[Portugal] Professores em luta: Síntese da situação laboral e condições de trabalho
Uma luta de resistência começou em 2008, contra a divisão da carreira de professor, que queriam escandalosamente hierárquica, para explorarem melhor os professores, contra um modelo de avaliação absurdo, contra a gestão autoritária e clientelar das escolas, contra a infestação burocrática do ensino, por uma escola inclusiva, sem discriminações, com meios materiais e humanos, que promova o sucesso de todos e todas, e que não seja engolida pelas políticas neoliberais que dela querem fazer um negócio ou um simples instrumento do mercado capitalista.
Começam a existir professores com salários em atraso, pois o Estado privatizou parte do currículo, entregando-o às Câmaras Municipais que por sua vez contratam empresas que por sua vez contratam professores ganhando uma miséria, no país em que um em cada cinco trabalhadores não tem contrato de trabalho. A precariedade atinge em cheio os professores. Tudo isto quando milhares deles ficam de fora dos concursos nacionais. Resta-lhes o desemprego, ou a precariedade das Actividades de Enriquecimento Curricular, ou a precariedade nas empresas de explicações, cujo florescimento só mostra que a escola não tem todos os recursos humanos necessários ao sucesso de todos os alunos.
Aumentaram muito o horário de trabalho, aumentaram a idade da reforma, congelaram, há anos, os salários. Os mais jovens ficaram quase sem os direitos adquiridos com muita luta depois do fim da ditadura, em 1974, com o 25 de Abril. Cem mil professores nas ruas, quase metade do que existem em Portugal, depois mais duas grandes manifestações nacionais com a volta de setenta mil, desobediência civil de metade dos professores das escolas públicas contra a entrega dos "chamados objetivos" que era uma maneira indirecta de os obrigar a obter resultados fictícios na avaliação dos alunos, aceitando uma prática de competitividade selvagem entre professores para obter uma classificação, por cotas, de excelente ou muito bom que lhe permitisse subir mais depressa na carreira.
Salienta-se aqui o papel decisivo do aparecimento de cinco movimentos cívicos de professores, dois deles pela defesa da escola pública, pressionando os sindicatos, depois destes terem assinado um "protocolo" com o governo. Então os professores foram para a rua, ultrapassando os sindicatos, e conseguiram que estes, para não serem completamente ultrapassados, recuassem na sua estratégia de submissão.
Em 2009 a resistência continuou, apesar do ataque feroz à autonomia das escolas e da subserviência dos directores dos agrupamentos. Por fim as eleições, ao retirarem a maioria absoluta ao PS, levaram o PSD, numa atitude demagógica grosseira, a
"encabeçar" a pseudo solidariedade com os professoresnão demorando muito tempo a cozinhar uma "acordo" com o governo, no sentido da traição absoluta às nossas reinvidicações.
Que fique a lição para quem tivesse dúvidas...só a autonomia, solidariedade, entre-ajuda, apoio-mútuo e acção directa, permite o recuo das políticas ultraliberais, nos ataques aos professores, em particular.
Novo governo, nova ministra, a mesma política, máscara hipócrita. É neste contexto
que actualmente a Fenprof resiste, pressionada pelos professores atentos que estão.
Só com ela se pode contar em 2010...e com os professores, com a acção conjunta com os movimentos de professores.
A LUTA CONTINUA!
Emília Cerqueira
Commenting on this Publicação aberta is closed.


Comentários
A luta continua em Janeiro
Fenprof recusa assinar acordo com Ministério da Educação
A Fenprof não aceita que os professores classificados com ‘Bom’ não possam atingir o topo da carreira devido à restrição do número de vagas e recusa assinar qualquer acordo com o Ministério da Educação enquanto esta situação se mantiver. O Ministério da Educação revelou que ia refazer a sua proposta e apresentá-la aos sindicatos na quinta-feira dia 31.
http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=8&t=Fenprof-recusa-a...
Avaliação Simplex gera protestos até ao último dia
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1458307
Não chegaram a acordo no dia 31.
A luta continua...