Facebook censura denúncia da Guilhotina sobre violação na Queima do Porto

Replica-se aqui a resposta da Guilhotina à censura de que foi alvo, ao ter sido eliminada a publicação que denunciava uma violação num autocarro durante a Queima das Fitas do Porto e expunha as caras do agressor e dos cúmplices. ALSO IN ENGLISH | TAMBIEN EN CASTELLANO: http://bit.ly/2qy9ghT

«Após as denúncias relativas à violação que ocorreu durante a Queima das Fitas no Porto, emergiram as fotografias do principal agressor e os dos espectadores (igualmente culpados) que regozijaram com o sucedido. Perante a barbárie, decidimos denunciar o caso, os seus agressores e os cúmplices que nada fizeram para impedir o abuso sexual.

Artigo da Guilhotina Censurado pelo Facebook: http://bit.ly/2pUW0mk | http://bit.ly/2pM7NHr | http://bit.ly/2rgoZF3

A publicação rapidamente foi partilhada e vista por milhares, o que levou a diversos comentários, uns a defender a vítima, outros a justificarem ou ilibarem os agressores dos actos cometidos. Quando pessoas se insurgem contra a denúncia pública dos violadores, com argumentos como “ela não foi obrigada a nada / foi consentido / não era uma violação a sério”, “ela estava sujeita a isso” ou “ainda hoje vi três vídeos do enterro de Braga e são bem piores que esse”, não podemos negar a existência óbvia de uma cultura de violação que coloca as culpas sobre a mulher, normaliza e mitiga a gravidade dos abusos sexuais praticados.

Pouco após termos feito a publicação, recebemos um aviso passivo-agressivo, por parte da rede social, por alegadamente termos quebrado as “normas da comunidade”. Acontece que não é a primeira vez que decidem censurar denúncias de abusos ou violência, em detrimento da vítima e a favor dos agressores. Além do aviso, não recebemos o real motivo para terem eliminado a publicação ou qualquer notificação sobre o sucedido, e ainda todas/os as/os que gerem a página foram temporariamente banidas/os.

Enquanto isso, temos uma rede social infestada de ataques pessoais, comentários, imagens e publicações sejam elas misóginas, racistas ou xenófobas. Mas aparentemente o que interessa continua a ser a protecção da identidade dos ofensores, sempre.

Temos o caso da página “Women on Web”, uma página com mais de dez anos de activismo que foi eliminada, esta oferecia acesso a um aborto seguro onde este era proíbido. | http://bit.ly/2pUyzJy | Casos de activistas contra o racismo a serem temporariamente banidos por denunciarem mensagens racistas em público | http://bit.ly/2ciUR6r ; http://bit.ly/2qwExl2 ; http://bit.ly/2pLv0tb | ao mesmo tempo que são insultados e discriminados com base na sua etnia, mas isso é irrelevante para as “normas da comunidade”. Outro exemplo, foi o caso da publicação online palestiniana “Quds”, temporariamente desactivada sem que teha sido dada qualquer justificação | http://bit.ly/2cUMM8g | E ainda censuras de violência policial | http://bit.ly/2b1ucIz

Diariamente, as mulheres são assediadas, violadas e espancadas, o medo de sair à rua é constante, e estes indivíduos estão a ser protegidos de quê ou de quem, afinal?

Não se calem, não permitam que estes agressores passem com impunidade. É preciso que eles sintam vergonha, que tenham medo de sair à rua! Nós também não nos calaremos.

E ainda se perguntam... Feminismo para quê?»

Fica também aqui a imagem censurada pelo Facebook.

Galeria
Imagem Censurada pelo Facebook

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