Comunicado | Apoio à greve internacional das mulheres (8 de março)

O Sindicato de Estudantes, enquanto organização estudantil revolucionária e anti-capitalista, convoca todas e todos à greve internacional feminista, no dia da mulher trabalhadora no próximo dia 8 de Março.

A maioria dos jovens trabalhadores e estudantes confrontam-se com barreiras decisivas no acesso ao ensino, que lhe são impostas pelo sistema capitalista, onde um pequeno grupo privilegiado administra as instituições de ensino, prejudicando os estudantes de classe trabalhadora com a manutenção de um sistema baseado na desigualdade de classes.

É ainda mais precária a condição da mulher trabalhadora nesta sociedade capitalista. O trabalho e a exploração das mulheres assume várias formas: o trabalho formal, com a desigualdade salarial, e o trabalho reprodutivo e social não-remunerado — como o cuidado de pessoas e do espaço doméstico ou a educação das crianças. A mulher trabalhadora leva uma vida precária, depara-se muitas vezes com violência doméstica, vulnerabilidade e dependência financeira, e defronta-se com a falta de apoio institucional para resolver tais problemas. Todas essas questões também se verificam para mulheres estudantes, com dificuldade em pagar propinas que leva a situações laborais extremamente precarizadas, e consequentemente à exposição ao assédio sexual.

Reconhecemos por isso a importância da luta organizada, da força colectiva e da solidariedade entre os diferentes movimentos que resistem, utilizando a greve e a manifestação como meio de contestação e forma de combate ao modo de exploração e produção capitalista. A greve do 8 de Março é direcionada para a libertação da mulher trabalhadora, tendo em vista o fim da exploração e violência exercida sobre ela e o seu corpo no espaço económico, social e doméstico.

No ano passado um dos motes da greve foi “Se as nossas vidas não importam, produzam sem nós!” — o que aconteceria se todas as mulheres do mundo deixassem os seus trabalhos e se recusassem a realizar o trabalho doméstico, parassem de cuidar das crianças, idosos ou doentes? Mas devemos ir mais longe e exigir a toda a classe trabalhadora que pare no dia 8 de Março contra a violência machista, enviando uma mensagem clara aos patrões e ao sistema: rejeitamos as vossas tácticas de dividir para reinar — como a desigualdade salarial, que afecta todos os trabalhadores — no 8M saímos à rua unidos, porque somos todos responsáveis por combater essas opressões.

Porque lutamos por uma educação e uma sociedade democrática, de qualidade, contra a desigualdade, a discriminação institucional das mulheres, pessoas LGBTQI+, migrantes e não-brancas, e portanto queremos marcar presença neste dia e fazer parte da luta. É necessário combater esse sistema através da participação dos estudantes na luta organizada em bairros, escolas e universidades, e para isso, o feminismo de classe que defende a mulher trabalhadora e suas reivindicações é o único caminho.

Sindicato de Estudantes

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