Viva la revolución

Sofremos com o desemprego, com a precariedade com os salários de merda. Também sofre o operário do Vale do Ave, o imigrante ilegal ou a puta da esquina. A dominação nunca olhou a cores, nacionalidades ou gerações, impondo a todos, sem excepção, uma mesma condição.

A questão não é se vai explodir, mas apenas quando e como. A questão deixou de ser como resolver a situação e gerir as suas misérias, e é apenas como nos vamos organizar quando já for insustentável continuarem a dizer-nos que tudo vai estar bem desde que sacrifiquemos o último resquício de dignidade que nos resta. Agora que o barco afunda falta apenas perceber que a praia está à distância de umas braçadas e que só não a vemos porque estamos acorrentados aos remos com água pelo pescoço, bloqueados pelo medo que nos impingem os demais gabinetes de especialistas e pela ilusão de que para o ano que vem vamos ainda poder trocar de carro, de televisão e de computador. O desespero termina quando as tácticas começam e não somos nem menos nem mais radicais do que os tempos que correm. Uma outra crise é possível.