Movimento Punk Feminista brasileiro ganha documentário

Campanha de crowdfunding ajuda na finalização do projeto de Letícia Marques sobre o Riot Grrrl.

Na segunda metade dos anos 1990, desembarcou no Brasil o movimento Riot Grrrl, já difundido em terras estrangeiras. Nascido do punk, ele unia a sonoridade pesada do rock e os ideais feministas com uma forte carga de incentivo ao “faça você mesma”. Em um ambiente predominantemente masculino, bandas formadas por mulheres como Dominatrix, TPM e No Class surgiram, desafiando o status quo e fazendo barulho.

Por se tratar de uma era pré-internet, quando as pessoas ainda se comunicavam por telefone e carta, os registros da cena no país são escassos. Não houve uma documentação como em outros países. Até agora. A cineasta Leticia Marques resolveu tirar um antigo projeto do papel e fazer um documentário contando a história do movimento no Brasil, focando em mostrar onde estão essas mulheres hoje e como a ideologia delas se espalham para muito além da música.

A ideia surgiu inicialmente em 2013, após Leticia ler um livro sobre a cena londrina. Ela até chegou a fazer alguns esboços de roteiro e a falar com algumas pessoas, mas engavetou o projeto. Três anos depois, a ideia ressurgiu após uma conversa no Facebook. “O momento é propício. O feminismo está ganhando força novamente”, contou a diretora em conversa ao telefone. “Vivi isso aos meus 15, 16 anos. Hoje, depois de 20 anos, com o amadurecimento, vejo a importância disso e não foi documentado”.

Segundo a diretora, o filme parte justamente deste ponto: a sua vivência na cena durante a adolescência, das bandas que ela viu tocar, das amigas que fez ao longo dos anos. Leticia buscou diversificar na escolha das personagens principais do documentário e mostrar como cada uma delas levou os ideais do movimento para a vida, ao exibir o dia-a-dia delas. “Uma segue na cena hard rock, outra foi trabalhar no lado mais social, dando oficinas de empoderamento feminino, já outra dá aulas de defesa pessoal em uma academia só para mulheres”.

Daquela época, Leticia leva o sentimento de pertencimento que teve ao ouvir as bandas, de sentir identificação com as letras e as atitudes e perceber que, assim como aquelas mulheres, poderia fazer o que bem entendesse, ainda que a dissessem o contrário. “Estou buscando novamente hoje, com esse trabalho, ver como o movimento me formou como pessoa. Essa atitude de fazer você mesmo, sem se desculpar, em uma rede de apoio de mulheres. Naquele momento, foi libertador saber que eu poderia fazer o que eu quisesse, sem medo e defender minhas ideias. Quero que mais pessoas sejam tocadas e se identifiquem também. Quero inspirar e construir o pensamento de que não existe apenas uma forma de viver”, afirma a diretora.

Uma das entrevistadas do filme é Marina Pontieri, integrante da banda TPM (Trabalhar Para Morrer), formada em 1997: “A história foi vivida por um monte de minas que hoje têm blog, dão aula, escrevem, são atuantes em seus campos. Não enxergo como algo estanque no tempo, foi um passo entre muitos na conquista de espaço das mulheres”.

No caso de Marina, o feminismo veio de berço e, por isso, ela teve o privilégio de não encontrar resistência em casa. “Para mim, na época, o movimento soava um pouco como gueto e nunca foi algo ao qual eu intencionalmente me vinculasse. Hoje, vejo que era necessário criar este espaço seguro e ainda é. Eu vim de uma criação que me assegurou escolhas que não eram de todas, mas muitas meninas de quinze, dezesseis anos estavam peitando não só os machos toscos do rock, mas as próprias famílias. O mais marcante era a energia de tudo explodindo. Muita vontade de fazer, de ser ouvida”, relembra.

Mãe de dois meninos, Marina leva para a vida o que aprendeu com o movimento, ainda que hoje já esteja afastada dos palcos e do rock. “Ouço mais e julgo menos mulheres que têm escolhas diferentes das minhas. Crio meus filhos reforçando as ideias de escolha, direito sobre o corpo, não agressão. É muito complexo porque o mundo joga contra, mas de geração em geração a gente chega lá”.

As filmagens tiveram início em 2016. Segundo Leticia, ainda faltam 50% das filmagens, incluindo a gravação de entrevistas com duas personagens principais. Até agora, o projeto foi feito com recursos próprios, mas para conseguir continuar a bancar este registro, ela abriu uma campanha de financiamento coletivo. A meta é arrecadar R$ 30 mil até 4 de setembro. O objetivo é terminar as gravações ainda em 2017. A previsão de estreia é no fim de 2018. Para apoiar, clique aqui.

via: http://www.billboard.com.br

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Promo do documentário de longa metragem Faça Você Mesma, que investiga os desdobramentos e histórias do movimento punk feminista Riot Grrrl, através de entrevistas com diferentes mulheres e inserções na vida de algumas delas buscando o sentido do riot grrrl nos dia atuais.

[Promo of Faça Você Mesma, a feature length documentary that searches for the stories and outcome of the Riot Grrrl movement in Brazil. The film is a mix of interviews and observational style while looks for the meaning of the riot grrrl into some of the women's lives.

Direção/Director: Leticia Marques
Produção/Production: Patricia Saltara/Leticia Marques
Direção de fotografia/Cinematography: Janice D'Avila
2ª Cameras: Brunella Martina/Marcio Mello
Montagem/Editing: Leticia Marques
Sound Designer: Helena Duarte
Animação/Graphics: Luiza Marques
Correção de cor/Color Correction: Regina Yokota Mimi
Produção Executiva/Executive Producers: Leticia Marques

Trilhas:
STAPLES "Stupid Songs"
HIDRA "Dance"
DOMINATRIX "Redial"

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