Situação no Linhó

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Os chefes de guardas do Linhó decidiram organizar uma punição corporal colectiva na sequência de no passado sábado um preso ter agredido e ferido um guarda com um caixote do lixo. Anunciada a identificação do alegado autor da agressão, pelas 3 da madrugada as rusgas e os espancamentos começaram a ter lugar até pelo menos à altura em que estas linhas estão a ser escritas, à hora de almoço.

Os presos da ala B terão sido postos no pátio e sujeitos a chapadões de cacetadas avulso e indiscriminadas. Suspeitam que se pretenda com este tipo de actuação fechar o RAI que vigora em parte da cadeia.

Os presos foram informados por guardas que não estão solidários com os castigos que este tipo de actuação não está concertado com a direcção geral. Interpretações à parte, os presos já perceberam que vão querer “explicar” o sucedido como tendo sido um motim. Por isso os guardas entraram em provocações na esperança de conseguirem um motivo ex-post para expor o sucedido.

De outra zona da cadeia chegou a informação de a população estar fechada faz dois dias, na sequência de um preso ter sido espancado e levado para local incerto e em condições que se desconhecessem.

O que poderá ter acontecido a este preso justifica a iniciativa de castigo colectivo e as provocações (grupos de dez guardas com bastões percorrem os corredores, ameaçam bater discricionariamente nos presos que bem entenderem, causando um aumento de tensão e à espera de alguma reacção que possa justificar o que está preparado para ocorrer a seguir) como táctica de encobrimento? E a falta de conhecimento da direcção geral sobre o que esteja a acontecer?

Durante o trabalho de rusga, castigo e provocação houve guardas que aproveitaram a situação para roubarem os reclusos: esse foi a acusação que nos chegou. Ténis, material electrónico, roupa e outros pertences foram subtraídos aproveitando a confusão.

Um ferido, a quem estão a recusar enviar para o hospital, estará na enfermaria numa situação aparentando alguma gravidade.

Dada a gravidade da situação no Linhó, os presos entraram em greve de trabalho e de fome

Fonte: ACED

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