Geração à rasca sai à rua

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[Ivo Silva] Este movimento não tem só que protestar contra as condições de vida, mas continuar a luta para transformá-la, e para isso tem que denunciar os organizadores da elitização do ensino, da precariedade e do desemprego que hoje em dia é o governo Sócrates/PS.

O termo geração à rasca não poderia definir melhor o protesto do dia 12 deste mês em várias cidades do país, nomeadamente Lisboa, Porto, Braga e Viseu. Realmente, existe hoje em Portugal uma juventude que é qualificada, mas que não se sente realizada, seja por ter que se sujeitar a baixos salários, a trabalhos que nada têm a ver com a sua formação, seja porque não têm um emprego, mas sim um trabalho, fruto da precariedade que se espelha em contratos temporários e trabalhos a recibos verdes; seja também pelo desemprego a que estamos sujeitos – 23% entre os jovens dos 15 aos 24 anos estão desempregados, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística referentes ao 4º trimestre de 2010.

Para quem ainda se encontra a completar a sua formação a realidade não é mais animadora, senão vejamos as políticas do governo para o ensino. Começando pelo processo de Bolonha, que reduziu as licenciaturas para três anos e tornou-as insuficientes para o ingresso no mercado de trabalho, restando aos jovens ingressar em mestrados com propinas de valores exorbitantes. Sem terem como pagá-las, milhares de jovens acabam por desistir do ensino superior ou recorrer a empréstimos bancários, substituto do estado para a acção social, endividando os jovens e a sua família e enriquecendo a banca.

O Decreto de lei 70/2010 complementa a elitização do ensino, dificultando o acesso às bolsas. Apesar de os estudantes terem obtido uma vitória parcial com a retirada das bolsas deste decreto, a verdade é que, na prática, isso não acontece por enquanto.

Perante esta realidade saudamos a iniciativa dos organizadores do protesto, fenómeno semelhante ao dos movimentos de professores que criaram organismos à margem dos sindicatos, e que neste caso acontece porque a precariedade não faz parte da agenda dos mesmos. Saudamos também a Associação Académica de Coimbra que em Assembleia aprovou a ida ao protesto em Lisboa alugando para isso autocarros. Mas este movimento tem não só que protestar contra as condições de vida, mas continuar a luta para transformá-la, e para isso tem que denunciar os organizadores da elitização do ensino, da precariedade e do desemprego que hoje em dia é o governo Sócrates/PS, com o apoio da direita (PSD e CDS-PP).