Travêssa dos Campos, pela Praxis Magazine

Este sábado um grupo de activistas e moradores avançou com a ocupação da antiga Escola José Gomes Ferreira, no Porto, para a transformar num espaço cultural e de activistimos.

Há muito que a escola, situada na Travessa dos Campos, estava abandonada e a deteriorar-se, apesar de ainda estar em boas condições. É património público, mas o seu uso está interdito à comunidade. Numa cidade em que o público está abandonado e a indústria do turismo tem despojado milhares de pessoas de uma habitação condigna e do usufruto de locais virados para a cultura, os activistas tentaram, não obstante, transformar este espaço ao abandono num de cultura, debate e democracia. Tentaram, também, chamar a atenção para a realidade escondida de situações de abandono que perduram na cidade há tempo demais.

Mas o direito à propriedade, mesmo do que é público e pertence à comunidade, tem de ser defendido a todo o custo, ordem basilar do atual sistema económico. As autárquicas já lá vão e Rui Moreira volta a demonstrar sem qualquer pudor qual o projeto político e económico que verdadeiramente quer para o Porto: uma cidade virada para o turismo e para os negócios, não para quem vive e trabalha na nela.

Moreira mandou então a polícia intimidar os ativistas e moradores na noite de sábado. Da intimidação passaram-se aos actos. Na manhã de segunda-feira, a polícia, composta por quatro carrinhas de intervenção e vários polícias municipais, despejaram e deteram agressivamente 21 pessoas que na altura se encontram na escola. Entretanto foram libertadas, mas a mensagem estava dada.

O objectivo de Moreira não foi proteger bens públicos, mas sim o princípio sagrado da propriedade privada, uma vez questionada, por todos os lados é contestada. Uma ocupação bem sucedida poderia dar origem a outras, colocando em causa a propriedade privada e fortalecendo a mobilização popular pelo direito à cidade. A entrada brutal dos polícias deixou estragos, sem qualquer cuidado pelo património público, e ficou bem patente o que estava em causa.

Os activistas prometem continuar a luta por um Porto diferente com novas acções, a serem debatidas, decididas e anunciadas nas próximas semanas.

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