As contradições da PSP, segundo o Ministério Público

Em quatro pontos, o MP identifica contradições nas versões dos agentes da PSP da esquadra

A detenção de Bruno Lopes

No auto de notícia, a PSP escreveu que Bruno Lopes estava num grupo de "10 indivíduos de raça negra" que atiraram uma pedra a uma carrinha da polícia, que circulava no bairro da Cova da Moura, tendo partido um vidro. O "suspeito foi intercetado" e detido, "tendo reagido de forma brusca e violenta". A investigação do Ministério Público (MP) e da PJ concluiu, primeiro que Bruno Lopes não podia estar no local descrito pela PSP, que foi abordado "sem que nada o justificasse", sendo logo alvo de "várias bofetadas e pontapés" "Estás a rir de quê, macaco?", terá dito o agente a Bruno. O MP considerou "completamente inverosímil" a versão do auto da PSP.

Testemunhas atingidas por balas de borracha

No momento em que estavam a deter Bruno Lopes, a PSP alegou que "para a manutenção da ordem pública local" foi necessário dar um "tiro para o ar" com a shotgun, "face ao aglomerado de indivíduos de raça negra que arremessavam pedras". No entanto, a investigação judicial apurou que uma residente que assistia à cena da janela da sua casa, foi atingida por duas balas de borracha que o agente apontou diretamente para si. Outra residente foi perseguida por esse polícia e também atingida no nariz, uns metros à frente.

O trajeto de Bruno Lopes para a esquadra

A PSP conta que, durante o transporte de Bruno Lopes para a esquadra, este "teve uma postura sempre agressiva e desrespeitosa" para com o agente "bem como para a instituição", tendo "proferido vários nomes como "bófias de merda, vão cair na cova como moscas". Segundo a tese do MP no trajeto, Bruno foi algemado e deitado de frente no chão da carrinha. Os cinco agentes que o acompanhavam "ao verem o ofendido sangrar e sujar o chão da carrinha diziam-lhe "sangue de preto, que nojo". Durante a viagem, diz o MP, "bateram em Bruno Lopes desferindo-lhe diversas pancadas com o cabo dos bastões na cabeça destes".

A "invasão" da esquadra

A PSP diz no auto de notícia que entre 20 e 25 pessoas (num segundo relatório diz que eram entre 10 e 15) tentaram forçar a entrada na esquadra exigindo a libertação de Bruno Lopes. Diz que usou a força "adequada e proporcional" para impedir o objetivo dos jovens e que deteve cinco deles. Num comunicado oficial nesse mesmo dia, a PSP confirmava a tentativa de invasão da esquadra e que esta tinha sido "apedrejada". O MP, concluiu que foi um que se dirigiu à esquadra " com o intuito de saber o que se passara com Bruno Lopes (...) sem terem esboçado qualquer tentativa de se introduzirem à força nas instalações policiais ao que lhe foi dito por um dos agentes que se encontrava à porta: " Aqui vocês não vão entrar!" ao mesmo tempo que se voltou para trás e chamou os seus colegas nos termos seguintes: "Ó malta, venham cá!" A partir daqui começaram a agredir os jovens, arrastando-os para dentro da esquadra, onde permaneceram dois dias.

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