Carta aberta em solidariedade com os presos palestinianos em greve de fome

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Estamos solidárias e solidários com os cerca de 1500 presos políticos palestinianos em greve de fome nas prisões israelitas. A greve, por tempo indeterminado, fez um mês a 17 de maio.

Estamos em solidariedade porque o que exigem é básico:
• 1 cabine telefónica por prisão para contactarem as famílias;
• visitas de familiares com regularidade e dignidade;
• tratamento médico apropriado e condições prisionais condignas;
• terem de novo educação superior à distância (Universidade Aberta);
• receberem ofertas das famílias como livros, jornais, roupa, comida;
• fim da prisão solitária;
• fim das detenções sem acusação formada nem julgamento.

Já houve greves de fome antes, os presos obtiveram algumas melhorias precisamente assim. Agora há cerca de 6500 presos políticos nas cadeias israelitas, entre os quais 13 deputadas/os, 300 crianças, 500 sem acusação formada.
O relatório da Amnistia Internacional de 2016/17 diz isto sobre os Territórios Palestinianos Ocupados e sobre Israel:

“As autoridades detiveram ou mantiveram milhares de palestinianos dos Territórios Ocupados, retendo a maior parte em prisões em Israel, violando a lei internacional. A muitas das famílias dos presos, particularmente às de Gaza, não é permitido entrar em Israel e visitar os familiares na prisão. As autoridades israelitas continuam a prender centenas de crianças palestinianas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. Muitas foram sujeitas a abusos pelas forças israelitas, incluindo espancamentos e ameaças.”

Os soldados, a polícia e oficiais da Agência de Segurança de Israel sujeitaram os detidos palestinianos, incluindo as crianças, a tortura e outros maus tratos com total impunidade, particularmente durante a detenção e o interrogatório.
A organização de direitos humanos Addameer afirma que, nos últimos 50 anos, Israel prendeu cerca de 800 000 palestinianos. É cerca de 40% da população masculina dos Territórios Palestinianos. Quase todas as famílias já passaram pela prisão de pelo menos um membro. Israel tenta etiquetar toda esta gente de “terroristas” e diz que com eles não negoceia. Tenta ainda, por qualquer meio, quebrar a determinação da resistência.

Desde que começaram a greve de fome, estes presos começaram a sentir ainda mais represálias: foram proibidos de receber visitas da família e mesmo dos advogados; foram-lhes confiscados rádios, roupas e outros haveres; muitos foram mudados para prisões distantes e postos em solitária.

Os grevistas consomem só água com sal, para se manterem vivos. Já 76 deles foram transferidos para hospitais.

Um pouco por todo o mundo as ações de solidariedade têm-se multiplicado. Não seremos exceção. É urgente dar a conhecer esta luta, exigindo que sejam atendidas as justas reivindicações dos presos em greve de fome há mais de um mês. Só a solidariedade ativa pode evitar que ocorram mortes neste ato de resistência corajoso e denunciador dos opressores.

Porto, 17 maio 2017

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