Portugal: 3805 queixas contra forças de segurança nos últimos 5 anos, 1352 das quais relativas a ofensas corporais

34 pessoas mortas pela polícia desde 2007

Segundo noticia o Jornal Expresso na passada terça-feira, apenas nos primeiros seis meses deste ano foram apresentadas 411 queixas e denúncias contra as forças e serviços de segurança. Quase três queixas por dia, o que representa um aumento significativo face ao mesmo período em 2016, onde a média era de duas queixas por dia.

No total, desde 2012 foram registadas 3805 queixas e denúncias, 1352 das quais relativas a “ofensas corporais” por parte dos corpos de segurança . A Polícia de Segurança Pública é a fonte de maior número de queixas, com mais de 50% das queixas. Por seu lado, a Guarda Nacional Republicana é referida perto de 40% das vezes, seguindo-se o Serviço Nacional de Estrangeiros, a Autoridade Nacional de Segurança rodoviária e as entidades ligadas aos ministérios.

Nos últimos nove anos foram mortas 34 pessoas pela polícia durante operações da PSP e GNR.

A CULPA MORRE SOLTEIRA

O número de processos disciplinares é sempre muito inferior ao total das queixas. Por exemplo, das 411 queixas apresentadas até agora em 2017 apenas quatro chegaram à fase de inquérito, processos que estão a decorrer neste momento relativos a actos de violência cometidos pela GNR e PSP.

Em 2015, por exemplo, segundo o relatório anual de actividades da IGAI, houve apenas 21 processos disciplinares e mais de 700 casos inspeccionados.

O peso da instituição é muito grande e o corporativismo permite ocultar casos. «Nos processos judiciais, a primeira dificuldade surge, desde logo, na primeira instância, segundo o sociólogo Ricardo Loureiro, activista dos direitos humanos ligado à Associação contra a Exclusão pelo Desenvolvimento. “O depoimento da polícia tem mais força. A sua versão é criada colectivamente e prevalece sobre a versão do queixoso, mesmo que este apresente exames médicos ou testemunhos” que comprovem a denúncia. A esta dificuldade, acresce outra: a de falta de informação."Não há dados quantificados."»

LOUVORES A AGRESSORES POR PARTE DA POLÍCIA E ASSOCIAÇÕES POLICIAIS

Por exemplo, o subcomissário da PSP que agrediu um adepto do Benfica em Abril de 2015 à porta do Estádio de Guimarães, depois de ter sido suspendido preventivamente, retomou funções como subcomissário da PSP de Guimarães. Recebeu até um "louvor em nome dos bons serviços prestados no policiamento de recintos desportivos.

Noutro caso bem conhecido, a Associação Sócio-Profissional Independente da Guarda (ASPIG) pediu um louvor para o agente que sufocou um cidadão na repartição de finanças do Montijo.

via: http://bit.ly/2gNq5UD, http://bit.ly/2uCTqH4, http://bit.ly/2uMkdkJ http://bit.ly/2ttjdBY

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