Documentos desclassificados vêm confirmar a guerra suja dos EUA contra Cuba

Os documentos recentemente desclassificados sobre o assassinato do presidente dos EUA, J. F. Kennedy, revelam muitos dos planos da CIA contra Cuba. As denúncias feitas por Fidel Castro sobre a guerra biológica contra seu país foram confirmadas na passada sexta-feira, quando alguns dos planos da inteligência americana foram conhecidos. Eles também revelam a estratégia de realizar atentados e assassinatos dentro dos EUA para acusar Havana.

Um dos documentos, desclassificados na sua totalidade, explica que a CIA planeava sabotar a produção agrícola cubana "pela introdução de agentes biológicos que parecem ser de origem natural". Em maio de 1971, Cuba registou os primeiros casos de peste suína africana, patologia que até então não existia na ilha. Foi então necessário sacrificar quase 400 mil porcos, a carne que os cubanos mais consumiam. Em Janeiro de 1977, The Washington Post publicou as confissões de um agente da CIA que participou da operação para introduzir a peste suína na ilha.

A guerra biológica também afectou os seres humanos, em 1983 foi desencadeada uma súbita epidemia de dengue hemorrágica, uma doença muito letal que não existia em Cuba. Isso causou a morte de 154 pessoas, entre as vítimas havia 110 crianças. Essa acção foi realizada por um grupo anticastrista protegido pelos Estados Unidos. O facto foi confirmado pelo cubano-americano anticastrista Eduardo Arocena perante o Tribunal Federal de Nova York em 1984.

Os documentos mostram que a auto-agressão fez parte da estratégia contra Cuba. A CIA até propôs acções dentro do território dos EUA contra os anti-castristas, seus supostos aliados. "Poderíamos desenvolver uma campanha de terror comunista cubano na área de Miami, em outras cidades e até mesmo em Washington", dizem os documentos que propõem atentados à bomba e assassinatos de líderes anticastristas nos Estados Unidos. "A campanha terrorista poderia atingir os cubanos buscando refúgio. Poderíamos afundar um barco com os cubanos a caminho da Flórida ".

"A jóia da coroa" desses documentos é a possível ligação aos serviços de inteligência dos EUA do único assassino preso após o ataque da JFK. O ex-oficial do Exército dos EUA, Lee H. Oswald, visitou a embaixada cubana no México onde solicitou um visto pouco antes do assassinato. Se for confirmado que ele era um agente da CIA, a tentativa de vincular Havana com os tiros de Dallas seria evidente.

Num dos documentos desclassificados, revela-se que os membros da Comissão Warren, que estavam a investigar o assassinato, pediram ao vice-director da CIA, David Bellin, se Lee Harvey Oswald era um agente dessa agência de inteligência. A questão permanece sem resposta porque está escrita em outros documentos que permanecerão escondidos da opinião pública por um quarto de século mais.

Artigo via Diario Público: http://bit.ly/2AaRQv2

Guilhotina.info

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