[Lisboa] Fascistas na FCSH

(novas informações sobre a notícia dada aqui)

ALERTA: Hoje à noite, dia 7 de março, pelas 19h e as 20h, elementos exteriores ao corpo estudantil da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, suspeitando-se serem membros do PNR, JNR, e skinheads, fizeram um ajuntamento em frente ao espaço da AEFCSH de modo a intimidar os seus membros. Agora já sabemos de onde vêm as tentativas condenáveis de criar um “ambiente de medo e repressão”.

COMUNICADO: Sobre o Cancelamento do Evento da Nova Portugalidade na FCSH-UNL

Dia 7 de março iria dar lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa um evento do proto-núcleo Nova Portugalidade, grupo que exalta o colonialismo e refere-se ao 25 de Abril como “trágico equívoco”, com o convidado Jaime Nogueira Pinto, “académico e politólogo” que não esconde a sua paixão por Salazar. Este combo para um debate sobre “Populismo ou democracia: Brexit, Trump, e Le Pen”, um debate de só uma visão, e a que mais convém a estas personagens.

Infelizmente vivemos em tempos em que a irresponsabilidade e a traição da esquerda eleitoral à classe trabalhadora que supostamente representavam, criaram um mar de curiosidade sobre os discursos da direita populista que atraem aqueles que se vêem mais desprezados e sem prioridade nas agendas políticas. O português comum estranha assim o desconhecido. Um desconhecido que ganhou mais importância na esfera pública que os seus também legítimos dilemas. Mas o português já foi grande, não foi? Quando se enviava jovens para a Guerra Colonial, quando a pobreza e o analfabetismo eram gritantes, quando o direito à greve era proibido e portanto tinham de contar com a boa vontade do patrão… malditos comunas. Ou talvez não tenha sido aí, lá mais atrás, quando havia reis e escravizávamos povos para enriquecer os cofres do Império, só se esquecem que o português comum dessa época também se via bem condenado. Assim se vê o tipo de narrativa lançado pelos organizadores deste evento, e pelos mesmos da sua linha política, que pretendem dar uma impressão falsa do passado como um tempo inteiramente positivo e melhor do que os dias de hoje.

Ao mesmo tempo que pregam falsidades históricas, inventam também falsidades políticas. Logo que a sala do evento lhes foi retirada, exclamaram ser um acto de horrível censura feito pelos malvados esquerdistas da AEFCSH, que odeiam a liberdade de expressão e desejam subjugar todos à sua ideologia… Pura mentira do mais alto nível. No entanto, não há de ser surpreendente para aqueles que já conhecem estes grupos que eles tenham de recorrer a métodos desonestos para espalhar as suas ideias. Não ocorreu qualquer acto de censura. Apenas lhes foi negada uma sala, e nem sequer foi pela Direcção da AEFCSH, mas sim por uma RGA, que, já agora, para os esquecidos, é uma reunião aberta onde qualquer estudante pode participar. Ou talvez não estejam esquecidos, tendo em conta que o hábito da participação em reuniões de massas não faz parte da tradição destes patriotas; por muito que não gostem da Hillary Clinton, preferem os jantares de elite.

Enfim, os organizadores do evento podem realizá-lo onde melhor desejarem. Apenas não lhes foi concedida uma sala PELAS E PELOS PRÓPRIOS ESTUDANTES DA FACULDADE. Tamanha a hipocrisia destes indivíduos que apelam aos “democratas” para os apoiarem, e ao mesmo tempo são incapazes de respeitar o processo democrático! Desejam agora ir contra a vontade democrática, que se expressou contra eles, e tentar fazer o seu evento contra os desejos do resto das e dos estudantes da faculdade. Assim se vê o respeito que têm pelos seus colegas, e pela democracia em geral.

Ainda para mais, apelam à denúncia do “ambiente de medo e repressão”. Eis o seu pensamento acerca da liberdade de expressão que afirmam defender: quando vai a seu favor, é uma coisa fantástica, mas quando vai contra eles, é um “ambiente de medo e repressão”. Será claro para todos que estes indivíduos não possuem quaisquer princípios. Qualquer fala de “liberdade de expressão” vinda deles não passa de mera ferramenta propagandística. Tomara que eles fossem de facto defensores daquilo que afirmam. Caso assim fosse, não teriam problemas em aceitar que houvesse pessoas contra eles.

Para melhor se vitimizarem, espalham uma suposta ameaça de violência, da qual não há qualquer prova ou confirmação da sua eminência, e que ao contrário do que algumas almas reaccionárias andam para aí a murmurar, nunca se sugeriu em RGA, da qual existe ata e gravação.

No final do seu texto, a Nova Portugalidade admite por fim a quem as suas acusações são dirigidas. Não é à Direcção da AEFCSH, mas sim a “parte da massa estudantil da FCSH”, ou seja "a parte que discorda connosco e expressa livremente as suas opiniões contra nós", confirmando o seu desdém pela vontade democrática das e dos seus colegas, assim como todas as acusações que lhes foram aqui feitas.

Pensamos que houve uma clara falha estratégica no bloqueio deste evento que já tinha reserva de sala, e era previsível que a tentativa de a cancelar fosse apenas atiçar estes renegados que precisam tanto de se fazer de vítimas e deitar umas lágrimas de crocodilo para atrair a comunicação social. Parece até que estava planeado. Resta-nos zelar para que tal não volte a suceder, e sensibilizar aquelas e aqueles que ainda caem nestes choradinhos.

O Núcleo Universitário do Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa

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Sob o nariz da direcção da faculdade, a Associação de Estudantes da FCSH foi hoje fisicamente intimidada por membros do PNR tatuados com suásticas e outros símbolos da extrema direita. A mesma direcção que ainda ontem mentia com todos os dentes que tem dizendo que havia riscos de segurança para a realização de uma conferência com Jaime Nogueira Pinto.

Obviamente, não havia qualquer perigo para o fascista Nogueira Pinto e para os seus discípulos do grupo "Nova Portugalidade" que passeiam impunemente pela faculdade todos os dias. Mas há um perigo muito evidente, e um perigo de vida, para os estudantes que foram nomeados, com nome e apelido, e ameaçados pelo bando de nazis que entrou pela FCSH adentro.

Espero agora uma palavra em defesa dos estudantes por parte da direcção de caramelos que a minha faculdade tem. Bem sei que eles detestam a actual DAE, como todos os ataques até agora demonstraram, mas quero acreditar que tentarão pelo menos manter os estudantes a salvo de agressões físicas.

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