"Os ricos que paguem"... só que não

“Recompensem o trabalho, não a riqueza” é o mais recente trabalho sobre a desigualdade no mundo, apresentado pela organização não governamental Oxfam, por ocasião do Fórum Económico Mundial, a reunião que todos os anos junta em Davos, nas montanhas Suíças, as pessoas mais ricas e poderosas do Planeta Terra.

É provável que nos encontros à porta fechada entre empresários e políticos se façam apenas negócios. É provável que nas luxuosas festas em modo après-ski se pense em tudo menos em promover a igualdade. E é certo - como aliás ano após ano se prova - que não é de Davos que sairão as propostas para resolver os problemas identificados nas conclusões do relatório: “Oitenta e dois por cento de toda a riqueza gerada no ano passado ficaram nas mãos do 1% mais rico e nada ficou com os 50% mais pobres”.

Como se chega a uma tal concentração de riqueza? De que forma se consegue amealhar assim? Que papel têm os Governos e a política? O trabalho de investigação apresenta algumas explicações:
“O poder monopolístico é acentuado pelo compadrio – a capacidade de interesses privados poderosos de manipular políticas públicas no intuito de consolidar monopólios existentes e criar outros. Acordos de privatizações, recursos naturais concedidos por valores muito abaixo do que seria justo, corrupção nas compras e contratos públicos ou isenções fiscais e brechas jurídicas são todos mecanismos pelos quais interesses privados com relações estreitas com o poder público podem enriquecer à custa do público em geral. No total, a Oxfam calculou que aproximadamente dois terços das fortunas dos bilionários podem ser atribuídos a heranças, monopólios e compadrio. Pesquisas realizadas pela Oxfam em 10 países revelam que mais da metade dos entrevistados acredita que, ainda que trabalhem duro, é difícil ou impossível para pessoas comuns aumentarem o dinheiro que têm.”

Sobre estes temas já falámos em profundidade aqui no É Apenas Fumaça: do sistema económico capitalista em que vivemos às formas precárias de organização do trabalho; da maneira como o comércio internacional se organiza em função dos interesses das grandes corporações às novas propostas de redistribuição de riqueza; e também das relações tóxicas entre poderes públicos e interesses privados, a causa de muita desta desigualdade.

Se não mudar nada, a única certeza que temos é a de que em Davos 2019 os super ricos estarão ainda mais ricos.

É Apenas Fumaça

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