Bombardear para salvar; voltam a soar os pedidos de intervenção na Síria por parte de cínicos e idiotas úteis.

Guilhotina.Info

Bombardear para salvar; voltam a soar os pedidos de intervenção na #Síria por parte de cínicos e idiotas úteis.

// NOTA: Momentos depois deste artigo ter sido escrito, foram lançados os primeiros ataques americanos directos contra a Síria, na forma de 60 mísseis Tomahawk disparados contra um aeroporto em Homs | http://reut.rs/2niJKhW //

A Reuters foi a primeira a relatar um novo ataque imputado a Assad (provavelmente a pilotar o jacto pessoalmente) com armas químicas contra a população civil. As fontes citadas eram “rebeldes”, algures em território controlado pela Al-Qaeda, e publicações nos media sociais. Os jornalistas que escreveram este primeiro artigo não metem o pé na Síria há anos | http://bit.ly/2nQoZ9H

Recordemo-nos de que esta não é a primeira vez que “Assad usou armas químicas” é o pretexto para uma intervenção imperialista. Em 2013, este mesmo pretexto foi usado em relação a um ataque nos subúrbios de Damasco, que jornalistas sérios como Seymour Hersh acusaram de ter sido da responsabilidade de jihadis afiliados aos serviços secretos turcos e à Al-Qaeda | http://bit.ly/1J0UbvU | http://bit.ly/2hBjc5a

Na altura, apenas a intervenção diplomática russa (que acabou com o governo sírio a concordar destruir todas as suas armas químicas como parte de uma missão das Nações Unidas) impediu o escalar do ataque imperialista à Síria, que continuou na forma de apoio técnico, material e propagandístico aos jihadis. No entanto, nada se aprendeu em três anos, e ainda menos com a miséria humana gerada com outras intervenções militares, como aquelas no Iraque e Líbia, também elas assentes em pretextos de uma falsidade extremamente óbvia mas propagados nos media como facto consumado.

Não admira portanto encontrar agora muitos dos mesmos jornalistas carreiristas de estabelecimentos “respeitáveis” como o New York Times, que escreveram absurdos como “Saddam está a desenvolver armas nucleares porque encomendou tubos de alumínio” e que “O governo sírio está a colaborar com o Estado Islâmico”, estejam agora a promover a plenos pulmões a teoria de que o governo Sírio usou “novamente” armas químicas contra a população civil, apesar da primeira instância de tal nunca ter sido devidamente provada e persistirem suspeitas de que se tratou de uma operação de propaganda dos jihadis | http://bit.ly/2oE4ArW

Ainda mais estranho se torna acusar o governo sírio pelo ataque recente quando, junto com os seus aliados, o governo tomou a posição dianteira no conflito com os jihadis. Porquê usar armas químicas contra civis neste contexto, quando é perfeitamente sabido que tal acção seria uma hecatombe em termos propagandísticos? E quando o exército sírio e seus aliados dispõem de armas convencionais perfeitamente capazes de fazer o mesmo trabalho sem gerar a mesma comoção? Outras hipóteses foram levantadas para justificar o incidente, como um bombardeamento convencional ter atingido as reservas de armas químicas dos rebeldes ou ter-se tratado de uma operação de propaganda destes. Seja qual for a teoria, as provas, como seria de esperar numa guerra como a da Síria, são escassas.

Mas pouco interessa. Os maiores e mais barulhentos media decidiram a sua narrativa. Assad, contra toda a lógica e sem provas conclusivas, é o culpado. É por isso novamente a hora de fazer chover bombas americanas e da NATO sobre a população síria. Morrerão muitos mais inocentes do que em teriam morrido de outra maneira, serão criados muitos mais refugiados e, no vácuo de poder, serão reforçados os jihadistas reaccionários e exportadores de terrorismo. Mas o que interessa isso para os jornalistas carreiristas em Portugal que lêem os editoriais do New York Times e se pensam informados? E o que interessa para todos os idiotas que espumam da boca a partilhar vídeos do Capacetes Brancos no Facebook e a pedir carta branca para a maior máquina de guerra do mundo se abater sobre a Síria? Os mesmos idiotas que um mês depois estarão a partilhar vídeos de gatos a tocar piano, da Rihanna a ser “empoderada” ou uma qualquer campanha publicitária “muito inteligente” da Pepsi?

Por essa altura, bom, as crianças sírias pelas quais tanto se chora agora podem-se ir foder, que os idiotas úteis já receberam o seu like.

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