Portugal: 15,5% de desemprego - 844 mil desempregados

A redução do desemprego em Portugal, embora conseguida também à custa da criação de empregos com salários muito baixos e da emigração que continua, é um factor positivo. Mas esconde a dimensão real da situação difícil vivida pelos portugueses.

No fim do 4º Trimestre de 2017, o desemprego oficial atingia ainda 422.000 portugueses, mas se somarmos os desempregados que deixaram de procurar emprego por se convencerem, depois de muito procurarem de que não encontrariam (os “inativos disponíveis que não procuram emprego”, na linguagem oficial), o número de desempregados já sobre para 623,3 mil. E se adicionarmos aqueles que fazem “biscates” para sobreviverem então o seu numero aumenta para 844,4 mil, o que corresponde, no último trimestre de 2017 a uma taxa real de desemprego, ou de “subutilização do trabalho”, para utilizar as palavras do INE, de 15,5%, no lugar da taxa de desemprego oficial de 8,1% que é a divulgada pelos órgãos de informação.

O SUBSÍDIO MÉDIO DE DESEMPREGO É DE APENAS 470.8€ - APENAS 30% DOS DESEMPREGADOS REAIS RECEBEM SUBSÍDIO

Como revelam os dados do INE e da Segurança Social, menos de metade dos desempregados oficiais (apenas 44 em cada 100 desempregados) recebem subsídio de desemprego. E se a análise for feita em relação ao desemprego real, a conclusão é ainda mais grave: em Dezembro de 2017, menos de 30 em cada 100 desempregados recebiam subsídio de desemprego e, entre Dez.2015 e Dez.2017

O DESEMPREGO É A PRINCIPAL CAUSA DA POBREZA EM PORTUGAL

Mas a situação mais grave de pobreza no nosso país é a dos desempregados em que 44,8% viviam no limiar ou abaixo do limiar de pobreza e, como revelam os dados do INE, a situação tem-se agravado mesmo com o atual governo.

SALÁRIOS DE MISÉRIA E TRABALHO PRECARIO

Em 2016/2017, 10,8% dos trabalhadores empregados viviam com um rendimento abaixo do limiar da pobreza que era, em 2016, de apenas 388,7€/mês (14 meses).

O salário líquido médio em Portugal subiu para 856 euros mensais em 2017, um aumento de 2%. Uma miséria, tendo em conta o aumento dos custos de vida.

O salário mínimo está fixado nos 580 euros brutos (o valor líquido, isto é, retirando os 11% de desconto do trabalhador por conta de outrem para a Segurança Social, é pouco mais de 516 euros).

Apesar do aumento de 7,4% dos salários no sector da agricultura, pesca e floresta, os salários continuam a ser de miséria - 628 euros, quando a média nacional ronda os 856 euros.

Ser mulher agrava a situação em todas as profissões. A nível nacional, elas ganham, em média, menos 20% do que eles - o salário médio das mulheres é de 785 euros, o dos homens é de 933 euros.

O grupo profissional mais bem remunerado no país é o dos políticos, presidentes, dirigentes, diretores e gestores de topo que trabalham na área da grande Lisboa, com um salário líquido de 1686 euros, praticamente o dobro da média nacional global e acima dos 1553 euros, que é a média nacional para essas profissões dirigentes.

TIPO DE EMPREGO CRIADO EM PORTUGAL:

60,3% DOS TRABALHADORES CONTA DE OUTREM RECEBEM MENOS DE 900€ EM 2017

O crescimento económico em Portugal criou trabalho, mas de que tipo? A Propaganda do "não querem é trabalhar" está em força nos meios de comunicação portugueses. Não há semana que passe sem sair um artigo onde demonstra que existe uma carência de dezenas de milhares de trabalhadores em sectores como a hotelaria, a restauração, as indústrias do calçado e do têxtil ou a metalurgia. “O pessoal só não trabalha porque não quer” é a velha cantiga usada para manter um sistema que se baseia claramente num modelo de baixos salários, como mostram os dados do INE:

128 MIL TRABALHADORES COM SALÁRIOS INFERIORES A 310€ E MAIS DE 1 MILHÃO COM SALÁRIOS ENTRE OS 310€ E OS 600€

Entre o 4º Trim.2015 (o governo PS entrou em funções em Nov.2015 ) e o 2º Trim.2017, o número de trabalhadores a receber um salário líquido inferior a 900€, aumentou de 2,.23 milhões para 2,37 milhões (+135,6 mil). Em percentagem do total, registou-se uma subida de 59,9% para 60,3%. Embora neste período tenha diminuído o número de trabalhadores com salários líquidos inferiores a 310€ (de 143,3 mil para 128 mil) e com salários entre 310€ e 600€ (de 1.026 mil para 998,3 mil), e aumentado os com salários líquidos entre 600€ e menos de 900€ (de 1.066,7 mil para 1.245,3 mil), passando a ser o salário dominante o entre 600€ e menos de 900€.

TRABALHO PRECÁRIO EM PORTUGAL

46% DO EMPREGO CRIADO NO 2º TRIMESTRE DE 2017 É PRECÁRIO.

Dos cerca de 300 mil trabalhadores independentes, mais de 40% declaram até 210 euros mensais e apenas 1% recebe mais de 2449 euros. (Dados INE)

PORTUGAL : ACIDENTES DE TRABALHO CAUSAM 115 MORTOS EM 2017 - 500 VÍTIMAS NOS ÚLTIMOS 3 ANOS

Em 2017 morreram em Portugal 115 pessoas e 315 ficaram feridas com gravidade em acidentes de trabalho, de acordo com dados registados pela Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT).

De acordo com dados da ACT, entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2017, foram registadas 115 vítimas mortais, menos 23 do que em igual período de 2016, e 315 feridos graves, mais 51 do que em 2016.

Nos últimos quatro anos (entre 2014 e 2017), a ACT registou mais de 500 vítimas mortais e 1.304 feridos graves.

Só 30% das vítimas tinham contratos de trabalho sem termo.

Dados INE: http://bit.ly/2F3R3Dl

Guilhotina.info

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