Sabemos há muito que este dia chegaria e sempre soubemos que chegaria com um grande truque.

Sabemos há muito que este dia chegaria e sempre soubemos que chegaria com um grande truque.
Não nos enganámos.

Por conta de uma prank no twitter, em que um jovem utilizador sugeria que Os Truques se tinham enganado na conta e tinham partilhado um tweet na conta do Baluarte, e que alguns se apressaram a partilhar, o subdiretor do Público aproveitou para lançar, pelo Facebook, a identidade de um dos administradores da página, juntamente com a respetiva nota biográfica criteriosamente selecionada.

Estamos certos que guarda mais uma biografia, também criteriosamente selecionada, à espera da próxima montagem para a fazer circular.

Estamos também certos que são as únicas duas biografias que pondera publicar.

Por uma razão: esta página tem dois administradores (e vários editores) que, não obstante a opção já aqui tantas vezes defendida do anonimato, nunca hesitaram (até ao episódio do Ricardo Costa) em encontrar-se pessoalmente com quem quis para dar entrevistas ou falar da página.

Foi assim no “Obrigado, Internet”, do Fernando Alvim, do Pedro Paulos e do Nuno Dias; foi assim na entrevista ao “É apenas fumaça”; na entrevista ao Expresso; na entrega dos “Prémios Novo”, onde o João até foi ao palco receber o prémio, tendo o vídeo dessa entrega sido publicado (ainda aí deve estar) na Internet! Também falámos para jornais universitários (jornal Diferencial, IST) e com diversos projetos promovidos por estudantes de jornalismo (ESCSFM, por exemplo). Muito promissores, diga-se.

Sempre dissemos que a identidade dos administradores da página não servia para encobrir nada. Tanto que várias pessoas tinham acesso a ela. Essas várias pessoas às quais revelámos a nossa identidade - e um vídeo do João a receber um prémio pela página! - abriam essa porta a quem quisesse procurar.

Houve sempre um grande problema: nunca nenhum de nós foi especialmente importante para justificar a publicação dos nossos nomes. E sempre que alguém chegou a eles, acabou por cair num poço de desilusão. “Afinal é só isto?”
Foi sempre mais fácil dizer que a página era deste ou daquele deputado, estava ao serviço deste ou daquele grupo político, deixando no ar essa mentira, do que explicar por portas e travessas as nossas relações partidárias, que depressa seriam desmontadas por qualquer pessoa disposta a olhar para elas com imparcialidade.

Foi por isso que não estranhámos quando o Observador nos contactou aos dois, em fevereiro deste ano (!) para os nossos empregos (!!), com a conversa de que "descobrimos quem são, vamos publicar os vossos nomes para a semana, se quiserem falar antes connosco melhor, senão...". E também não estranhámos quando, ao responder-lhes "ok, quando querem combinar?" eles continuassem eternamente a adiar, até que deixaram de responder, até hoje. O João e o Pedro não são importantes. O Observador sabia-o bem.

Entretanto, em maio, o Pedro começou uma página de apoio ao clube do seu coração, o FC Porto. Daí passou para a televisão e foi convidado para comentar no Porto Canal. O Pedro, do FC Porto, assim que foi para a televisão, disse ao João, sócio há mais de 20 anos do Benfica: "com isto dos comentários no Porto Canal, acho melhor sair da página". O João achou que não, que todos tínhamos clubes diferentes (entre os demais editores não há uma unanimidade clubística, nem sequer uma maioria expressa) e que ter um clube e defendê-lo na TV não impede ninguém de fazer crítica de imprensa. Sobretudo porque o Pedro até já tinha feito dezenas de posts sobre o assunto, desmentindo notícias falsas ou truques que prejudicavam - surpresa - o Benfica.

Hoje, como dizíamos, uma das muitas pessoas que descobriram quem são os administradores desta página insinuou que Os Truques e o Baluarte Dragão são a mesma coisa e algumas pessoas, claro, vieram imediatamente a terreiro aderir acriticamente ao que leram. Não se lembraram, se calhar, das tantas vezes (algumas no último mês) que denunciámos truques da imprensa contra o Benfica ou contra outros clubes.

Foi o trigger perfeito para que alguns jornalistas, sentados em cima dos nossos desinteressantes nomes, mas à espera da nossa aparente morte para saltarem para a nossa carne putrefeita, fossem tirar o pó à informação que tinham sobre o Pedro para lhe acrescentar esse pecado gravíssimo que é ser adepto ferrenho de um clube e escrever sobre a sua paixão. Um desses jornalistas foi o subdiretor do Público, que se regozijou publicamente com esse seu momento de glória.

Aproveitou para juntar alguma informação útil para construir a personagem que pretende: há 8 anos, o Pedro foi candidato independente (não tendo nunca sido militante) numa lista do PS à Assembleia da terra onde nasceu. O subdiretor do Público esqueceu-se do "independente", convenientemente. E que boa deve ter sido para o Pedro essa experiência autárquica nas listas do PS, tendo em conta que daí nunca resultou nem uma filiação nem novas colaborações. Uma pena para alguns jornalistas, claro, mas na Internet, o que é que isso interessa? Havia uma tese para confirmar e, custe o que custasse, essa tese havia de ser confirmada. Estava arranjada a “prova” que precisavam para vender a página como um bastião do PS na internet. Com um bónus: o Pedro tem amigos que são do PS. Bom... também tem amigos que são do PSD e do CDS e do PCP e do BE e do LIVRE e do PAN... Mas de que é que isso interessa?

O João era um outro problema. “Aparentemente”, não tinha sequer um ponto de contacto com o PS. “E agora, como fazemos?” – perguntaram. Mas, como com a Worten, há sempre um facto que lá vai dar: o João foi membro da candidatura de Sampaio da Nóvoa nas últimas presidenciais. Que partido é que também era parcialmente simpático com Sampaio da Nóvoa? O PS. “Illuminati!” Tínhamos completa consciência que isto viria a público assim, esquecendo que o João trabalhou com o Reitor Sampaio da Nóvoa quando foi presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa e que estava na campanha muito antes de alguns membros do PS (e não o PS) se juntarem ao comboio em andamento.

Esquecendo que um dos editores da página até foi militante de um partido de direita.

E que foi o João que falou com o Pedro, através de uma amiga em comum, para ele se juntar à campanha, ainda antes de – pasme-se – existirem sequer outros candidatos e com o apoio do PS presente apenas nas cabeças mais sonhadoras de alguns membros da campanha.

E, claro, nunca apontariam para o facto (que está à vista de todos) de a campanha para as presidenciais ter acabado em janeiro de 2016 e de hoje, em julho de 2017, a página continuar todos os dias a fazer o trabalho a que se propôs. “Deve ser para despistar”.

A ligação abusiva era fácil de fazer e, na Internet, basta haver uma ligação para a “verdade” se cristalizar.

Sempre soubemos que este dia ia chegar. E sempre soubemos que faríamos este post para os nossos leitores, em que em poucas pinceladas tentaríamos dar-vos um breve quadro do que vai ser dito sobre nós os dois antes de as redes sociais fazerem o seu magnífico trabalho de repetir a “verdade” que lhes parecer mais conveniente.

Estamos muito tranquilos, até porque já nos preparámos para este dia várias vezes: com o Expresso, quando contas anónimas começaram a partilhar as nossas caras na Internet, quando o Observador nos ligou diretamente para o trabalho para nos “avisar” (ameaçar, nunca!!) que íamos ser “expostos” (como quem expõe criminosos). Não há um “Código de Conduta das Redes Sociais” mas, olhando para trás, temos a firme convicção de que, se houvesse, nunca ou quase nunca pisámos o risco.

Temos um orgulho enorme nesta página, nos milhares de posts que já fizemos, nas centenas de vezes que a imprensa alterou notícias ou agiu porque nós estivemos presentes, nas centenas de mensagens e comentários de incentivos. Também temos orgulho nas críticas e nas vezes em que corrigimos depois de errar. Temos orgulho de termos pedido desculpa sempre que cometemos erros, como ainda há uma semana aconteceu.

Uns miúdos com idades à volta dos 25 anos decidiram, em outubro de 2015, fazer crítica de imprensa, cumprindo um papel que achavam necessário e ocupando um espaço que achavam não estar ocupado. Foi o nosso pequeno contributo para melhorar a democracia. Umas vezes falhámos, outras acertámos. A nossa subjetividade esteve SEMPRE presente, como está em tudo. Chegámos aos 150 mil seguidores e é esse o nosso maior pecado. Continuássemos a ser uma página para 1000 pessoas e ninguém perderia um segundo a pensar em nós. Pois bem, quem não gostar da página a partir de agora, que saia: se saírem todos, nós apagamos a luz e fechamos a porta.

Mas perguntamos a todos os que nos leem: o que é que no nosso percurso pessoal desmerece as denúncias que fizemos? O que é que justifica algumas pessoas odiarem uma página por não lhes conhecerem os autores? O que é que justifica a partilha, nas redes sociais, com insultos, de fotografias de gajos normais, com vidas normais, só porque decidiram fazer crítica de imprensa?

Quem brinca com o fogo queima-se. Ouvimos isto tantas vezes, dos nossos amigos e dos nossos adversários. Já sabíamos isso. Se é para arder, ardemos. Mas ardemos com muito orgulho nesta página e com a promessa de que ela vai continuar anónima, vigilante e a cagar para as vossas ameaças.

Hoje, no dia da nossa revelação, repetimos o que sempre dissemos. Mais do que os nossos cvs, que doravante são públicos, responde por nós o que temos de mais transparente: as publicações que fizemos aqui na página. São públicas. Façam scroll e vigiem-nos. Vigiem-nos sempre. Acusem-nos de nos termos esquecido deste ou daquele truque. Acusem-nos de termos interpretado excessivamente neste ou naquele caso. Nunca nos poderão acusar, com verdade, de termos feito favores ou de termos cumprido a agenda de alguém. Tudo o que escrevemos foi escrito por nós e respondemos por tudo com um orgulho impossível de descrever por palavras.

Abraços e muito obrigado a todos,
João Marecos e Pedro Bragança

Os truques da imprensa portuguesa

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