É normal uma criança palestiniana ser presa

Na noite do passado 19 de Dezembro - faz hoje exatamente um mês - a casa da família de Ahed Tamimi, em Nabi Saleh, foi invadida por soldados israelitas que a procuravam. A sua casa ser invadida pela noite era já normal. O seu pai, Bassem, e a sua mãe, Nariman, tal como muitos outros familiares, tinham sido já várias vezes presos em rusgas parecidas. Para uma criança palestiniana, é normal ser acordada de madrugada por um grupo de soldados.

O motivo porque a procuravam resultava de um vídeo onde se vê Ahead, de 16 anos, a dar uma bofetada a um soldado que se encontrava à porta de sua casa. Quem vê o vídeo pergunta-se porque razão Ahed estava tão furiosa. O seu primo, Mohammed Tamimi, fora baleado na cara por uma bala de aço revestido a borracha 2 semanas antes, deixando-o gravemente ferido e desfigurado. Fora operado e deixado em coma induzido por 72 horas.

Ahed enfrenta agora 12 acusações, incluindo a de agredir um soldado israelita e lançar pedras a soldados, e pode vir a ser condenada a 20 anos de prisão (no sistema judicial israelita, lançar pedras pode equivaler a 20 anos de prisão). No dia 17, esta semana, um tribunal militar israelita decidiu mantê-la presa a aguardar julgamento sem data conhecida. Podem ser semanas, podem ser meses.

O caso da Ahed tornou-se viral nas últimas semanas, mas está longe de ser caso único. De acordo com a Defence for Children International, desde 2000, pelo menos 8000 crianças palestinianas foram presas e julgadas num tribunal militar israelita. Como escreveu o jornalista Ben Ehrenreich num artigo publicado no The Nation, “Por favor, não façam da Ahed uma heroína. Heróis, quando são palestinianos, acabam mortos ou atrás das grades. Deixem-na ser uma criança. Lutem para que seja libertada, para quem um dia possa ser uma mulher comum, numa terra comum.”

Em 2017, conversámos com a Shahd Wadi sobre a Palestina, aqui.

É Apenas Fumaça

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