Lisboa, qualquer espaço é tudo

por António Brito Guterres

Resenhas sobre as dinâmicas urbanas de Lisboa devem ser uma tarefa contínua, assinalando sentidos e contaminando curiosidades a ser saciadas pelos interessados. Para isso: qualquer espaço é tudo. E falamos de Lisboa, não como Concelho, mas como uma rede fluxos de interesse recíproco, o espaço denominado administrativamente por Área Metropolitana de Lisboa, com perto de três milhões de habitantes ou; como já se admite, embora sem natureza formal, uma geografia de interacção e interdependência com quatro milhões e cem mil habitantes: o Arco Metropolitano de Lisboa (Ribeiro, Moura e Chorincas: 2016). De facto, o Concelho de Lisboa, corresponde quase na sua totalidade a um centro (histórico, político, económico, financeiro, cultural e científico) do espaço e geografia mencionados e, embora a sua população quase dobre durante o dia (CML: 2014), a sua população residente aspira aproximadamente a apenas um sexto do total das áreas de interdependência.

Desse modo, transferir a guerra da atenção para o todo é elementar exercício para compreensão das dinâmicas da cidade. No entanto, nesta Lisboa do todo, é com alguma naturalidade que o campo de análise geográfico se divida facilmente entre centro e periferia, essencialmente por questões estruturais, a ver: a) O lugar que corresponde ao centro histórico de Lisboa é densamente habitado há centenas de anos, bem como os seus instrumentos de poder e decisão; b) As principais pistas de alinhamento da cidade-concelho foram desenhadas por planos gerais [1] consolidando hegemonias dos seus tempos; c) Os concelhos da restante Área Metropolitana alojaram centenas de milhares de pessoas em poucas décadas; d) A frente dessa expansão foi liderada por: promotores imobiliários/construtores civis [2]; movimentos de autoconstrução mais ou menos precários e; alguns programas de fomento à habitação, mais tarde de realojamento [3]; e) Por fim, a permanente ausência de uma forma de governação integrada de toda essa Lisboa.

Continuar a ler

Revista Punkto

Comentários

Submeter um novo comentário

O conteúdo deste campo é privado e não irá ser exibido publicamente.
CAPTCHA
Esta pergunta serve para confirmar se és uma pessoa ou não e para prevenir publicaçãos automatizadas