João Black - Fado Anarquista

João Black (Feijó, 28 de Setembro de 1872; Lisboa, 18 de Dezembro de 1955) foi um dos fadistas mais comprometidos ideologicamente com valores do anarquismo, socialismo e republicanismo. João Salustiano Monteiro tornou-se João Black por homenagem ao seu protector, o inglês Alexander Black, patrão do pai radicado em Almada que lhe pagou os estudos. Black foi o que se poderia chamar de fadista de intervenção: as suas letras versavam sempre propósitos ideológicos da República. Andar nos jornais deu-lhe essa consciência.

Ciência humanitária
Um símbolo de altruísmo
Tem como fim condenar
Deus, pátria e militarismo

O mundo há-de assistir
Aos pobres livres dos lobos
Espezinharem o verdugo
Da burguesia a surgir.

E depois quando existir,
O ideal que vem dar
Esplendor e bem-estar
Incitar o patriotismo
A miséria, o anarquismo
Tem por base condenar.

Mas o povo sossegado
Esfacela-se sob a tortura
Quando o seu mal tinha cura
O ideal desejado.

Viver na prisão
Nas garras dos inimigos
Ai ela bem cai no abismo
A fanática humanidade
Pois fia-se nesta trindade
Deus, pátria e militarismo

Pois fia-se nesta trindade
Deus, pátria e militarismo

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