua orientação política até na sua esfera privada. Tudo em nome dos valores do jornalismo tradicional, da obsessão pela “objectividade”, “isenção” e “imparcialidade”.
Mas falando em nome dessa objectividade e imparcialidade, os grandes media foram desde sempre os porta-vozes da classe dominante e promotores do modelo capitalista

De resto, estes valores são há muito questionados, por exemplo pela corrente do Jornalismo Cívico. Deve-se ser imparcial, por exemplo, em relação à violação de direitos humanos, à luta de um povo pela sua auto-determinação, ou algo que afecta directamente a comunidade em que o jornalista está inserido?

São, pois, cada vez mais os exemplos que desafiam esta lógica. O recém lançado Indymedia português não esconde os seus pressupostos (“rejeitar todas as formas de discriminação e dominação”, “defender e promover uma sociedade livre e libertada”) e prefere promover e valorizar a honestidade de quem relata. “Nós fazemos saber que somos subjectivos”, lê-se na política editorial.

Comunicado do Sindicato dos Jornalistas:
http://www.jornalistas.eu/noticia.asp?id=7717&idCanal=572

Notícia no DN:
http://dn.sapo.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=1431795&seccao=Tele...

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