Rendas altas e baixos salários estão a fazer aumentar os despejos

Até setembro, foram despejadas 5,5 famílias por dia. O n.º de despejos pelo Balcão do Arrendamento duplicou desde 2013

Salários baixos e rendas cada vez mais altas estão a deixar muitas famílias portuguesas sem capacidade para pagar as suas casas. No ano passado foram despejadas, através do Balcão Nacional do Arrendamento (BNA), um total de 1931 famílias. É quase o dobro (91,7%) do número de 2013. E só nos primeiros nove meses deste ano já houve 1480 despejos decretados. São 5,5 famílias despejadas por dia, mostram dados cedidos pelo Ministério da Justiça ao DN/Dinheiro Vivo.

O bolo, no entanto, poderá ser três vezes maior porque há cada vez mais processos a correr diretamente nos tribunais. "Os tribunais comuns continuam a reunir a preferência dos advogados, por isso admitimos que os dados do BNA representem apenas um terço do total de títulos de desocupação do locado emitidos em Portugal", conta ao DN/Dinheiro Vivo António Frias Marques, presidente da Associação Nacional de Proprietários.

O balcão nasceu em 2013, precisamente para desentupir os tribunais deste tipo de processos. Mas nem inquilinos nem proprietários concordam com a sua existência. Do lado dos proprietários, a oposição tem que ver com a desresponsabilização dos fiadores que, neste tipo de processo, não são chamados a assumir as dívida. Além disso, assumem que as saídas são travadas por novos processos "que podem levar um a dois anos até a casa ser esvaziada". Já os inquilinos consideram o sistema cego e apelam à especialização de quem decide.

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