Crónicas de um travesso despejado

Sábado. 11h da manhã. Flashmob. Travessa dos Campos, 170. Foi chegar e entrar. Bombos a anunciar a presença. Vozes e papeis a anunciar intenções. Lá dentro, o paraíso. Grande, enorme, colossal. Lixo que se limpava. Vidros partidos que se substituíam, lavatórios rachados que, por haver tantos outros, eram dispensáveis. Uma fuga de água. Festa. Comida. Bebida. Há tanto tempo que não te via. Conversa. Olá, sou a vizinha. Limpeza. Bola. Cinema.

Sábado. 22h40. Flashmob. Travessa dos Campos, 170. Foi chegar e falar. Quem manda? Têm autorização para estar aqui? Se vos mandar sair, saem? Estou a mandar-vos sair! Não houve resposta. Mas o cinema já estava estragado.

Sábado. 22h50. Flashmob. Travessa dos Campos, 170. Uma pessoa. Duas. Dez. Vinte. Já somos mais. Ganhámos. Com a certeza de ser por pouco tempo. Quem quer sair? Quem quer entrar? Assembleia.

Domingo. 15h. Flashmob. Travessa dos Campos, 170. Portão aberto. Festa. Comida. Bebida. Há tanto tempo que não te via. Conversa. Olá, eu sou o vizinho. Jantar.

Segunda. 7h30 da manhã. Flashmob. Travessa dos Campos, 170. Foi chegar e partir. Cães. Rebarbadeiras. Pontapé no vidro. Todos no chão, caralho! Vinte e um humanos detidos. E uma cadela. A última a ser libertada.

Segunda. 7h45 da manhã. Flashmob. Travessa dos Campos, 170. Uma pessoa. Três. Cinco. Sete. Doze. Estamos cá. Estamos atentos. Queremos saber tudo.

Segunda. 9H30 da manhã. Flashmob. Esquadra do Heroísmo. Duas pessoas. Oito. Vinte. Trinta. Um cá fora. Dois. Todos. Até à próxima

Flashmob.

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